Esse é o segundo ano que o CineFialho lança uma lista tão extensa, com 100 filmes. Tenho consciência que toda forma de organizar uma lista tem suas limitações. Alguns críticos a fazem com títulos vistos em um determinado ano, independente de serem filmes exibidos em cinema, festivais, links ou streamings. Esta lista parte somente de uma maneira de visionamento: a dos filmes lançados comercialmente nos cinema. Essa é a régua escolhida pelo CineFialho.
Esse foi um ano em que a discussão sobre a taxação sobre os streamings não só não avançou, como representou uma derrota para quem acredita na necessidade de por limites fiscais e de conteúdo nesses players que hoje caminham para firmar um monopólio no mercado do cinema, e em 2026, essa discussão continuará, com certeza.
Essa lista serve também para ampliar o tempo de discussão de alguns desses filmes que passaram velozmente pelo circuito e muitas vezes não foram automaticamente para nenhum serviço de streaming. O grande protagonista dessa lista, por isso mesmo, é o cinema independente. Por isso, pouco se verá aqui filmes blockbuster. Alguns filmes constam com uma máquina de marketing assustadora, enquanto outros não possuem muita grana e estrutura de lançamento, o que na prática faz muita diferença. Creio que a crítica deve contribuir para equilibrar essa desigualdade assustadora nos lançamentos, entre se ter, se ter pouco ou simplesmente não se ter nenhum marketing.
Não deem tanta importância para as colocações dos filmes na lista, elas são tão arbitrárias tanto quanto esta ou qualquer outra lista de filmes. Várias posições que os filmes ocupam hoje, amanhã poderiam variar sem o menor problema e sem crise maior de consciência.
100) FRANKENSTEIN - Dir. Guillermo Del Toro
Comentário: Del Toro já ocupou uma prateleira bem mais acima nas minhas preferências, mas preciso admitir que ele vem caindo. Mesmo ainda sendo um nome a respeitar e a observar, sua subserviência ao espetáculo com uma camada de CGI vinda de brinde decepcionou a quem ama cinema e não aprecia tanto a supremacia dos efeitos especiais no cinema.
98) OH, CANADA - Dir. Paul Schrader
Comentário: Foi bom assistir a volta do astro Richard Gere para as telas de cinema. Muitos reclamaram que o filme era por demais confuso, mas acredito que essa era a intenção de Schrader ao realizá-lo assim. Pode não ser o melhor trabalho do diretor, mas é digno e ousado. E Gere está ótimo, como sempre e o elenco de apoio é luxuoso, com destaque para a presença de Uma Thurman.
Crítica: OH, CANADA (2024) Dir. Paul Schrader
97) OS ENFORCADOS - Dir. Fernando Coimbra
Comentário: Com "Os Enforcados", Fernando Coimbra reafirma sua aproximação ao universo de Nelson Rodrigues, o que é ótimo, mas se compararmos esse com "O Lobo Atrás da Porta", seu primeiro longa, tudo fica bem menor. Ainda bem, que o filme tem um elenco de peso, como Leandra Leal, Irandhir Santos, Irene Ravache, Ernane Moraes, Augusto Madeira e o excepcional Stepan Nercessian para segurar os alguns deslizes do roteiro.
Crítica: OS ENFORCADOS (2025) Dir. Fernando Coimbra
96) A LENDA DE OCHI - Dir. Isaiah Saxon
Comentário: Esse passou desapercebido pelo circuito comercial, mas tem a energia daqueles filmes de magia dos anos 1980. Se o circuito fosse mais generoso teria um sucesso bem maior, e olha que chegou amparado pela poderosa A24. Mesmo que o roteiro seja fraco, há um visual bem urdido que lembra a Idade Medieval e faz valer uma investida. Ainda de quebra, tem Willem Dafoe no elenco.
A LENDA DE OCHI (2024) Dir. Isaiah Saxon
95) ANDY WARHOL - UM SONHO AMERICANO - Dir. L' Ubomír Ján Slivka
Comentário: Andy Warhol por si, já é um grande atrativo, e o diretor tenta abarcar muitos detalhes sobre esse artista que tão bem expressa ideias sobre o mundo contemporâneo. Uma pena ele expandir tanto suas perspectivas e tornar o resultado excessivamente saturado, mas não deixa de ser uma joia a ser vista e admirada.
Crítica: ANDY WARHOL - UM SONHO AMERICANO (2024) Dir. L' ubomír Ján Slivka
94) NOEL ROSA - UM ESPÍRITO CIRCULANTE - Dir. Joana Nin
Comentário: Esse belo documentário sobre o maior gênio do bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro, tem um importante enfoque por trazer Noel Rosa para dialogar com o presente. Mas é inevitável sermos atraídos pela música e histórias desse artista que precocemente nos deixou aos 27 anos, mas o pouco tempo entre nós foi o suficiente para compor tantas pérolas da nossa música.
NOEL ROSA - UM ESPÍRITO CIRCULANTE (2025) Dir. Joana Nin
93) NOUVELLE VAGUE - Dir. Richard Linklater
Comentário: Que Richard Linklater é um cineasta de mão cheia, a Trilogia "Antes do Amanhecer" não deixa dúvidas. Mas essa é aquela ideia fenomenal que enfraquece o tema pela abordagem careta de algo que é verdadeiramente revolucionário. "Acossado" merecia mais. Jean-Luc Godard, idem. Mas quem é o doido que não quer assistir a esse filme de bastidor?
Crítica: NOUVELLE VAGUE (2025) Dir. Richard Linklater
92) ENTRE DOIS MUNDOS - Dir. Emmanuel Carrère
Comentário: Quem não gosta de ver um filme quando ele traz estampado o nome de Juliette Binoche? Mais do que talento Binoche tem carisma, sua imagem parece estabelecer uma afinidade indissolúvel com a câmera. Mas nem sempre ela se mostra boa para escolher projetos. Esse tem lá suas implicações éticas, pois sua personagem se passa por alguém que não é, para o fim de uma pesquisa de campo. O melhor aqui é ver muitas atrizes desconhecidas dando um show nas cenas com Binoche.
Crítica: ENTRE DOIS MUNDOS (2025) Dir. Emmanuel Carrère91) O RETRATO DE NORAH - Dir. Tawfik Alzaidi
Comentário: Esse filme foi uma grata surpresa lançada no ano. Uma denúncia poderosa contra a opressão fundamentalista que oprime mulheres, professores e crianças. Muito bom como o trabalho fotográfico consegue representar o obscurantismo político. O final do filme fica devendo, mas não compromete a contundência e a denúncia contra a opressão religiosa.
Crítica: O RETRATO DE NORAH (2023) Dir. Tawfik Alzaidi
90) DELÍRIO - Dir. Alexandra Latishev Salazar
Comentário: O raro às vezes é bom. Poucos são os filmes da Costa Rica que chegam por aqui e "Delírio" é um exemplar interessante, repleto de um misticismo tipicamente latino e um filme preocupado em criar uma atmosfera de suspense e claustrofobia. Uma casa que diz muito sobre personagens, quase todos mulheres que temem a presença quase sempre violenta dos homens.
DELÍRIO (2024) Dir. Alexandra Latishev Salazar
89) DAAAAAALÍ ! - Dir. Quentin Dupieux
Comentário: Esse é aquele típico filme que se adora ou se odeia. Eu gostei sobretudo pelo diretor Quentin Dupieux não usar o filme como uma mera biografia sobre o excêntrico artista Salvador Dalí, o que seria algo banal e esperado. Ao invés disso, ele aposta no universo surrealista e realiza uma fábula cômica e desconcertante sobre esse grande mestre da pintura. Uma delícia de viagem onírica.
Crítica: DAAAAAALI ! Dir. Quentin Dupieux
88) 3 OBÁS DE XANGÔ - Dir. Sérgio Machado
Comentário: Como poderia dar errado um documentário que junta Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé? A interação entre esses três artistas é justamente a maior graça do filme e fica irresistível pensar a cultura afro-baiana a partir deles. A força do filme é mostrar como esses 3 obás se tornaram os grandes divulgadores e criadores de uma certa imagem da Bahia. Tudo embalado pela música de Caymmi.
3 OBÁS DE XANGÔ (2024) Dir. Sergio Machado
87) A MEMÓRIA DO CHEIRO DAS COISAS - Dir. António Ferreira
Comentário: O cinema português é um dos maiores do mundo. Esse singelo filme apenas reafirma a força dessa cinematografia. José Martins é um ator excepcional e infelizmente pouco conhecido. O filme perpassa temas profundos como o do colonialismo, o do envelhecimento. O diretor António Ferreira nos mostra como podemos aprender em qualquer momento de nossa vida, inclusive na velhice.
Crítica: A MEMÓRIA DO CHEIRO DAS COISAS (2025) Dir. António Ferreira
86) HOMEM COM H - Dir. Esmir Filho
Comentário: "Homem com H" é um filme que se realiza tal como o seu protagonista, como um grande espetáculo cinematográfico. Ney Matogrosso merecia uma cinebiografia ficcional à altura. O filme também ficará marcado pela interpretação visceral de Jesuíta Barbosa. Se "Homem com H" passa longe da perfeição, tudo é compensado pela música contagiante do cantor e pelo capricho visual do filme.
Crítica: HOMEM COM H (2025) Dir. Esmir Filho
85) CHICO BENTO E A GOIABEIRA MARAVIÓSA - Dir. Fernando Fraiha
Comentário: É muito difícil produzir um filme para a criançada e convencer de verdade. Primeiro acerto e mérito é tratar as crianças com inteligência e não como bocós, como muitos filmes o fazem. Outra coisa: é preciso ter um protagonista com a luz e o carisma de Isaac Amendoim. Aqui, provou-se que é possível falar de consciência política para os mais jovens. De quebra, ainda tem "Romaria" no final, pra gente sair cantando.
Crítica: PEDAÇO DE MIM (2024) Dir. Anne-Sophie Bailly
83) A VERDADEIRA DOR - Dir. Jesse Eisenberg
Comentário: É interessante como o diretor transita pelo humor e pelo drama sem maiores grilos. Keiran Culkin está muito bem e ganhou muitos prêmios nessa atuação, que poderia ter pendido para um humor boboca, mas sabe jogar com o passado de uma maneira cáustica e arrasadora. Como encarar um passado demolidor e não ser por ele tocado verdadeiramente?
Crítica: A VERDADEIRA DOR (2024) Dir. Jesse Eisenberg
82) VITÓRIA - Dir. Andrucha Waddington
Comentário: Se existe algo mágico na face da Terra, o seu nome é Fernanda Montenegro. Como é bom vê-la em cena em um filme onde o seu protagonismo é total. Mas essa obra se destaca ainda pelas minúcias com que Andrucha constrói sua mise en scène, e as cenas das xícaras são um primor. E como é incrível ver as ruas de Copacabana ser filmada com a vivacidade e a riqueza que merece.
Crítica: VITÓRIA (2024) Dir. Andrucha Waddington
81) AS MAIS PRECIOSA DAS CARGAS - Dir. Michel Hazanavicius
Comentário: As animações em longa-metragem voltadas para o público adulto são raras e normalmente muito impactantes. O visual aqui de uma Europa gélida, branca e soturna é o que confere o tom amargo dessa animação, que narra o horror das vítimas do holocausto. Mas o melhor é ter ainda o luxo de uma narração em off com a voz de nada mais do que o astro francês Jean-Louis Trintignant.
Crítica: A MAIS PRECIOSA DAS CARGAS (2025) Dir. Michel Hazanavicius
80) CÓDIGO PRETO - Dir. Steven Soderberg
Comentário: Mesmo que esses filmes de espionagem sejam esquecíveis logo que saímos do cinema, e esse não é diferente, eu adoro acompanhar, ou pelo menos tentar, as ações mirabolantes e os personagens fluidos e escorregadios. Soderberg pode não ter atingido a plenitude prometida lá no começo da carreira, mas sempre garante o básico. E com Cate Blanchett puxando o elenco, essa se torna uma tarefa fácil de alcançar.
Crítica: CÓDIGO PRETO (2024) Dir. Steven Soderbergh
79) NOSFERATU - Dir. Robert Eggers
Comentário: Coragem é o que não faltou ao ousado Robert Eggers quando decidiu refilmar um dos maiores clássicos do cinema expressionista. O apuro visual chamou a atenção, pois o capricho é imenso, mas ficou igualmente a sensação de que Eggers abusou do esteticismo a ponto de esquecer de trabalhar mais minuciosamente o suspense em si. É Nosferatu entrando na Era do espetáculo. Pelo menos é bonito de ver.
Crítica: NOSFERATU (2024) Dir. Robert Eggers
78) ANORA - Dir. Sean Baker
Comentário: Quem me acompanha sabe o quanto eu sou fã de Sean Baker, mas sinceramente "Anora" não manteve o mesmo padrão de suas obras anteriores. O velho sonho de Cinderela, tema recorrente de Baker, é aqui concebido com menos profundidade, mas vale pela interpretação magnética de Mikey Madison. O filme narra um desmoronamento de um sonho, no caso, o da protagonista Ani.
Crítica: ANORA (2024) Dir. Sean Baker
77) VALOR SENTIMENTAL - Dir. Joachim Trier
Comentário: Joachim Trier tinha uma joia nas mãos. Durante dois terços do filme me encantei, mas o terço final decepcionou demais. Mas vale pela interpretação magistral de Stellan Sgargard, que está melhor que Renate Reinsve e Ellen Fanning. O que começa de maneira promissora, como um belo protótipo do cinema contemporâneo, termina como um dramalhão besta e de conciliação familiar patética. Triste assim.
Crítica: VALOR SENTIMENTAL (2025) Dir. Joachim Trier
76) SUÇUARANA - Dir. Clarissa Campolina e Sergio Borges
Comentário: Esse é um ótimo filme de uma safra mineira de respeito, que mostra uma personagem feminina, Dora, em busca de seu lugar no mundo, que se mostra hostil e violento. Adoro a narrativa crua que os diretores Clarissa e Borges adotam para a narrativa e como projetam personagens desamparados imersos numa ideia de contemporaneidade fluida.
74) A BATALHA DA RUA MARIA ANTÔNIA - Dir. Vera Egito
Comentário: Falar da ditadura militar se transformou em algo fundamental, especialmente para que à época de exceção jamais retorne ao nosso país. Essa é uma obra de um motim de resistência de jovens universitários, todo filmado em plano-sequência. Esse é um filme de grande movimentação dos personagens e por isso é um imenso prazer poder acompanhar a relação da câmera com os atores.
Crítica: A BATALHA DA RUA MARIA ANTÔNIA (2023) Dir. Vera Egito
73) O ÚLTIMO AZUL - Dir. Gabriel Mascaro
Comentário: O que mais me agrada no filme é a interpretação magistral de Denise Weinberg. Não gosto da construção distópica de Mascaro, nem do trabalho de Santoro, um personagem vazio e perdido no filme. "O Último Azul" tem lá seus momentos pelos barcos que ludibriam pessoas vendendo uma bíblia digital ou quando a baba azul do caracol entra em cena. Mas ao final, o que fica mesmo é o talento de Denise Weinberg.
Crítica: O ÚLTIMO AZUL (2024) Dir. Gabriel Mascaro
72) HONEY, NÃO - Dir. Ethan Coen
Comentário: A ideia de Ethan Coen de criar uma personagem bonita e sapatão como detetive particular foi fenomenal, afinal, assim ela pode no decorrer da trama enfrentar assediadores tóxicos com mais armas do que o restante das mulheres. Mas o filme é feliz em explorar na contemporaneidade o atraso e o arcaico em uma pequena cidade no interior dos Estados Unidos. E mais... Margaret Qualley está arrasando.
Crítica: HONEY, NÃO! (2025) Dir. Ethan Coen
71) LISPECTORANTE - Dir. Renata Pinheiro
Comentário: Esse é um filme que explora a vida cultural de Recife, com magnetismo incomum, a partir de uma casa abandonada que pertenceu a Clarice Lispector. Adoro a evocação de um Recife nostálgico, de um passado que insiste em gritar. De resto, a presença sempre luminosa de Marcélia Cartaxo é um a mais nesse turbilhão de emoções que é "Lispectorante".
Crítica: LISPECTORANTE (2024) Dir. Renata Pinheiro
70) SEU CAVALCANTI - Dir. Leonardo Lacca
Comentário: Se fosse pelo carisma do protagonista, "Seu Cavalcanti" seria o filme do ano. Que personagem! Uma sessão da tarde divertidíssima e boníssima de assistir. Adorei ver e está na minha lista de revisitações para 2026. Lacca mostra que às vezes não precisamos ir tão longe para encontrar nossos personagens, que muitas vezes eles estão bem próximos de nós.
Crítica: SEU CAVALCANTI (2023) Dir. Leonardo Lacca
69) A HISTÓRIA DE SOULEYMANE - Dir. Boris Lojkine
Comentário: A câmera a serviço da dinâmica de vida de um refugiado e de sua capacidade de sobreviver no inferno do exílio. Essa pode ser a síntese desse filme que escolhe a frontalidade como método de abordagem, nessa ficção que mesmo que não ouse tanto formalmente, oferece um retrato consistente de Souleymane, homem preto que enfrenta a intolerância em seu país e o racismo da branquitude francesa.
Crítica: A HISTÓRIA DE SOULEYMANE (2024) Dir. Boris Lojkine
68) NADA - Dir. Adriano Guimarães
Comentário: Nunca o título de um filme mostrou tão pouco sobre ele. Ao contrário do que se possa pensar, "Nada" é um filme ambicioso, que quer falar do mal estar da contemporaneidade, da obsolescência vital das novas tecnologias, incapazes de realmente estabelecer diálogo. Essa premissa não é pouca e sim complexa e o filme enfrenta a dura realidade usando estratégias do cinema fantástico do mockumentário (falso documentário).
Crítica: NADA (2024) Dir. Adriano Guimarães
67) PONTO OCULTO - Dir. Ayse Polat
Comentário: Esse filme passou quase invisível pelo circuito, mas merecia mais atenção tanto pelo roteiro esmerado quanto pela direção atenta aos detalhes e com uma montagem descontínua onde o tempo se mostra fragmentado. A certa altura, a câmera de Ayse Polat se coloca como personagem e desconcerta as imagens de antes. Há um uso inteligente das chamadas câmeras de segurança. Um filme para ser visto com o máximo de atenção.
Crítica: PONTO OCULTO (2023) Dir. Ayse Polat
66) RITAS - Dir. Oswaldo Santana e Karen Harley
Comentário: "Ritas" é tão apaixonante quanto a sua protagonista, a nossa Rita Lee. Um filme que termina e queremos assistir de novo e de novo, pois Rita Lee é puro prazer para os olhos e ouvidos. Um filme sobre a inteligência e sobre uma mulher que soube ser numa época em que as mulheres eram educadas à subserviência. Esse é um documentário pulsante e apaixonado, por isso maravilhoso.
Crítica: RITAS (2025) Dir. Oswaldo Santana e Karen Harley
65) LAN, O CARICATURISTA - Dir. Pedro Vinicius
Comentário: Tem documentários que são importantes por mostrar a qualidade de uma trajetória artística pouco conhecida ou reconhecida em partes dela. A simplicidade narrativa do documentário faz ressaltar o personagem, um tímido homem da Toscana que amou a vida, as mulheres e adotou o Rio de Janeiro como seu lar. Interessante como o mais apaixonado dos cariocas sequer nasceu aqui.
Crítica: LAN, O CARICATURISTA (2025) Dir. Pedro Vinícius
64) BRINCANDO COM FOGO - Dir. Delphine Coulin e Muriel Coulin
Comentário: Em cinema jamais podemos ser dogmáticos. Particularmente, jamais fui fã de Vincent Lindon, mas continuo vendo seus filmes mesmo assim. Eis que "Brincando com Fogo" me surpreendeu. Esse é um filme necessário que enfrenta um dos temas mais difíceis da nossa Era, a do crescimento das ideologias fascistas. O resultado é comovente e Lindon arrasa na interpretação.
Crítica: BRINCANDO COM FOGO (2025) Dir. Delphine Coulin e Muriel Coulin
63) O GRANDE GOLPE DO LESTE - Dir. Natja Brunckhorst
Comentário: Quando política e comédia encontram o tom certo, o resultado é sempre fantástico, crítico e engraçado. O humor de "O Grande Golpe do Leste" vem das situações, não de piadas forçadas inseridas pelo texto. E não bastando mais nada, ainda tem a talentosíssima Sandra Hüller no elenco, mesmo que a maior estrela aqui seja a atriz mirim Lotte Sirin Kelling, interpretando a menina prodígio Mini.
Crítica: O GRANDE GOLPE DO LESTE (2024) Dir. Natja Brunckhorst
62) LUIZ MELODIA - NO CORAÇÃO DO BRASIL - Dir. Alessandra Dorgan
Comentário: A beleza desse documentário reside no fato da diretora Alessandra Dorgan conseguir retratar a alma do cantor e compositor do Estácio. Ela realiza uma viagem deliciosa ao universo do artista e quem ganha com isso são os espectadores. O ponto de vista é todo dele, mas as canções nos chegam não só pela sua bela voz, mas também pela dos diversos artistas que sempre amaram gravá-lo.
Crítica: LUIZ MELODIA - NO CORAÇÃO DO BRASIL (2024) Dir. Alessandra Dorgan
61) MORRA, AMOR - Dir. Lynne Ramsay
Comentário: A diretora Lynne Ramsay realiza uma obra de impacto ao construir uma reflexão perturbadora sobre a ideia de matrimônio na contemporaneidade. E Jennifer Lawrence é a espinha dorsal dessa história sobre como os corpos reagem às tradições e pressões sociais. Um filme que instiga a pensar sobre o feminino, o masculino e o casamento. É Lawrence em seu melhor e desafiador momento da carreira.
Crítica: MORRA, AMOR (2025) Dir. Lynne Ramsay
60) BABY - Dir. Marcelo Caetano
Comentário: Esse é um filme estilisticamente com um olhar nostálgico lá para os anos 1970 e 1980, que o leva para um diferencial em relação às outras produções atuais. João Pedro Mariano constrói um personagem vibrante e tocante. A atmosfera lembra "Querelle" de Fassbinder, em um mergulho dramático em um submundo belamente encenado. "Baby" é um cinema queer de responsa.
Crítica: BABY (2024) Dir. Marcelo Caetano
59) TRÊS AMIGAS - Dir. Emmanuel Mouret
Comentário: Mouret vem se firmando como um dos grandes discípulos de Woody Allen, com seus textos afiados, temas românticos e grande preocupação com a relação dos atores com a mise en scène. E mais, como é bom ver Vincent Maicagne em cena, no fundo, esse é um filme escrito sob medida para o seu talento. "Três Amigas" é uma comédia romântica adulta, que contrasta com várias infantilóides filmadas em Hollywood.
Crítica: AS TRÊS AMIGAS (2024) Dir. Emmanuel Mouret
58) FOI APENAS UM ACIDENTE - Dir. Jafar Panahi
Comentário: Que me desculpe o hype em cima dessa obra de Panahi, mas não consegui me conectar como sempre acontece com suas obras anteriores. E minha implicância com "Foi Apenas um Acidente" não é com a sua forma cinematográfica, mas sim com a sua postura infantil na política. Tem seus momentos? Verdadeiramente tem, mais falha quando pensa a militância política de seus personagens e isso eu não relevo.
Crítica: FOI APENAS UM ACIDENTE (2025) Dir. Jafar Panahi
57) ERNEST COLE: ACHADOS E PERDIDOS - Dir. Raoul Peck
Comentário: Raoul Peck é um dos melhores documentaristas do mundo. Obra a obra isso vai ficando evidente. Ao pinçar a história de Ernest Cole, um fotógrafo hoje bem pouco conhecido e trazê-lo para luz, ele reafirma o seu propósito de grande documentarista, preocupado em frisar a importância do contexto para a análise do personagem. Um filme vibrante, justo e eloquente. E que beleza que é a trilha toda inspirada no cool jazz. Imperdível e necessário.
Crítica: ERNEST COLE: ACHADOS E PERDIDOS (2024) Dir. Raoul Peck
56) CYCLONE - Dir. Flavia Castro
Comentário: Flavia Castro é uma diretora inspirada e que sempre mereceu atenção pelos documentários. Mas ela se sai muito bem na sua incursão pela ficção ao resgatar a figura de uma artista feminista, que foi renegada pelo modernista Oswald Andrade. Castro ainda se destaca pela concepção visual e na maneira hábil de conduzir as atrizes. Luiza Mariani está fenomenal como a protagonista em luta por visibilidade e justiça.
Crítica: CYCLONE (2025) Dir. Flávia Castro
55) O REFORMATÓRIO NICKEL - Dir. RaMell Ross
Comentário: Como é importante a gente ter um cinema negro nos Estados Unidos disposto a rever a história racista desse país que se diz gigante, mas é apequenado pelas injustiças sociais, tal como nós aqui no sul do Continente. Mas o tom impressionista de RaMell Ross também chama a atenção, com câmeras subjetivas e com ângulos inusitados. Uma obra cinematograficamente para lá de positiva e necessária.
Crítica: O REFORMATÓRIO NICKEL (2024) Dir. RaMell Ross
52) DORMIR DE OLHOS ABERTOS - Dir. Nele Wohlatz
Comentários: Essa é uma produção diferente, que mostra a vida de imigrantes chineses em Recife. A diretora é chinesa, mas os produtores são o nosso Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux. Um filme que se afirma pela discussão frontal do que é ser um imigrante e que se propõe a discutir ainda como se definem essas vidas em meio à fria exploração capitalista.
Crítica: DORMIR DE OLHOS ABERTOS (2024) Dir. Nele Wohlatz
51) UM COMPLETO DESCONHECIDO - Dir. James Mangold
Comentário: O diretor James Mangold centra sua obra nos anos inicias da carreira de Bob Dylan, até os momentos em que o seu sucesso se afirmaria. Se Timothée Chalamet poderia ser considerada uma escolha duvidosa para muitos, as filmagens demonstraram sua imensa capacidade de não só viver esse ícone da contracultura estadunidense como de cantar ele próprio as músicas com uma competência extraordinária.
Crítica: UM COMPLETO DESCONHECIDO (2024) Dir. James Mangold
50) CRIATURAS DA MENTE - Dir. Marcelo Gomes
Comentário: O maior mérito de "Criaturas da Mente" é o de trazer um tema inusitado, o do poder do sono e a importância do sonho para nós. Marcelo Gomes quer estudar o tema porque segundo ele não consegue mais sonhar. Ele parte dos estudos de Sidarta Ribeiro para averiguar algo ilimitado e às vezes abstrato para muitos: o poder da mente humana e sua relevância para a nossa vida no que tange a explorar a sua riqueza e potencial.
Crítica: CRIATURAS DA MENTE (2024) Dir. Marcelo Gomes
49) PEQUENAS COISAS COMO ESTAS - Dir. Tim Mielants
Comentário: Confesso que fui com os dois pés atrás conferir esse filme estrelado por Cillian Murphy, por causa de "Oppenheimer", mas ainda bem que fui assistir. Um filme de pequenos gestos, embora carregue consigo uma crítica mordaz à tradição católica. Cillian Murphy está ótimo, mas a presença pontual de Emily Watson como uma madre superiora é, como sempre aliás, arrebatadora. Um pequeno grande filme.
Crítica: PEQUENAS COISAS COMO ESTAS (2024) Dir. Tim Mielants
48) PARTHENOPE, OS AMORES DE NÁPOLES - Dir. Paolo Sorrentino
Comentário: Sorrentino sempre filma com classe e sofisticação, o que irrita muita gente, mas esse tão criticado filme tem beleza, e muita. Adoro como o diretor trabalha a mitologia napolitana na decadente Nápoles do presente. Celeste Dalla Porta toma conta da cena e permite Sorrentino esparramar sua verve onírica felliniana por todos os cantos do filme, com toda a extravagância que o cinema permite.
Crítica: PARTHENOPE: OS AMORES DE NÁPOLES (2024) Dir. Paolo Sorrentino
47) O SÍTIO - Dir. Silvina Schnicer
Comentário: Há, em "O Sítio", uma atmosfera sinistra e fantástica que ronda uma trama típica de uma família de classe média na América Latina. O bucólico inspira silêncios aterradores e a imagem entrega angústia e sufocamento. Gosto de como a crueldade permeia as cenas e a infância, sem psicologismos baratos que costumeiramente fazem do espectador passivo. O fogo como expressão de apagamento e negação de uma ideologia repressora que prioriza uma suposta e enganosa segurança.
Crítica: O SÍTIO (2024) Dir. Silvina Schnicer
46) SERRA DAS ALMAS - Dir. Lírio Ferreira
Comentário: Lírio Ferreira mostra como que um filme é capaz de desconstruir uma rede de domínio social, indo do interior para a Capital Recife e depois voltando para o interior do Estado de Pernambuco. O poder é algo complexo e "Serra das Almas" desvela isso como poucos filmes conseguem. Como dizia Glauber Rocha "mais forte são os poderes do povo", sina que KMF já havia revelado em "Bacurau". O Nordeste brasileiro é danado!
Crítica: SERRA DAS ALMAS (2024) Dir. Lirio Ferreira
45) APOLO - Dir. Thainá Müller e Isis Broken
Comentário: Eis um filme desconcertante e fascinante. A dupla Tainá Müller e Isis Broken (que também é personagem) realizam uma obra com forte viés humanista ao penetrar na vida de um casal trans. O afeto está no cotidiano desse casal que decide ter um filho, o Apolo. O filme é todo narrado para ele, a grande estrela que irradia o amor que está no ar nesse belo e necessário documentário.
Crítica: APOLO (2025) Dir. Tainá Müller e Isis Broken
44) SEGREDOS - Dir. Daniele Luchetti
Comentário: "Segredos" é um filme vigoroso, denso, de um diretor que lá nos anos 1990 me cativou com uma comédia que introduzia cenas com animação. Daniele Luchetti continua a brilhar, só que agora com um drama mais pungente. "Segredos" é uma história de amor doída, profunda e até onírica. O filme tem nada mais nada menos do que uma trilha de cair o queixo do grande Thom Yorke, integrante do famoso grupo RadioHead.
Crítica: SEGREDOS (2024) Dir. Daniele Luchetti
43) VOLVERÉIS - Dir. Jonás Trueba
Comentário: Como é divertido assistir a um filme que sabe brincar com o jogo entre cinema e vida. Histórias que transpiram realidade, mas que nos lembram que são ficcionais. Jonás Trueba segue a tradição de talento e realiza um filme cinematograficamente expressivo. Que fantástica a ideia de que comemorar a separação é mais interessante do que festejar a união em um casamento. Mais uma vez é Woody Allen inspirando os novos realizadores.
Crítica: VOLVERÉIS (2025) Dir. Jonás Trueba
42) A QUEDA DO CÉU - Dir. Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha
Comentário: "A Queda do Céu" se constrói na necessidade de se ver a cultura indígena para além de sua circunscrição territorial. Por isso, a ideia de Eryk e Gabriela é tão certeira, a de partir das filosofias de Davi Kopenawa para discutir os direitos dos povos originários brasileiros. Há não só um respeito pela noção de tempo dos Yanomamis quanto uma transformação dele em uma camada poética imprescindível para pensar essa cultura. Esse é um primor de documentário.
Crítica: A QUEDA DO CÉU (2024) Dir. Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha
41) KASA BRANCA - Dir. Luciano Vidigal
Comentário: No cinema contemporâneo, fala-se muito em território. "Kasa Branca" é um filme que cumpre esse desígnio com uma competência ímpar. Luciano Vidigal nos arremessa para a periferia de maneira quase mágica, com personagens encantadores e vivíssimos. Essa é a melhor forma de tirar a periferia da invisibilidade, com carisma de um elenco impecável a mostrar o valor incomparável da amizade e do coletivo na vida brasileira.
Crítica: KASA BRANCA (2024) Dir. Luciano Vidigal
40) A MULHER NO JARDIM - Dir. Jaume Collet-Serra
Comentário: Adoro filme que radicaliza um determinado ponto de vista na trama. É o caso do filme de terror "A Mulher no Jardim", que merecia uma melhor sorte nos cinemas. A partir de um trauma da protagonista acompanhamos a incômoda presença dessa mulher toda vestida de preto sentada no jardim da família. Jaume Collet-Serra empilha camadas simbólicas e reais nessa macabra história sobre saúde mental na contemporaneidade.
Crítica: A MULHER NO JARDIM (2025) Dir. Jaume Collet-Serra
39) SEM CHÃO - Dir. Yuval Abraham, Basel Adra, Hamdan Ballal e Rachel Szor
Comentário: Esse é um documentário cru sobre o extermínio dos palestinos na faixa de Gaza. Basel Adra registra in loco, o terror da força policial de Benjamin Netanyahu, que bombardeia escolas, hospitais e residências. "Sem Chão" realiza um registro distópico de uma guerra desigual e desumana. Como a câmera acompanha a saga palestina no ensejo das agressões, ela raramente está estática e simboliza a própria instabilidade da população palestina nos territórios ocupados por Israel. Doc imprescindível.
Crítica: SEM CHÃO (NO OTHER LAND) 2024 Dir. Yuval Abraham, Basel Adra, Hamdan Ballal e Rachel Szor
38) ENTERRE SEUS MORTOS - Dir. Marco Dutra
Comentário: Admiro a audácia de Marco Dutra em realizar um filme repleto de riscos narrativos. O estranhamento que "Enterre Seus Mortos" evoca é salutar dentro de um cinema cada vez mais domesticado pelo afago no espectador. Esse é um filme adulto, duro e que não entrega sua trama logo na primeira esquina da história. E Selton Mello está soberbo, sem carisma algum, o que é raro na sua carreira. Um filme que denuncia um mundo que caminha para o fim, sobretudo pela frieza que cultivou nas pessoas.
Crítica: ENTERRE SEUS MORTOS (2024) Dir. Marco Dutra
37) AMIZADE - Dir. Cao Guimarães
Comentário: Se você nunca viu nenhum filme de Cao Guimarães, você anda procurando filme no lugar errado. Mas se você já viu e não gosta, sinto que você já esteja dominado por alguma ideia já programada de cinema. "Amizade" é mais um filme não só de invenção, mas um filme de autorreinvenção desse diretor fantástico vindo de MG. Aqui, Cao poetiza o tema da amizade e realiza mais um filme intuitivo sobre memória, calcado na sua inteligência privilegiada.
Crítica: AMIZADE (2024) Dir. Cao Guimarães
36) BUGONIA - Dir. Yorgos Lanthimos
Comentário: Que Lanthimos exagera em suas abordagens, isso já sabemos. Entretanto, em "Bugonia" o exagero surge mais controlado na mise en scène, o que me agradou muito. Adorei a reflexão que o diretor lança sobre o quanto estamos afundando o planeta e como estamos lidando com isso. A trama em si é recheada de dúvidas e permite leituras diversas, o que também é maravilhoso. "Bugonia" é Lanthimos em plena forma.
Crítica: BUGONIA (2025) Dir. Yorgos Lanthimos
35) UMA BATALHA APÓS A OUTRA - Dir. Paul Thomas Anderson
Comentário: Apesar de ser um fã de PTA, esse não é o filme dele que mais gostei. Tem seus momentos brilhantes, algumas atuações sensacionais, mas para mim não atingiu o seu mais alto nível com "Uma Batalha Após a Outra". Contudo, gostei de ver a parceria inédita entre o diretor e Di Caprio e Sean Penn arrasando como um militar bem escroto. É um filme cômico, daqueles para não se levar a sério, inclusive o viés político que nunca é verdadeiramente enfrentado pela direção.
Crítica: UMA BATALHA APÓS A OUTRA (2025) Dir. Paul Thomas Anderson
34) O CASTIGO - Dir. Matías Bize
Comentário: Esse poderoso filme todo filmado em plano-sequência tem uma força por nos colocar dentro desse drama de um filho que se perde em meio a uma floresta na Argentina. Vivemos juntos o drama familiar, suas angústias e seus segredos. Tudo é muito vivo e real nessa história. Além disso tudo provoca uma reflexão forte sobre a maternidade em nosso mundo contemporâneo.
Crítica: O CASTIGO (2022) Dir. Matías Bize
33) OS MALDITOS - Dir. Roberto Minervini
Comentário: "Os Malditos" é um tipo de filme antibelicista, que foca em um destacamento em deslocamento para o oeste dos Estados Unidos. Não é um filme fácil, sua narrativa é lenta e angustiante e dedicada a explorar como cada um dos soldados chegou até o exército. Ficamos a nos perguntar até o final: "pra quê serve a guerra, qual a sua utilidade?" É bom lembrar, que "Os Malditos" é indicado só para os fortes!
Crítica: OS MALDITOS (2024) Dir. Roberto Minervini
32) PRÉDIO VAZIO - Dir. Rodrigo Aragão
Comentário: Rodrigo Aragão é um cineasta vindo do município praieiro de Guarapari e "Prédio Vazio" se passa justamente na sua terra natal. Como sempre, Aragão demonstra ser afeito ao terror, gênero a que se dedica integralmente. Esse trabalho destaca-se por mostrar a dureza que é viver numa cidade onde só atrai turismo durante o período de veraneio e o filme versa sobre isso, sobre o abandono. Mas o melhor mesmo é ver em acena Gilda Nomacce, uma das maiores atrizes brasileiras. Vejam a hilária entrevista dela em um canal de TV à época da divulgação do filme.
Crítica: PREDIO VAZIO (2024) Dir. Rodrigo Aragão
31) SOL DE INVERNO - Dir. Hiroshi Okuyama
Comentário: "O Sol de Inverno" é um filme terno e dirigido com talento pelo jovem diretor Hiroshi Okuyama. Gosto como essa obra segue a tradição de alguns diretores fantásticos, como Ozu, que sempre trabalhou com planos fixos, o que o obrigou a pensar bem onde colocar a câmera em cada cena. "O Sol de Inverno" possui essa linhagem austera, e que traz uma agradável leveza à mise en scène.
Crítica: SOL DE INVERNO (2024) Dir. Hiroshi Okuyama
30) LUMIÈRE, A AVENTURA CONTINUA! - Dir. Thierry Frémaux
Comentário: Um filme maravilhoso para quem ama o cinema. Descobrir essas imagens iniciais, quando a ideia de cinematógrafo era maior do que a do cinema é algo que beira o mágico. Thierry Frémaux nos brinda com imagens desconcertantes, além de límpidas devido uma restauração recente. Esse documentário nos permite ver o cinema ainda como um apetrecho puramente fotográfico, como registro da vida moderna, como uma aventura e um amor de ver o mundo em movimento projetado numa tela.
Crítica: LUMIÈRE, A AVENTURA CONTINUA! (2025) Dir. Thierry Frémaux
29) ENSAIOS SOBRE YVES - Dir. Patrícia Niedermeier
Comentário: Esse é um filme-ensaio, um encontro de dois artistas brilhantes: Yves Klein e Patrícia Niedermeier. A paixão de Patrícia pela obra de Klein é apaixonada e apaixona quem está assistindo a esse belo filme. O monocromatismo em sua magnitude, inteireza e beleza. A arte reinventa a vida e essa obra nos leva a pergunta sobre o sentido de ambas. Basta querer se jogar no abismo que ambas oferecem.
Críticas: ENSAIOS SOBRE YVES (2023) Dir. Patrícia Niedermeier (A crítica)
ENSAIOS SOBRE YVES (2023) Dir. Patrícia Niedermeier (um ensaio)
28) LEVADOS PELAS MARÉS - Dir. Jia Zhang-Ke
Comentário: O cinema de Jia Zhang-Ke é completo, ora documenta ora ficcionaliza. A China é tão personagem quanto Bin. "Levados Pelas Marés" mostra a evolução econômica e cultural da China, esse país que crescer estrondosamente ano a ano. Jia expõe como em nome da nação o indivíduo ficou a ver navios e vive desamparado e perdido em meio às transformações ininterruptas sofridas pelo país.
Crítica: LEVADOS PELAS MARÉS (2024) Dir. Jia Zhang-Ke
27) QUERIDO TRÓPICO - Dir. Ana Endara
Comentário: "Querido Trópico" é um ótimo exemplo do cinema feito no Panamá, país que quase não chegam produções por aqui. Que filme humano, disposto a trabalhar as relações com dignidade e respeito. Em um mundo onde os idosos estão cada vez mais isolados, o cuidado e o carinho ainda são armas poderosas. E o que dizer de Paulina García, essa atriz sempre disposta a se aprimorar e nos emocionar.



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