Texto por Marco Fialho O maior desafio de Parque Lezama , novo filme do consagrado diretor argentino Juan José Campanella, é driblar o seu formato original, o teatro. A peça I'm Not Rappaport , de autoria de Herb Gardner, serve de base textual para a adaptação, quase toda encenada em um banco de praça do Parque Lezama, em San Telmo, onde dois senhores de idade estabelecem uma relação ditada por suas solidões e expectativas de vida. A base dramática de Parque Lezama é o poder de fabulação dos personagens, e que às vezes descamba para o humor, o que justifica Campanella escolher dois atores impecáveis para essa empreitada, Eduardo Blanco (Cardozo) faz um personagem mais velho do que sua idade atual, com Campanella tendo que o maquiar para que caiba no papel. Já Luis Brandoni (León), representa um militante comunista que a todo instante reinventa sua vida pela força da imaginação. Evidente que o mais crucial aqui é a sintonia entre esses dois atores extraordinários, que nitidamente s...
Texto* por Marco Fialho * A crítica contém spoilers. Quem acompanha meus textos sabe o quanto eu sou crítico à espetacularização no cinema, em especial o quanto ela veste lindamente os filmes por fora sem se preocupar em mostrar qual essência se pode extrair da imagem retratada, o que resulta quase sempre em obras repletas de beleza, superficialidade e vazio. Normalmente, são os grandes estúdios hollywoodianos que se prestam a tal serviço, numa busca por uma boa bilheteria, alavancada por uma bela e eficaz campanha de marketing. O surpreendente é quando um diretor ou diretora consegue impor um projeto dentro da indústria hollywoodiana que contraria essas normas empresariais que facilitam o superficial. Creio que Maggie Gyllenhaal tenha esse mérito ao realizar A Noiva! , logo em seu segundo longa, uma obra das mais consistentes e belas do nosso cinema contemporâneo, e o melhor, que tenha feito essa proeza dentro da maior e mais influente indústria cinematográfica mundial. Mas já se...