Texto por Marco Fialho Apesar de tratar da carreira de um dos maiores ícones pops da música, Bowie: O Ato Final se dignifica por escolher um viés muito bem delimitado: o de trazer à luz alguns momentos difíceis de sua trajetória. O diretor Jonathan Stiasny mergulha nas fases mais obscuras, se esforçando por entender como David Bowie pensava a arte e extraindo desses momentos elementos que o definam como artista. Talvez seu foco nem seja tanto o da fases em si, mas sim o de captar o modus operandi de Bowie como artista. Mesmo que o formato convencional expositivo dê o tom narrativo de Bowie: O Ato Final , o recorte da direção alavanca esse documentário, por trazer fases menos conhecidas do astro. Se a narrativa é previsível e baseada sobretudo nos depoimentos frontais de músicos e de pessoas que gravitaram em torno de Bowie, a montagem desorganiza o tempo para poder tornar coerente o discurso cinematográfico. De 1983 o filme parte para 1989, depois retrocede para 1967, 1973, ...
Texto por Marco Fialho O título Pai Mãe Irmã Irmão não deixa de ser um ardil que o diretor Jim Jarmusch interpõe no caminho do espectador. Logo que inicia o filme vem o letreiro Pai colocado para que estabeleça uma primeira parte. A seguir, uma nova parte começa e ela se chama Mãe, o que de cara deduzimos que seria um continuidade do outro. Entretanto, em algum momento constatamos que cada "parte" possui uma independência, embora efetivamente exista uma integração e ela ocorre pela temática e por critérios estilísticos, ou se preferirmos por nuances cinematográficas. Assim, Pai se desenha como um primeiro episódio; Mãe como um segundo episódio; e Irmã Irmão como um último episódio, cada qual com seus atores e personagens próprios. Se cada episódio é independente um do outro, o ardil de Jarmusch, que expusemos acima, se evidencia pela temática familiar. O que unifica ou agrega os três episódios é alguma medida de esfacelamento de uma ideia de família burguesa intrínseca a tod...