Texto por Marco Fialho Carl Theodor Dreyer, cineasta dinamarquês e um dos pioneiros da linguagem cinematográfica, mostrou em A Paixão de Joana D'Arc (1928) o quanto um plano, no caso o close-up, pode ser determinante para que o espectador perceba o filme de uma maneira específica. O close-up na obra dinamarquesa em questão salienta a dramaticidade das cenas e nos faz sentir na própria pele a ardência do fogo e as angústias daquela mulher. O resgate da obra de Dreyer me foi despertado durante a projeção de Nós Acreditamos em Vocês , drama francês dirigido a quatro mãos por Charlotte Devillers e Arnauld Dufeys e premiado com uma menção especial de melhor primeiro filme, no Festival de Berlim 2025. Essa premiação se mostra coerente especialmente pela forma como o filme acolhe o plano próximo. O seu uso calculado permite uma dupla função: a de concentrar e a de juntar a emoção do espectador com a da personagem Alice, numa interpretação difícil de Myriem Akheddiou, cujo desafio é criar...
Texto por Marco Fialho Uma das facetas mais relevantes do filme documentário é a da denúncia, o poder que uma obra tem de mexer com a memória coletiva, para que se possa manter acesa a lembrança de um acontecimento. A pandemia do Coronavírus foi um marco para que nos fez enxergar como um país unido em torno de um problema comum, a de um vírus mortal que se alastra rapidamente pela propagação da saliva humana, o que trazia uma necessidade de isolamento social. Anatomia do Caos , documentário dirigido por Dandara Ferreira ( Meu Nome é Gal ), prima pela concisão e precisão ao abordar as investigações da CPI do Coronavírus, que ocorreu no Senado Federal durante o governo genocida de Bolsonaro. Vale ressaltar o quanto ainda é doloroso voltar a esse tema que causou tanto sofrimento para o nosso país. Oficialmente foram mais de 700 mil mortes e um legado de maldade explícita de um governo que brecou todas as possibilidades de contornar o caos sanitário resultante de uma pandemia. Assim, ...