Texto por Marco Fialho "Quando a lenda torna-se fato, publique-se a lenda". Essa conhecida sentença do cineasta John Ford cabe como uma luva para Michael , novo filme de Antoine Fuqua, que ressalta a imagem mitológica do maior astro da indústria fonográfica dos Estados Unidos. Evidente ser essa uma tarefa inglória, ter que lidar com um dos artistas mais arrebatadores em termos de talento da história e também um dos mais polêmicos, em que os fatos sempre nos chegaram enevoados e envoltos de mistérios aparentemente insolúveis. Entretanto, Michael confirma alguns fatos já bastante repisados pela mídia em geral, como o da vilania do pai Joseph, um Colman Domingo que sabe ratificar expressivamente essa vilania, e uma obsessão de Michael Jackson pela aparência, agravada por acidentes e doenças. Não há fatos novos acrescidos pelo filme, apenas o que já foi amplamente noticiado pela imprensa. Desde muito jovem Michael Jackson precisou lidar com a fama e com o perfeccionismo, elemen...
Texto por Marco Fialho Tem filmes que acontecem dentro um tempo delimitado e esse fator determina muito de sua mise-en-scène . É o caso de Seis Dias Naquela Primavera , do diretor francês Joachim Lafosse, que no próprio título já informa a temporalidade que viveremos durante a narrativa do filme. O interessante é que podermos pensar como aqueles seis dias citados se transformarão em 90 minutos, o que se pode deduzir que a maioria desse tempo será de elipse (tempo não extraído na narrativa cinematográfica). Pode parecer que essa nossa primeira observação seja óbvia, mas não é, ainda mais que a narrativa proposta por Lafosse é calcada em uma concepção realista, tanto da encenação quanto do tempo. Sana (interpretada pela competente atriz Eye Haïdara) é uma mulher separada do marido e que cria dois filhos Tom (Teudor Pinero Müller) e Raphael (Leonis Pinero Müller), mas que precisa assumir uma jornada tripla, entre dois empregos e cuidados com os filhos. Eis que chegou sua hora de tira...