Texto por Marco Fialho Em Barba Ensopada de Sangue , o diretor e coroteirista Aly Muritiba, adapta junto com Jessica Candal o best-seller homônimo de Daniel Galera para narrar a história de Gabriel (Gabriel Leone) que busca encontrar-se com o seu passado. Ou seria o filme sobre a Praia de Armação (que no romance é Garopaba) e sua encapsulada, misteriosa e violenta vida pregressa e atual? A direção caminha na linha tênue dessa imprecisão para construir sua narrativa instável. Essa decisão seria fundamental para determinar se o filme pretende se aprofundar na psiquê do personagem ou nas vicissitudes do território abordado. Barba Ensopada de Sangue decide pelos dois caminhos, o que impede que suas potencialidades sejam afloradas, pois ambos trajetos narrativos dariam resultados instigantes. Até acredito que Muritiba sublinhe mais a crise existencial de Gabriel de que nas esquisitices da cultura praieira da Praia da Armação. Aly Muritiba divide seu filme em três part...
Texto por Marco Fialho Ruas da Glória assinala o segundo trabalho de Felipe Sholl como diretor de cinema. Entretanto, em paralelo a esse trabalho como diretor incipiente, Felipe se destaca também como colaborador em roteiros de filmes como Hoje (2011), com Jean-Claude Bernardet e Rubens Rewald; Campo Grande (2015), com Sandra Kogut; M8 - Quando a Morte Socorre a Vida (2018), com Jeferson De; Casa de Antiguidades (2020) com João Paulo Miranda Maria; o premiadíssimo Manas (2024) com Marcelo Grabowsky; e ( Des)controle (2025), com Iafa Britz. Toda essa cancha o fez amadurecer até chegar ao roteiro de Ruas da Glória . Entretanto, um roteiro azeitado não é garantia em si de total êxito, mesmo que ajude consideravelmente o trabalho da direção. E Felipe Sholl demonstra competência na estruturação de sua mise-en-scène , com interpretações consistentes e maduras do elenco, uma câmera inquieta (muitas vezes na mão) que permite ao espectador mergulhar na intimidade e angústias do protagonist...