Texto por Marco Fialho e Carmela Fialho É impossível iniciar a análise de A Fabulosa Máquina do Tempo sem lembrar que a estrutura fabular já está marcada desde o título do filme. Elisa Capai realiza uma obra de transbordante leveza, embora esteja discutindo questões profundas. A diretora a todo instante está a equilibrar sua narrativa em um finíssimo fio tênue entre o documental e a ficção, embora esse desafio de gênero cinematográfico para o espectador seja deveras irrelevante. Logo na primeira cena a fábula sobre a origem do mundo se impõe em meio a uma brincadeira infantil, enquanto ao fundo escutamos um baião, o que demonstra de cara que estamos em uma cidade do nordeste. Na verdade, o filme se passa em Guaribas, um pequeno município do Piauí, escolhido para ser projeto modelo do Bolsa Família. Como realizar um filme com 10 crianças que hoje estão quase na adolescência e fazer isso valorizando o ponto de vista delas? Creio que essa resposta está no filme de Capai, pois a diret...
Texto por Marco Fialho Lírio Ferreira se vale da figura felliniana de Alceu Valença para reconstruir o imenso mosaico que compõe as raízes musicais desse pernambucano nascido na pequena cidade agreste de São Bento de Una. O circo é nitidamente um elemento a acrescentar criatividade à concepção artística de Alceu e está presente em sua obra como algo estrutural em seu trabalho, inclusive em Vivo 76. Mas em Vivo 76 , o que vemos são dois Alceus: um primeiro, que aos 80 anos já possui uma reconhecida carreira enquanto revisita o passado quando ainda sequer supunha onde chegaria como cantor e compositor; o outro Alceu, é um jovem rebelde repleto de uma energia no palco que deixaria atônito até o irrequieto Mick Jagger. Logo no início do filme Lírio Ferreira nos convida a um enigmático passeio bucólico, ao adentrar em uma estreita estrada de chão margeada por uma densa vegetação que leva à casa onde Alceu Valença nasceu. Depois vemos Alceu entrando numa casa grande e antiga com um olhar per...