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A GRADIVA (2026) Dir. Marine Atlan

Texto por Marco Fialho A força de A Gradiva , filme dirigido por Marine Atlan, está em refletir sobre o real significado do aprendizado em nossas vidas. E o mais interessante é que estamos defronte de uma turma escolar, no final do que seria no Brasil o ensino médio, realizando uma viagem de conclusão dessa etapa que também marca simbolicamente o final da adolescência, quando os jovens já estarão ingressando numa universidade para definir uma futura carreira.     Acompanhados por duas professoras, sendo a principal Mercier (Antonia Buresi), que leciona latim, os alunos partem em um trem para conhecer a mitológica Pompéia, em Napoli, momento em que a professora aproveita para dar aulas presenciais sobre um dos grandes mistérios da história, que foi a destruição da cidade depois que o Vesúvio entrou em erupção e a lava varreu o local, matando milhares de pessoas. Assim, morte, erupções (muitas delas sexuais), brigas, discussões sobre luta de classes e futuro formam alguns t...
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A TERCEIRA NOITE (2026) Dir. Daniel Auteuil

Texto por Carmela Fialho e Marco Fialho O filme A Terceira Noite , do diretor e famoso ator francês Daniel Auteuil, é um drama baseado na histórica perseguição aos judeus durante o governo colaboracionista de Vichy, no ano de 1942. A obra aborda a formação de um conselho-consultivo por parte da Prefeitura, que no seu cerne continha pessoas dispostas a salvar os judeus que aguardavam transferência para os campos de concentração nazistas. Esse Conselho foi liderado por Gilbert Lasage (Antoine Reinartz) e contava com outros membros nomeados pela igreja católica, como o Abade Alexandre Glasberg, e por organizações sociais judaicas, como Lily Tager (Luàna Bajrami). Mas nesse Conselho também estava indicado Lucien Marchais, representante do Governo colaboracionista de Vichy.  O interessante de A Terceira Noite  é que os nazistas, que são os grandes vilões dessa história, eles sequer aparecem na imagem, numa artimanha quase macabra do diretor Daniel Auteuil, que também interpreta o ...

A NOIVA DIFÍCIL (2026) Dir. Rubaiyat Hossain

Texto por Carmela Fialho      A Noiva Difícil , dirigido e roteirizado pela cineasta Rubaiyat Hossain, uma das mais influentes e aclamadas de Bangladesh, acompanha a trajetória de Zaineen durante os preparativos do seu casamento. O filme foca nos detalhes ritualísticos dessa preparação na tradição hinduísta, que submete as mulheres a tratamentos de beleza invasivos e cotidianos até o grande dia do casamento. A vigilância dos familiares e serviçais beira a invasão de privacidade da noiva. A obra prioriza os sentimentos e sensações de Zaineen durante o processo que desvaloriza totalmente o seu corpo, a sua pele e os seus cabelos, tentando transformá-la em outra pessoa. A pressão é tamanha que afeta o psicológico da noiva que passa a sofrer de insônia, pesadelos, vícios, isolamento e a ter visões macabras de uma outra noiva que morreu. A diretora Rubaiyat Hossain abusa dos closes, como recurso para enfatizar os detalhes dessa tortura que chamam de tratamento de beleza. Salie...

DIÁRIOS DE NAGI (2026) Dir. Koji Fukada

Texto por Marco Fialho Diários de Nagi, dirigido pelo cineasta japonês Koji Fukada, aborda questões relacionadas aos relacionamentos amorosos numa cidade rural do Japão. A maior sacada do diretor é deslocar as discussões da sexualidade das grandes cidades para um lugarejo que vive essencialmente da pecuária. A narrativa de Diários de Nagi se constrói lentamente, no ritmo da própria cidade de Nagi, com vários personagens dividindo o protagonismo, mesmo que a jovem Yuri (Shizuka Ishibashi) tenha um maior destaque na trama, por ser quem chega de Tóquio, depois de morar em Taiwan, para balançar as estruturas e o cotidiano dos outros personagens. Ela se hospeda na casa de Yoriko (Takako Matsu), sua ex-cunhada solteirona e que foi apaixonada por uma mulher que casou com um amigo. Mas quem dá um tempero a mais na história são dois adolescentes, Haruki (Waku Kawaguchi) e Keita (Kiyora Fujiwara), que possuem uma amizade repleta de intimidade e cumplicidade. Ambos logo se encantam por Yuri, pelo...

O JOGO (2026) Dir. Juan Cabral e Santiago Franco

Texto por Marco Fialho O Jogo , documentário dirigido por Juan Cabral e Santiago Franco, aborda a famosa partida de quartas-de-final da Copa do Mundo de 1986, entre Argentina e Inglaterra, jogada na altitude do Estádio Azteca, no México. O filme tem como proposta compreender os diversos fatos que antecederam esse jogo, tanto os relacionados ao futebol quanto os do extracampo que tornaram esse jogo, mesmo depois de passados quarenta anos, um dos mais comentados e lembrados. Os diretores convidaram os jogadores que ainda estão vivos das duas seleções, para dar depoimentos sobre aquele emocionante jogo. Essas imagens são registradas em um curioso P&B, o que sugere que ouviremos relatos voltados àquela determinada época. Mas Juan Cabral e Santiago Franco não se contentaram com essas falas, eles também fazem uma excelente pesquisa histórica para fundamentar os depoimentos dos jogadores, com imagens de arquivo que muito valorizam o documentário. É interessante como  O Jogo não fica d...

COBERTURA CINEFIALHO FESTIVAL DO RIO 2026

Críticas do CINEFIALHO dos filmes vistos no Festival do Rio 2026 A BOLA PRETA Dir. Javier Calvo e Javier Ambrossi Crítica:   A BOLA PRETA (2026) Dir. Javier Calvo e Javier Ambrossi CONTOS PARALELOS Dir. Asghar Farhadi Crítica:  CONTOS PARALELOS (2026) Dir. Asghar Farhadi A GRADIVA Dir. Marine Atlan Crítica:  A GRADIVA (2026) Dir. Marine Atlan   CARTAS AMARELAS Dir. Ilker Çatak Crítica:  CARTAS AMARELAS (2026) Dir. Ilker Çatak SOUMSOUM, A NOITE DAS ESTRELAS Dir. Mahamat-Saleh Haroun Crítica:  SOUMSOUM, A NOITE DAS ESTRELAS (2026) Dir. Mahamat-Saleh Haroun A TERCEIRA NOITE Dir. Daniel Auteiul Crítica:  A TERCEIRA NOITE (2026) Dir. Daniel Auteuil ROSE  Dir. Markus Schleinzer Crítica:  ROSE (2026) Dir. Markus Schleinzer O JOGO Dir. Juan Cabral e Santiago Franco Crítica:  O JOGO (2026) Dir. Juan Cabral e Santiago Franco A NOIVA DIFÍCIL  Dir. Rubaiyat Hossain Crítica: em breve  DIÁRIOS DE NAGI Dir. Koji Fukada Crítica:  DIÁRIOS ...

O CINEMA POSSÍVEL (2026) Dir. Luiz Carlos Lacerda

Texto por Marco Fialho Se tem alguém que atua no cinema aqui no Rio de Janeiro e que merece ter a sua história contada, esse é Cavi Borges. O diretor Luiz Carlos Lacerda, o Bigode, percebeu a injustiça desse silêncio e procurou preencher essa absurda lacuna com O Cinema Possível , que também poderia tranquilamente se chamar O Cinema Impossível, pois o que a trajetória de Cavi escancara é a incrível superação de filmar tantos filmes com baixíssimo orçamento. E Bigode se sai muito bem ao levar para o público a história de um judoca que virou maior nome do cinema carioca, a pessoa mais comprometida com a essência do cinema, uma atividade em que a ideia do coletivo, do agregamento serve de base para o exercício do próprio ofício. Bigode acerta ao enfocar como maior característica de Cavi Borges, o espírito solidário, de ajudar a todos que o procuram no dia a dia. Bigode foge do didatismo óbvio de uma cronologia vazia e opta por mesclar as diferentes fases da vida de Cavi Borges como a atua...

HELENA! CINEMA! (2025) Dir. Cavi Borges e Christian Caselli

Texto por Marco Fialho Helena! Cinema! é um tributo à obra e a personalidade da artista genial que é Helena Ignez. Os diretores Cavi Borges e Christian Caselli partem de uma entrevista para organizarem um painel afetivo sobre essa mulher revolucionária e intensa, que vive o cinema e as artes de corpo e alma desde muito cedo. Cavi e Caselli mesclam a entrevista, realizada ainda durante o Governo Bolsonaro, com imagens de Helena Ignez em vários momentos diferentes da carreira tendo a voz magnética de Patrícia Niedermeier em um texto poeticamente calculado e certeiro, daqueles que atingem o cerne da beleza da artista múltipla e original. Conforme o título evoca, cinema rima com Helena, e essa combinação está para além das coincidências linguísticas, ela é muito mais, é essência. Como pensar Helena! Cinema! sem os dois pontos de exclamações que o título carrega. Ambas palavras trabalham assertivamente a ideia desse documentário que mistura o informativo ao poético. É a própria Helena Ignez...

ROSEBUSH PRUNING (2025) Dir. Karim Aïnouz

Texto por Marco Fialho Um filme dirigido por Karim Aïnouz sempre atraia atenções, afinal, o diretor realizou obras significativas de nosso cinema como Madame Satã (2002),  O Céu de Suely (2006) e mais recentemente  Motel Destino (2024), mas sua guinada internacional ainda não emplacou. Rosebush Pruning  seu mais novo trabalho é para lá de mediano, mesmo que o elenco estelar possa sugerir algo diferente. O mais espantoso é saber que esse é um projeto livremente inspirado no clássico De Punhos Cerrados (1965), do prestigiado diretor italiano Marco Bellocchio. Rosebush Pruning aborda uma família disfuncional, tomada por incestos e outras esquisitices, mas não são esses elementos morais que enfraquecem o filme, mas a falta de um roteiro criativo e personagens mais solidificados dramaturgicamente. Parece mais Yorgos Lanthimos do que Karim Aïnouz, em que a sátira grotesca sustenta mais a encenação do que a própria crítica social. O amor de sangue é levado a um extremo doentio, ...

LITERALMENTE NU (2025) Dir. Muriel d'Ansembourg

Texto por Marco Fialho Se tem um tema que o cinema costuma fugir é o do filme adulto (também chamado de pornô) e sua indústria. A diretora holandesa Muriel d'Ansembourg, que também é responsável pelo roteiro, encara com coragem esse difícil tabu e se sai muito bem, em especial por construir personagens que transitam por esse universo tão cercado de questões morais. O mérito de Muriel é criar personagens que em algum momento se defrontam com o mundo proibido do chamado filme adulto, muito embora nunca haja um maior aprofundamento sobre o tema, em especial algo que reflita a relação industrial e capitalista do corpo feminino dentro de uma ótica essencialmente masculinizada e patriarcal.    A trama se encaminha a partir da experiência de Alec (Caolán O'Gorman), um jovem que trabalha como cameraman para Dylan (Andrew Howard), seu pai, um veterano ator do filme adulto. O filme explora as experiências dele com Nina (Safiya Benaddi), uma colega da escola com quem precisa fazer um tra...