Texto por Marco Fialho Conhecido pela sua narrativa sempre repleta de peripécias, O Estrangeiro é sem dúvida o filme mais seco de François Ozon, talvez por ser baseado no livro do existencialista francês Albert Camus, que se sustenta por uma severa austeridade narrativa. É muito interessante como Ozon demonstra admiração pelo livro e respeita por demais a história e o tom quase sem emoção que Camus impõe à obra. Mas Ozon subverte o livro pela montagem, embaralhando a ordem cronológica de Camus e impondo uma abordagem em terceira pessoa, diferente do livro que opta pela primeira pessoa. A escolha por uma fotografia em P&B também confere um sabor diferente ao filme, uma crueza que o uso do colorido talvez amenizasse, uma maneira encontrada por Ozon para salientar a dureza que as palavras conferem ao livro e que as imagens coloridas poderiam amenizar. Mas é estranho ver François Ozon realizando uma versão mais clean para um filme seu, pois é sabido o quanto o diretor...
Texto por Marco Fialho e Carmela Fialho Vivian Ostrovsky é conhecida por seus trabalhos como curta-metragista experimental, filmes como Copacabana Beach (1983), Idas e Vindas (1984), U. S. S. A.. (1985) e tantos outros produzidos entre os anos 1980 e os nossos dias. Portanto, Elizabeth Bishop: Do Brasil, Com Amor chega como uma surpresa por se tratar de um documentário de longa-metragem sobre a famosa poeta norte-americana e sua passagem longeva pelo Brasil, e mais especificamente pela Zona Sul do Rio de Janeiro e Petrópolis. Essa passagem pelo Brasil se alongou sobretudo pelo envolvimento de Elizabeth com a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares. A diretora prioriza as cartas pessoais, trocadas com amigas de seu país de origem, onde Bishop relata suas impressões sobre o Brasil, principalmente Rio de Janeiro, Ouro Preto e Petrópolis, esse último lugar onde viveu com Lota em meio a natureza e conseguiu retomar a sua produção literária. A diretora Vivian Ostrovsky assume a funçã...