Texto por Marco Fialho O documentário Anistia 79 remexe em memórias abissais da resistência política no período da ditadura militar brasileira (1964-85). A diretora Anita Leandro, que é professora de história na UFRJ, traz à tona um achado, um documento de 1979, da Conferência Internacional pela Anistia no Brasil, em Roma, mas o resgata em forma de um encontro tocante entre esse passado registrado pelas imagens realizadas por Hamilton Lopes dos Santos e Dirceu Greco Monteiro com o presente, com ativistas remanescentes do evento em 1979 revendo e reagindo a momentos tão cruciais para a democracia brasileira. Anistia 79 joga com esse choque temporal de quase 50 anos, de quem lutou por uma sociedade mais igualitária e viveu as incertezas de saber se estaria vivo ou morto no dia seguinte, que travou uma batalha na clandestinidade e viu parentes sendo presos, torturados e mortos pelo regime ditatorial vigente. É emocionante assistir aos personagens de antes interagindo com a...
Texto por Marco Fialho Em tempos em que as ideias e práticas fascistas se mostram presentes é fundamental falar e discutir o período de exceção política da ditadura militar brasileira (1964-85). O documentário Honestino , dirigido por Aurélio Michiles, é mais um bom exemplo de filmes que trazem à luz uma temática tão atual de como seria o país com a volta dos militares ao poder. Logo nas primeiras cenas vem à tona o tema da memória, com o discurso do neto de Honestino Guimarães, que jamais pode o conhecer o avô, e logo a seguir vemos o menino fuçando fotos e materiais que são as únicos elos que o conecta à história fervilhante de um homem que foi líder estudantil e não pode concluir o curso de geólogo na UNB (Universidade de Brasília). É sempre interessante poder promover esse diálogo entre presente e passado, entre memória e presente, especialmente nesses tempos em que alguns lunáticos pedem a volta da ditadura em nosso país. Aurélio Michiles resgata o passado de luta de Honestin...