Texto por Marco Fialho Um dos motes mais recorrentes do cinema europeu dos últimos tempos é a exploração de casos de doenças terminais ou de deficiências a serem superadas. Se fossemos citar, a lista seria imensa. Três Vezes Adeus , produção ítalo-espanhola da diretora espanhola Isabel Coixet - A Vida Secreta das Palavras (2005) e Minha Vida Sem Mim (2003) - vem engrossar a fileira de filmes com esse viés, o que não é nenhuma novidade, basta observar as sinopses dos seus dois filmes acima. Normalmente, essas são obras inspiradas por famosos romances, os chamados best sellers , obras que venderam milhões de exemplares e contemplam o gosto de um certo público afeito a receber histórias duras contadas de maneira amena. Aqui, logo após uma separação amorosa, Marta (Alba Rohrwacher), uma professora de educação física do ensino médio, depara-se com um anúncio terrível e irreversível: sua vida está condenada por um diagnóstico de uma doença terminal. Se a sua vid...
Texto por Marco Fialho Depois de alguns prêmios acumulados no currículo (em especial, no 58 º Festival de Brasília), Morte e Vida Madalena , dirigido por Guto Parente, estreia no circuito brasileiro. O filme inicia com Madalena (Noá Bonoba), vivendo o luto do pai (Carlos Francisco), um cineasta que está com um projeto pronto para filmar quando a morte o abraça inesperadamente. Morte e Vida Madalena começa então com uma crise instalada. Como concluir o filme sem a presença do diretor? Para complicar tudo, Madalena está grávida de 8 meses e como produtora do projeto cinematográfico do pai precisa arrumar alguém que aceite a tarefa de dirigir o roteiro escrito por ele, uma ficção científica meio antiquada e que beira o trash . Para início de conversa, não considero Morte e Vida Madalena das obras mais inspiradas de Guto Parente. Outros trabalhos dele me seduzem mais, em especial o extraordinário Inferninho (2018) em codireção com Pedro Diógenes; o surpre...