Texto por Marco Fialho Preciso começar esse texto com um relato pessoal. Quando o Zico começou a jogar no profissional do Flamengo, em 1974, eu tinha 9 anos, idade que comecei a jogar bola na escola e na rua. Eu morava ao lado do Maracanã e assistia a quase todos os jogos do Flamengo. Por isso, quem me conhece sabe das minhas duas maiores paixões, o futebol e o cinema. Ainda hoje, com 60 anos de idade, jogo futebol todo o domingo e faço isso como uma homenagem a Zico, para mim o maior jogador depois de Pelé. Escrevo essas palavras preliminares para situar a todos sobre o meu comprometimento emocional perante o tema. Acredito que a minha experiência de 40 anos no cinema permita que eu consiga refletir acerca do documentário Zico, O Samurai de Quintino , dirigido por João Wainer. Lá pelo meio da projeção do filme comecei a me indagar de qual era o mote principal da proposta de João Wainer e confesso que fiquei confuso, pois não consegui identificar a intenção da direção. Evide...
ESPECIAL GIALLO COM OS FILMES SEIS MULHERES PARA O ASSASSINO (1964), TENEBRE (1982), UMA LAGARTIXA NUM CORPO DE MULHER (1971) E NO QUARTO ESCURO DE SATÃ (1972)
Texto por Marco Fialho Giallo , um terror à italiana Esse texto foi realizado para uma mostra temática em homenagem ao Terror Giallo, nas Unidades do Sesc em todo o Brasil, em 2018 e 2019. A sedução exercida pela imagem é algo que muitos pensadores vem tentando compreender melhor. Mas quando essa sedução é permeada pela violência, a questão se torna um pouco mais complexa e nos faz indagar sobre o papel da imagem em nosso mundo contemporâneo. O terror é a vertente que mais se defronta com essa questão, e é no giallo , faceta italiana desse subgênero do terror, que talvez deixe mais evidente a relação entre violência, imagem estilizada e bela. É sempre importante relativizar o que representa socialmente uma imagem. Ela não pode ser analisada simplesmente como uma verdade pronta e acabada. Uma imagem sem contexto descamba inevitavelmente para o blefe. Por isso, contextualizar, analisar, criticar e relativizar são atos necessários para a compreensão mais complexa ace...