Texto por Marco Fialho As Cores do Tempo , novo trabalho do diretor francês Cédric Klapisch, trata de um encontro temporal de uma mesma família. De repente, o rústico final do século XIX se encontra com o tecnológico mundo digital do século XXI, numa tentativa de criar um diálogo entre essas duas temporalidades tão díspares. Klapisch é conhecido por se afeiçoar a um cinema popular, caso marcante do sucesso Albergue Espanhol (2002), e aqui nesse, ele se esmera por realizar algo leve, muito bem filmado e interpretado, mas fugindo de importantes discussões expostas pela trama, como os projetos megalomaníacos típicos do capitalismo corporativista de hoje. Apesar de suas limitações e de fazer a opção pelo superficial, Klapisch capricha na produção, no acabamento imagético e em personagens jovens carismáticos. Infelizmente, o melhor personagem de As Cores do Tempo , interpretado por Vincent Macaigne, tem a sua força reduzida, sendo relegado a ser um mero coadjuvante, logo ele, o...
Texto por Marco Fialho As Aves , filme português dirigido por Pedro Magano, se conforma como uma obra com forte viés filosófico, baseado em dois escritos diferentes: um deles, o conto A Morte, o Tempo e o Velho , de Mia Couto; e outro, o livro As Aves , vindo da distante Grécia Antiga, escrito por Aristófanes. O filme parte de uma ideia de que vivemos à espera da morte, e que somente a imortalidade nos livraria de prisão absurda que é o nosso cotidiano miserável e repetitivo. Assim vive um velho homem, que sombriamente habita uma região inóspita cercado por um rio que o mantem preso a sua pequena e humilde casa. Sua fonte de alimentação são as aves que mata ou um peixe, cada vez mais raro de ser pescado. Pedro Mangano constrói a narrativa de As Aves sem pressa, repetindo ad aeternum ações de seu personagem, que só tem uma Cacatua presa numa gaiola para quem pode dirigir suas palavras de reflexão e indignação ao mundo. De certo modo, essa ave representa a própria prisã...