Texto por Marco Fialho Ruas da Glória assinala o segundo trabalho de Felipe Sholl como diretor de cinema. Entretanto, em paralelo a esse trabalho como diretor incipiente, Felipe se destaca também como colaborador em roteiros de filmes como Hoje (2011), com Jean-Claude Bernardet e Rubens Rewald; Campo Grande (2015), com Sandra Kogut; M8 - Quando a Morte Socorre a Vida (2018), com Jeferson De; Casa de Antiguidades (2020) com João Paulo Miranda Maria; o premiadíssimo Manas (2024) com Marcelo Grabowsky; e ( Des)controle (2025), com Iafa Britz. Toda essa cancha o fez amadurecer até chegar ao roteiro de Ruas da Glória . Entretanto, um roteiro azeitado não é garantia em si de total êxito, mesmo que ajude consideravelmente o trabalho da direção. E Felipe Sholl demonstra competência na estruturação de sua mise-en-scène , com interpretações consistentes e maduras do elenco, uma câmera inquieta (muitas vezes na mão) que permite ao espectador mergulhar na intimidade e angústias do protagonist...
Texto por Marco Fialho Dá sempre um frio na barriga quando temos pela frente um filme sobre o nazismo que transcorre durante a segunda guerra mundial, ainda mais depois das incontáveis histórias já contadas sobre o tema no cinema. Então, o desafio primeiro é saber qual história veremos e se ela acrescentará algo ao que já sabemos. Nesse ponto, Verdade e Traição traz para o espectador uma história verídica desconhecida, a de um grupo de 4 amigos alemães que entram em conflito com o regime nazista. O filme parte de uma história verídica, tendo Helmuth Hübener (Ewan Horrocks) como um adolescente muito inteligente, capaz de escrever com facilidade sobre temas históricos e políticos. A época em que a trama se desenvolve é o auge do regime nazista, quando a perseguição aos judeus chega a um nível intolerável. O que desperta a ira de Helmulth é a prisão arbitrária do seu amigo Salomon (Nye Occomore) e que leva o rapaz a denunciar em panfletos os abusos, o autoritarismo e a violência dos ...