Texto por Marco Fialho Depois de alguns prêmios acumulados no currículo (em especial, no 58 º Festival de Brasília), Morte e Vida Madalena , dirigido por Guto Parente, estreia no circuito brasileiro. O filme inicia com Madalena (Noá Bonoba), vivendo o luto do pai (Carlos Francisco), um cineasta que está com um projeto pronto para filmar quando a morte o abraça inesperadamente. Morte e Vida Madalena começa então com uma crise instalada. Como concluir o filme sem a presença do diretor? Para complicar tudo, Madalena está grávida de 8 meses e como produtora do projeto cinematográfico do pai precisa arrumar alguém que aceite a tarefa de dirigir o roteiro escrito por ele, uma ficção científica meio antiquada e que beira o trash . Para início de conversa, não considero Morte e Vida Madalena das obras mais inspiradas de Guto Parente. Outros trabalhos dele me seduzem mais, em especial o extraordinário Inferninho (2018) em codireção com Pedro Diógenes; o surpre...
Texto por Marco Fialho Tradicionalmente, o filme documentário trabalha com uma perspectiva de memória, e com isso, se abre uma janela potente tanto para se repensar o passado quanto para registrar algo no presente que se tornará memória daqui a alguns dias, meses ou anos. Gonzaguinha, da Maior Liberdade , dirigido pela cineasta Susanna Lira, mergulha na pessoa e nas ideias de rebeldia e luta do compositor Luiz Gonzaga Jr., filho do rei do baião e um dos artistas que povoou a imaginação e desejos de milhares de pessoas nos anos 1970 e 1980, com canções que traduziam ideias de uma geração que lutou contra a ditadura militar no Brasil (1964-85). O grande acerto de Lira é o de não tentar inventariar a história do compositor ou de suas fases artísticas. O que a diretora almeja é captar a essência de Gonzaguinha por meio de suas ideias e como as composições expressaram a sua visão de mundo. Outro mérito é o de não apelar para depoimentos de terceiros para se criar uma valorização...