Texto por Marco Fialho Como é notável ver um diretor consagrado, como Ruy Guerra, com 93 anos dirigir um filme tão jovem em frescor e pulsação como é A Fúria , mesmo que a direção seja dividida com Luciana Mazzotti. Que vigor, emana de cada quadro filmado por essa obra absolutamente genial. Impressionante como tudo que ecoa na tela é tão demolidoramente brasileiro. Ali está a nossa história e também a de Ruy Guerra, lembrando que aqui ele fecha a trilogia iniciada em Os Fuzis (1964), um dos maiores filmes do cinema brasileiro e continuada em A Queda (1976), que dividiu a direção com Nelson Xavier. O roteiro maravilhoso é de Pedro Freire e Leandro Saraiva, tendo sido finalizado pela própria direção. Os dois filmes ( Os Fuzis e A Queda ) invadem A Fúria , tal como um documentário, eles interagem com a narrativa de A Fúria e com os corpos de alguns personagens, como Mario (antes Nelson Xavier e agora Ricardo Blat). Mas o que seria de A Fúria sem a excepcional conc...
Texto por Marco Fialho Qual a relação da política em nossas vidas? Raramente nos perguntamos isso, embora esse peso seja mais efetivo do imaginamos em nosso cotidiano. A Sombra do Meu Pai , produção inglesa dirigida pelo diretor nigeriano Akinola Davies Jr., aprofunda essa interação de uma maneira sensível, tendo duas crianças como importantes alicerces narrativos, o que confere ludicidade e maior carga emotiva ao filme. Essas crianças são dois irmãos nigerianos, Olaremi (Chibuike Marvellous Egbo), de 11 anos e Akinola (Godwin Egbo) de 8 anos, que vivem com seus pais numa região afastada do Centro e raramente veem o pai Folarin (Sopé Dirísù), um homem de pouco estudo, precisa ir buscar o sustento da família na agitada Capital Lagos. A política está a todo instante como um pano de fundo na trama, seja por manchetes de jornais impressos, nos noticiários da TV ou nas ruas de Lagos, com discussões sobre a eleição e com grupos militares carrancudos desfilando com seus carros do exércit...