Texto por Marco Fialho O documentário Toquinho - Encontros e um Violão , dirigido por Erica Bernardini, opta por uma abordagem mais afetiva do que biográfica do famoso compositor paulista. Os momentos tanto da infância quanto da carreira profissional em si são narrados pelo próprio Toquinho ou por familiares e amigos. Esse é um traço fundamental do filme, proporcionar um mergulho no talento do artista como compositor e instrumentista. Erica Bernardini constrói sobre Toquinho uma visão muito próxima, calcada pelos depoimentos do irmão João e de artistas próximos a ele, como Carlinhos Vergueiro, Pedro Bial, Ornella Vanoni, Andreas Kisser, Jane Duboc, Eduardo Gudin, Roberto Rivellino, Amilson Godoy, entre outros. Há uma primazia dos depoimentos filmados na atualidade, enquanto o material de arquivo é usado pontualmente em algumas situações, especialmente na fase áurea do artista, quando firmou parceria com Vinícius de Moraes, um dos maiores poetas brasileiros e famoso por letrar músi...
Texto por Marco Fialho Carl Theodor Dreyer, cineasta dinamarquês e um dos pioneiros da linguagem cinematográfica, mostrou em A Paixão de Joana D'Arc (1928) o quanto um plano, no caso o close-up, pode ser determinante para que o espectador perceba o filme de uma maneira específica. O close-up na obra dinamarquesa em questão salienta a dramaticidade das cenas e nos faz sentir na própria pele a ardência do fogo e as angústias daquela mulher. O resgate da obra de Dreyer me foi despertado durante a projeção de Nós Acreditamos em Vocês , drama francês dirigido a quatro mãos por Charlotte Devillers e Arnauld Dufeys e premiado com uma menção especial de melhor primeiro filme, no Festival de Berlim 2025. Essa premiação se mostra coerente especialmente pela forma como o filme acolhe o plano próximo. O seu uso calculado permite uma dupla função: a de concentrar e a de juntar a emoção do espectador com a da personagem Alice, numa interpretação difícil de Myriem Akheddiou, cujo desafio é criar...