Texto por Marco Fialho e Carmela Fialho Embora o filme Fanon , dirigido por Jean-Claude Barny, seja narrado cronologicamente e apresentado dentro de uma linearidade e de uma narrativa clássica, a força da encenação serve como uma escora vigorosa para que a sua fluência e contundência permita que o personagem de Frantz Fanon seja arrebatador da primeira à última cena, isso tanto para o bem quanto para o mal. Os méritos e os problemas de Jean-Claude Barny começam na escolha do elenco, Alexandre Bouyer está imponente com Fanon e Déborah François está incrivelmente forte como Josie Fanon, a esposa branca e esquerdista que apoiou Frantz até o fim. Ainda assim, cabe questionar a escolha tanto do ator quanto da atriz, por ambos possuírem corpos em um padrão estético mais para as exigências do século 21 do que do século 20. O Fanon cinematográfico é bem mais atlético do que o original (e isso é muito visível nas cenas em que seu corpo é mostrado nu) e o mesmo vale para a escolha de Débora...
Texto por Marco Fialho A primeira imagem de Nino de Sexta a Segunda , diz muto sobre o que veremos no restante do filme. O protagonista Nino é visto apenas parcialmente na tela enquanto fala com uma atendente em um hospital, e com isso, a diretora estreante em longas Pauline Loquès salienta a personalidade de Nino e o desafio do próprio filme de desvelar esse personagem em franco processo de autoconhecimento ao descobrir que sofre de uma grave doença. A interpretação de Théodore Pellerin como Nino é extraordinária e lhe valeu um prêmio de ator revelação no César, conhecido como o Oscar do cinema francês, além de angariar um prêmio semelhante no prestigioso Festival de Cannes de 2025. Outro prêmio recebido por Nino de Sexta a Segunda foi o de Melhor Primeiro Filme de um(a) diretor(a), também no César. Como Nino é um personagem em busca de si mesmo, a diretora mostra os três dias dele antes do início do tratamento e essa peregrinação é colaborada pelo fato do rapaz ter p...