Texto por Marco Fialho Tem filmes que acontecem dentro um tempo delimitado e esse fator determina muito de sua mise-en-scène . É o caso de Seis Dias Naquela Primavera , do diretor francês Joachim Lafosse, que no próprio título já informa a temporalidade que viveremos durante a narrativa do filme. O interessante é que podermos pensar como aqueles seis dias citados se transformarão em 90 minutos, o que se pode deduzir que a maioria desse tempo será de elipse (tempo não extraído na narrativa cinematográfica). Pode parecer que essa nossa primeira observação seja óbvia, mas não é, ainda mais que a narrativa proposta por Lafosse é calcada em uma concepção realista, tanto da encenação quanto do tempo. Sana (interpretada pela competente atriz Eye Haïdara) é uma mulher separada do marido e que cria dois filhos Tom (Teudor Pinero Müller) e Raphael (Leonis Pinero Müller), mas que precisa assumir uma jornada tripla, entre dois empregos e cuidados com os filhos. Eis que chegou sua hora de tira...
Texto por Marco Fialho A palavra central de Erupcja é conexão, ou a falta dela, porque às vezes para ocorrer uma conexão é necessário contraditoriamente haver uma desconexão. O filme possui rompantes de ousadias narrativas, embora esses aspectos não passem de maneirismos sem maiores efeitos no que é narrado. A história nasce numa viagem do casal inglês Bethany (a cantora Charli XCX) e Rob (Will Maddden) a Varsóvia, com o acontecimento de surpresas que abalará essa relação amorosa. Varsóvia é apresentada como uma cidade ideal para o amor, uma espécie de Paris do leste europeu e a cidade espiritualmente é representada por Nel (Lena Gora), uma florista lésbica que possui uma relação instável com Ula (Agata Trzebuchowska) uma quase namorada, com quem tem idas e voltas regulares, e que trava amizade com Claude (Jeremy O. Harris), um artista plástico festeiro e volteado de vários amigos. No meio de tudo isso tem uma erupção do vulcão Etna na Itália, um fenômeno natural que alterará os e...