Texto por Marco Fialho O Despertar de Lilith parte de uma adaptação contemporânea da mitologia de Lilith, uma enigmática personagem que foi mulher de Adão antes de Eva, mas não se submeteu a ideia de inferioridade, e se manda do paraíso para se tornar uma figura demoníaca. Recentemente, foi ressignificada como símbolo de liberdade e resistência feminista contra o patriarcado. O filme integra a seleção da Mostra Mestras do Macabro, no CCBB. O filme narra a história de Lucy (Sophia Woodward), uma jovem que vive oprimida em uma rotina insuportável, entre a vida com o insosso marido Jonathan (Sam Garles); o trabalho na loja de conveniência de um posto de gasolina, cujo pai é o chefe e trabalha numa oficina mecânica nos fundos da loja; e ainda precisa aturar o assédio do mecânico Arthur (Matthew Lloyd Wilcox), que tenta estuprá-la. A narrativa da diretora Monica Demes se constrói lentamente, em um límpido P&B. O clima opressor é ditado por cenas com poucos diálogos e um clima sonor...
Texto por Marco Fialho Como é notável ver um diretor consagrado, como Ruy Guerra, com 93 anos dirigir um filme tão jovem em frescor e pulsação como é A Fúria , mesmo que a direção seja dividida com Luciana Mazzotti. Que vigor, emana de cada quadro filmado por essa obra absolutamente genial. Impressionante como tudo que ecoa na tela é tão demolidoramente brasileiro. Ali está a nossa história e também a de Ruy Guerra, lembrando que aqui ele fecha a trilogia iniciada em Os Fuzis (1964), um dos maiores filmes do cinema brasileiro e continuada em A Queda (1976), que dividiu a direção com Nelson Xavier. O roteiro maravilhoso é de Pedro Freire e Leandro Saraiva, tendo sido finalizado pela própria direção. Os dois filmes ( Os Fuzis e A Queda ) invadem A Fúria , tal como um documentário, eles interagem com a narrativa de A Fúria e com os corpos de alguns personagens, como Mario (antes Nelson Xavier e agora Ricardo Blat). Mas o que seria de A Fúria sem a excepcional conc...