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OS MODERNOS (2016) Dir. Mauro Sarser e Marcela Matta

Texto por Marco Fialho "Os Modernos" , filme dirigido pela dupla Mauro Sarser e Marcela Matta ( Morto com Glória ) e inserido na Mostra "Cine Uruguai - Novos Horizontes" na Caixa Cultural RJ aborda a vida amorosa e profissional de um grupo de jovens adultos de classe média, numa Montevidéu intensa e urbana. É interessante ver esse Uruguai do agito, das noitadas, imerso nas relações amorosas mais fluidas.  Clara (Noelia Campo) e Fausto (Mauro Sarser) formam o casal em crise, ela quer ter um filho enquanto ele quer passar longe dessa ideia. Entre idas e vindas, o casal experimentam novas experiências, entre o trisal, uma relação lésbica e uma nova relação para Fausto com Fernanda (Marie HélèneWyaux), uma mulher uruguaia que trabalha em Buenos Aires. No meio do caminho entra na trama Ana (Stefania Tortorella), uma mulher lésbica com uma relação em crise e que se aproxima de Clara.  "Os Modernos" centra muito de sua narrativa em torno de Fausto, um homem jovem...
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AGARRA-ME FORTE (2024) Dir. Ana Guevara e Leticia Jorge Romero

Texto por Marco Fialho Se tem algo que nos dar prazer e felicidade no cinema é sentir o frescor vindo de um filme. Foi o caso de "Agarra-me Forte" , dirigido pela dupla Ana Guevara e Leticia Jorge Romero, que abriu a 2ª Mostra Cine Uruguai - Novos Horizontes, na Caixa Cultural RJ. Essa é uma verdadeira pérola uruguaia, uma aventura nas profundezas do viver.  O que mais chama a atenção é a virada de chave que o filme dá. As primeiras cenas, que compõem a primeira sequência de "Agarre-me Forte" é dilacerante. Nelas vemos um velório, o de Elena ou Ele para as amigas, uma mulher jovem, e nos consternamos com as reações de profundo choque pela sua inesperada morte. Os personagens assim são apresentados, embora ainda sem entendermos muito sobre eles e isso é que é fantástico, pois haverá o momento propício para isso.  Com extrema sensibilidade, o roteiro de Ana Guevara e Leticia Jorge Romero encaminha a história pelo encantamento da fantasia e da saudade. Ao sair do velór...

FATTORUSO (2017) Dir. Santiago Bednarik

Texto por Marco Fialho Quem acompanha a música brasileira com mais atenção, prestando atenção aos detalhes das fichas técnicas dos discos lançados, já leu diversas vezes o nome do músico uruguaio Hugo Fattoruso, isso porque nos anos 1980 o músico gravou com os maiores nomes da MPB, como Milton Nascimento, Djavan, João Bosco, Geraldo Azevedo e Chico Buarque.  Mas o documentário  "Fattoruso" , dirigido por Santiago Bednarik, em exibição na Mostra Cine Uruguai - Novos Horizontes, na Caixa Cultural RJ, não é só sobre a participação do músico uruguaio aqui no Brasil. O filme se propõe a dar um painel amplo desse artista diverso, que ama a música e por isso não se entrega a um só estilo, passeando pelos ritmos uruguaios como o candombe, mas outros estrangeiros como o jazz, o samba, o rock, e muitas vezes a mistura de vários dele. Essa é a perspectiva mais incrível de "Fattoruso" , a de mostrar a riqueza da música de Hugo Fattoruso e a versatilidade do seu som. Ver Hugo Fa...

MOSTRA CINE URUGUAI - NOVOS HORIZONTES (PROGRAMAÇÃO E COBERTURA)

Aqui você encontra os detalhes sobre a "Mostra Cine Uruguai - Novos Horizontes", que ocorrerá na Caixa Cultural RJ, na rua do Passeio, 38, Centro, além da programação completa e a cobertura do CineFialho. No total serão exibidos 16 longas e 5 curtas contemporâneos, além de masterclass com cineasta uruguaia e bate-papos com diretores e críticos. A mostra revela a diversidade do cinema contemporâneo uruguaio, com a exibição de vários gêneros como comédia, drama, documentários sobre política, arte e cultura. O melhor de tudo é ter acesso a um cinema que apesar de vizinho territorialmente é pouquíssimo conhecido do brasileiros.  Período da mostra: 20/10 a 01/11/2026 Programação completa no link: https://www.caixacultural.gov.br/Paginas/Programacao.aspx?idEvento=5024 Na abertura, no dia 20 de outubro, terça-feira, haverá a sessão com o filme “Agarra-me Forte”, de Ana Guevara Pose e Leticia Jorge Romero, às 17h, uma sessão inclusiva, com legendas descritivas. A programação continua...

MORTO COM GLÓRIA (2021) Dir. Marcela Matta e Mauro Sarser

Texto por Marco Fialho e Carmela Fialho  O filme "Morto com Glória" , com direção de Marcela Matta e Mauro Sarser (que também assina o roteiro) é uma comédia romântica atípica. A personagem Glória interpretada por Stefanía Tortorella é uma jovem com pretensões intelectuais e trabalha em uma tradicional e renomada livraria no centro histórico de Montevidéu.  Glória tem um problema sério de insônia devido aos barulhos constantes que escuta pelas madrugadas dos vizinhos de cima do seu apartamento, um casal que faz sexo todas as noites, lançando gemidos acima da média. Devido a esse incômodo diário, Glória resolve alugar o seu apartamento e se muda para uma casa vazia de um parente do namorado de sua melhor amiga e também colega de trabalho. A mudança de casa traz surpresas inesperadas, para não dizer inusitadas, para o cotidiano de Glória, que nunca teve um orgasmo. Na casa, coisas sobrenaturais ocorrem, como o encontro dela com o fantasma de Dante, o antigo morador, que mor...

MESTRE ZU (2026) Dir. Zelito Viana

Texto por Marco Fialho É sempre louvável assistir documentários sobre personalidades que são exemplares em seu ramo de atuação, além de talentosos. É o caso do jornalista Zuenir Ventura, no filme "Mestre Zu" , dirigido pelo proeminente cineasta Zelito Viana, em codireção com Luciana Savaget. O documentário até aborda fatos antigos da vida de Zuenir Ventura, embora os diretores não se apeguem tanto a eles, preferindo focar mais nos depoimentos de diversos amigos, a maioria igualmente jornalistas, que compartilham seus aprendizados e as rotinas com o experiente e competente profissional. Inclusive, o filme se inicia com uma inusitada discussão entre a direção e os convidados sobre qual abordagem fazer em relação ao escritor homenageado.  Fundamentalmente, é possível argumentar o seguinte: que "Mestre Zu" mais do que um mero documentário, é sobretudo uma homenagem. Isso fica evidente nos nomes escolhidos para dar depoimentos, caso de Joaquim Ferreira dos Santos, Regina...

A OUTRA HISTÓRIA DO MUNDO (2018) Dir. Guillermo Casanova

Texto por Marco Fialho O quê um filme pode dizer sobre um acontecimento histórico socialmente dolorido, como foram as ditaduras militares na América Latina, que se estenderam dos anos 1960 até os anos 1990? O belíssimo "A Outra História do Mundo" , do diretor Guillermo Casanova, responde a essa pergunta com o devido sarcasmo e leveza, usando de imaginação e fantasia como armas poderosas de contra-ataque. Esse é um dos filmes que integram a Mostra Cine Uruguai - Novos Horizontes, que acontece na CAIXA Cultural RJ. A trama de "A Outra História do Mundo" parte da resistência de dois amigos, Esnal (o sempre ótimo César Troncoso) e Milo (Roberto Suaréz), que resolvem reagir à presença de um coronel, disposto a impor autoridade, vigilância e regras rígidas ao pequeno vilarejo de Mosquistos, no interior do Uruguai. Eles tem um plano para boicotar o regime autoritário que impõe inclusive o fechamento de bares depois de uma certa hora, o que acaba com a vida noturna do local...

A TERRA DO MEU PAI (2026) Dir. Pawel Pawlikowski

Texto por Marco Fialho Embora "A Terra do Meu Pai"  se passe no ano de 1949, sua temporalidade se expande para nossos dias. O diretor Pawel Pawlikowski (dos ótimos "Ida"  - 2013 e "Guerra Fria"  - 2018) estica a corda ideológica até o limite do insuportável, numa época em que o nazismo aparentemente estava soterrado e potencialmente destruído. Por isso, o filme vem bem a calhar em 2026, mesmo que o mote seja a volta do escritor Thomas Mann (Hanns Zischler numa interpretação de grande contenção) à Alemanha, a sua terra natal, para receber reconhecimentos e proferir discursos, depois de passar uma longa temporada exiliado nos Estados Unidos. O que Pawel filma é uma pequena obra-prima, seca, direta e dura, em uma fotografia p&b fantástica, onde o predomínio do preto dá o tom e embasa a atmosfera lúgubre. Com o pé na desesperança e o coração na arte, "A Terra do Meu Pai"  mostra a difícil posição do famoso escritor alemão (autor de A Montanha Mág...

DIGGER (2026) Dir. Alejandro G. Iñárritu

Texto por Marco Fialho Assistir a um filme de Alejandro G. Iñárritu ( O Regresso , Birdman, entre outros) é esperar sempre que a narrativa do exagero e do excesso predomine. A experiência de  "Digger" não é diferente. Aqui encontramos um empresário inescrupuloso, um presidente dos Estados Unidos escatológico (interpretado por John Goodman), ambos, dentro de um universo de uma encenação teatral, de uma peça dentro do filme.  É mais uma obra que descreve o pessimismo e a descrença na humanidade de maneira explícita, o grotesco de um poder desmedido. Óbvio que "Digger" encampa uma sátira alegórica e farsesca do Governo irracional de Donald Trump (e outros tão pavorosos como os da família Bush ou de Ronald Reagan) e escancara isso sem muito disfarces, muito embora, o presidente do filme seja até fichinha perto do monstro real tal como o conhecemos. E o que dizer do personagem Digger (interpretado por um Tom Cruise descaracterizado do papel de galã), um empresário do pet...

VINCHUCA (2026) Dir. Luis Zorraquín

Texto por Carmela Fialho "Vinchuca" tem direção de Luis Zorraquín e roteiro de Laura Ávila. O protagonista do filme é Nelson (Fernando Vergara), um adolescente que abandona a escola para trabalhar contrabandeando celulares na fronteira entre a Argentina e o Brasil. Seu sonho é se tornar bailarino, mas ao ser pego pela polícia é chantageado para se infiltrar em outra cidade e travar amizade com as filhas de um conhecido e temido traficante local.  O maior problema de "Vinchuca" é o seu roteiro muito forçado, o que faz que as soluções da trama soem previsíveis, principalmente quando o adolescente Nelson, de quinze anos, se apaixona por Carol (Ana Sedoff), a filha caçula do traficante Jara (Rafael Sieg). Falta densidade na direção de atores, sem contar que falta carisma no protagonista, até mesmo seu suposto talento para dança passa longe de impressionar.  Nem a fotografia e os enquadramentos salvam o filme, eles se revelam poucos criativos. Poucos planos são bem tr...