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ELIZABETH BISHOP: DO BRASIL, COM AMOR (2025) Dir. Vivian Ostrovsky

Texto por Marco Fialho e Carmela Fialho Vivian Ostrovsky é conhecida por seus trabalhos como curta-metragista experimental, filmes como Copacabana Beach (1983), Idas e Vindas (1984), U. S. S. A.. (1985) e tantos outros produzidos entre os anos 1980 e os nossos dias. Portanto, Elizabeth Bishop: Do Brasil, Com Amor chega como uma surpresa por se tratar de um documentário de longa-metragem sobre a famosa poeta norte-americana e sua passagem longeva pelo Brasil, e mais especificamente pela Zona Sul do Rio de Janeiro e Petrópolis. Essa passagem pelo Brasil se alongou sobretudo pelo envolvimento de Elizabeth com a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares. A diretora prioriza as cartas pessoais, trocadas com amigas de seu país de origem, onde Bishop relata suas impressões sobre o Brasil, principalmente Rio de Janeiro, Ouro Preto e Petrópolis, esse último lugar onde viveu com Lota em meio a natureza e conseguiu retomar a sua produção literária.  A diretora Vivian Ostrovsky assume a funçã...
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APOPCALIPSE SEGUNDO BABY (2026) Dir. Rafael Saar

Texto por Marco Fialho Se um documentário de personagem precisa antes de tudo elucidá-lo, revelar o seu âmago,  Apopcalipse Segundo Baby, dirigido por Rafael Saar, o faz com a devida precisão. Em quase duas horas, vemos Baby do Brasil em sua inteireza, como uma mulher que desde cedo fez escolhas controversas, assumindo cada uma delas com o seu brilho intrínseco. E esse é um documentário que sabe sugar a energia de sua protagonista, para levar o espectador junto nessa intensa viagem dos sentidos. Quem poderia achar que sua religiosidade de hoje a faria negar o passado hippie e contestador, logo se engana, pois a própria Baby em certo momento afirma que não rejeita nada que viveu no passado. Tanto que em 110 minutos de filme, apenas 15 são voltados para a fase mais recente. Rafael Saar realiza um documentário pulsante, corajoso e que mostra uma Baby complexa e irrequieta.  Rafael Saar utiliza em sua narrativa depoimentos quase sempre em off de Baby enquanto exibe imagens de arqu...

COBERTURA DO 31º FESTIVAL INTERNACIONAL DE DOCUMENTÁRIOS "É TUDO VERDADE 2026"

Aqui você encontra todas as críticas produzidas pelo CineFialho para o Festival Internacional É TUDO VERDADE, edição 2026, com textos de Marco Fialho e Carmela Fialho. Os textos vão sendo incluídos por aqui diariamente, na medida que os filmes são vistos e analisados. Boa leitura. ELIZABETH BISHOP: DO BRASIL, COM AMOR  Dir. Vivian Ostrovsky Link da crítica:  ELIZABETH BISHOP: DO BRASIL, COM AMOR (2025) Dir. Vivian Ostrovsky APOPCALIPSE SEGUNDO BABY Dir. Rafael Saar Link da crítica:  APOPCALIPSE SEGUNDO BABY (2026) Dir. Rafael Saar A FABULOSA MÁQUINA DO TEMPO   Dir. Elisa Capai Link da crítica:  A FABULOSA MÁQUINA DO TEMPO (2025) Dir. Elisa Capai RETIRO - A CASA DOS ARTISTAS   Dir. Pedro Bronz e Roberto Berliner Link da crítica:  RETIRO - A CASA DOS ARTISTAS (2026) Dir. Pedro Bronz e Roberto Berliner VIVO 76   Dir. Lírio Ferreira link da crítica:  VIVO 76 (2026) Dir. Lírio Ferreira BOWIE: O ATO FINAL   Dir. Jonathan Stiasny Link da crític...

RETIRO - A CASA DOS ARTISTAS (2026) Dir. Pedro Bronz e Roberto Berliner

Texto por Marco Fialho A princípio, a profusão de personagens de Retiro - A Casa dos Artistas , dirigido por Pedro Bronz e Roberto Berliner, parece excessiva, por não permitir um aprofundamento acerca deles. Mas logo somos demovidos dessa ideia quando nos damos conta que essa pluralidade almeja a construção de algo maior, a teia de relações que forjam a alma do Retiro dos Artistas. O central então é a ideia de coletivo que esse espaço quase etéreo proporciona por abrigar artistas das mais variadas manifestações, que convivem em um lugar onde pares artísticos podem se encontrar e conviver.   Pode-se dizer que o acolhimento é a argamassa que sustenta esse documentário, filmado com muito cuidado pelos diretores, atentos ao registro das individualidades dentro de um condomínio de casas que respeita seus moradores dentro de uma estrutura material que permite uma velhice com dignidade entremeada de arte e amizade. São todos personagens especiais, tocados pela arte que cultivaram dur...

A FABULOSA MÁQUINA DO TEMPO (2025) Dir. Elisa Capai

Texto por Marco Fialho e Carmela Fialho É impossível iniciar a análise de A Fabulosa Máquina do Tempo sem lembrar que a estrutura fabular já está marcada desde o título do filme. Elisa Capai realiza uma obra de transbordante leveza, embora esteja discutindo questões profundas. A diretora a todo instante está a equilibrar sua narrativa em um finíssimo fio tênue entre o documental e a ficção, embora esse desafio de gênero cinematográfico para o espectador seja deveras irrelevante.  Logo na primeira cena a fábula sobre a origem do mundo se impõe em meio a uma brincadeira infantil, enquanto ao fundo escutamos um baião, o que demonstra de cara que estamos em uma cidade do nordeste. Na verdade, o filme se passa em Guaribas, um pequeno município do Piauí, escolhido para ser projeto modelo do Bolsa Família. Como realizar um filme com 10 crianças que hoje estão quase na adolescência e fazer isso valorizando o ponto de vista delas? Creio que essa resposta está no filme de Capai, pois a diret...

VIVO 76 (2026) Dir. Lírio Ferreira

Texto por Marco Fialho Lírio Ferreira se vale da figura felliniana de Alceu Valença para reconstruir o imenso mosaico que compõe as raízes musicais desse pernambucano nascido na pequena cidade agreste de São Bento de Una. O circo é nitidamente um elemento a acrescentar criatividade à concepção artística de Alceu e está presente em sua obra como algo estrutural em seu trabalho, inclusive em Vivo 76. Mas em Vivo 76 , o que vemos são dois Alceus: um primeiro, que aos 80 anos já possui uma reconhecida carreira enquanto revisita o passado quando ainda sequer supunha onde chegaria como cantor e compositor; o outro Alceu, é um jovem rebelde repleto de uma energia no palco que deixaria atônito até o irrequieto Mick Jagger. Logo no início do filme Lírio Ferreira nos convida a um enigmático passeio bucólico, ao adentrar em uma estreita estrada de chão margeada por uma densa vegetação que leva à casa onde Alceu Valença nasceu. Depois vemos Alceu entrando numa casa grande e antiga com um olhar per...

BOWIE: O ATO FINAL (2025) Dir. Jonathan Stiasny

Texto por Marco Fialho Apesar de tratar da carreira de um dos maiores ícones pops da música, Bowie: O Ato Final se dignifica por escolher um viés muito bem delimitado: o de trazer à luz alguns momentos difíceis de sua trajetória. O diretor Jonathan Stiasny mergulha nas fases mais obscuras, se esforçando por entender como David Bowie pensava a arte e extraindo desses momentos elementos que o definam como artista. Talvez seu foco nem seja tanto o da fases em si, mas sim o de captar o modus operandi  de Bowie como artista. Mesmo que o formato convencional expositivo dê o tom narrativo de  Bowie: O Ato Final , o recorte da direção alavanca esse documentário, por trazer fases menos conhecidas do astro. Se a narrativa é previsível e baseada sobretudo nos depoimentos frontais de músicos e de pessoas que gravitaram em torno de Bowie, a montagem desorganiza o tempo para poder tornar coerente o discurso cinematográfico. De 1983 o filme parte para 1989, depois retrocede para 1967, 1973, ...

PAI MÃE IRMÃ IRMÃO (2025) Dir. Jim Jarmusch

Texto por Marco Fialho O título Pai Mãe Irmã Irmão não deixa de ser um ardil que o diretor Jim Jarmusch interpõe no caminho do espectador. Logo que inicia o filme vem o letreiro Pai colocado para que estabeleça uma primeira parte. A seguir, uma nova parte começa e ela se chama Mãe, o que de cara deduzimos que seria um continuidade do outro. Entretanto, em algum momento constatamos que cada "parte" possui uma independência, embora efetivamente exista uma integração e ela ocorre pela temática e por critérios estilísticos, ou se preferirmos por nuances cinematográficas. Assim, Pai se desenha como um primeiro episódio; Mãe como um segundo episódio; e Irmã Irmão como um último episódio, cada qual com seus atores e personagens próprios.  Se cada episódio é independente um do outro, o ardil de Jarmusch, que expusemos acima, se evidencia pela temática familiar. O que unifica ou agrega os três episódios é alguma medida de esfacelamento de uma ideia de família burguesa intrínseca a tod...

BARBA ENSOPADA DE SANGUE (2024) Dir. Aly Muritiba

Texto por Marco Fialho  Em  Barba Ensopada de Sangue , o diretor e coroteirista Aly Muritiba, adapta junto com Jessica Candal o best-seller homônimo de Daniel Galera para narrar a história de Gabriel (Gabriel Leone) que busca encontrar-se com o seu passado. Ou seria o filme sobre a Praia de Armação (que no romance é Garopaba) e sua encapsulada, misteriosa e violenta vida pregressa e atual? A direção caminha na linha tênue dessa imprecisão para construir sua narrativa instável. Essa decisão seria fundamental para determinar se o filme pretende se aprofundar na psiquê do personagem ou nas vicissitudes do território abordado. Barba Ensopada de Sangue decide pelos dois caminhos, o que impede que suas potencialidades sejam afloradas, pois ambos trajetos narrativos dariam resultados instigantes. Até acredito que Muritiba sublinhe mais a crise existencial de Gabriel de que nas esquisitices da cultura praieira da Praia da Armação.   Aly Muritiba divide seu filme em três part...

RUAS DA GLÓRIA (2026) Dir. Felipe Sholl

Texto por Marco Fialho Ruas da Glória assinala o segundo trabalho de Felipe Sholl como diretor de cinema. Entretanto, em paralelo a esse trabalho como diretor incipiente, Felipe se destaca também como colaborador em roteiros de filmes como Hoje (2011), com Jean-Claude Bernardet e Rubens Rewald;  Campo Grande (2015), com Sandra Kogut; M8 - Quando a Morte Socorre a Vida (2018), com Jeferson De; Casa de Antiguidades (2020) com João Paulo Miranda Maria; o premiadíssimo Manas (2024) com Marcelo Grabowsky; e ( Des)controle (2025), com Iafa Britz. Toda essa cancha o fez amadurecer até chegar ao roteiro de Ruas da Glória . Entretanto, um roteiro azeitado não é garantia em si de total êxito, mesmo que ajude consideravelmente o trabalho da direção. E Felipe Sholl demonstra competência na estruturação de sua mise-en-scène , com interpretações consistentes e maduras do elenco, uma câmera inquieta (muitas vezes na mão) que permite ao espectador mergulhar na intimidade e angústias do protagonist...