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FEITO PIPA (2026) Dir. Allan Deberton

Texto por Marco Fialho Logo nas primeiras imagens de Feito Pipa , novo filme de Allan Deberton ( O Melhor Amigo e Pacarrete ), a música "A Noite Vai Chegar", sucesso estrondoso da cantora Lady Zu, de 1977, já presumimos muito das intenções do diretor ao narrar a história de Gugu (Yuri Gomes, uma preciosidade de ator), um menino de 11 anos que gosta de se maquiar e de performar como uma diva pop. Feito Pipa trata de temas espinhosos com leveza e até com uma dose graciosa de humor ao lidar com o feminino de um menino, em especial quando Batista (Lázaro Ramos, em uma interpretação monocórdica), o pai, reage com atitudes machistas e preconceituosas às atitudes da criança.  Gugu é um menino entre tantos que ama futebol, quer ser um craque. O filme se passa em uma cidade pequena do interior do Ceará e como seria em qualquer lugar no país, o menino encara o bullying de colegas e a vergonha do pai quando Gugu começa a dançar em uma festa ou uma simples reunião de amigos.  Narrativam...
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NÓS SOMOS OS FRUTOS DA FLORESTA (2026) Dir. Rithy Panh

Texto por Carmela Fialho O documentário Nós Somos os Frutos da Floresta , do diretor Rithy Panh, aborda a minoria étnica Bunong que vive na floresta das montanhas do nordeste do Camboja. A narrativa é conduzida pelas vozes, vivências e depoimentos dos próprios membros da comunidade Bunong, como Pouk Choeut, Mak Kreb, Pa Kreb e Yeay Kreb. O diretor cambojano Rithy Panh se utiliza de imagens de arquivo em preto e branco do passado da etnia Bunong comparando-as com as imagens coloridas produzidas atualmente. Algumas práticas agrícolas, atividades do cotidiano e rituais para os espíritos protetores permanecem intactas, principalmente na plantação e colheita de um arroz especial plantado na região próxima a floresta. Porém a situação atual da produção desse arroz é fortemente prejudicada pela crise climática que altera as temporadas de chuva e seca causando endividamento com os bancos, pois o grupo tenta plantar outros produtos como café e caju, mas com a oscilação dos preços acabam não con...

DIÁRIO DO FOGO (2026) Dir. Maju Paiva e Bernardo Florim

Texto por Marco Fialho Historicamente, o cinema brasileiro pouco se interessou pelo terror. José Mojica Marins foi o maior incentivador desse cinema de gênero, mas recentemente deixou discípulos como Rodrigo Aragão, a dupla Juliana Rojas e Marco Dutra, Anita Rocha da Silveira, Gabriela Amaral Almeida, entre outros. Maju Paiva e Bernardo Florim (do ótimo  Avenida Beira-Mar ) se juntam a esse grupo seleto com o seu segundo longa,  Diário do Fogo . Diário do Fogo se inscreve dentro de um tipo de filme que muito se assemelha aos primeiros trabalhos de Juliana Rojas, especialmente Trabalhar Cansa (2011), que junta temáticas sociais caras à realidade brasileira com os códigos do cinema de horror. Aqui alguns temas sociais como as ocupações de moradias abandonadas e a violência contra a mulher sobressaem com fortes pitadas sobrenaturais.  Na trama, Graça (uma Isabel Teixeira impecável) mora com a filha Duda (Juliana Veloso) numa casa ocupada, quando um incêndio no meio da noite ...

A GRADIVA (2026) Dir. Marine Atlan

Texto por Marco Fialho A força de A Gradiva , filme dirigido por Marine Atlan, está em refletir sobre o real significado do aprendizado em nossas vidas. E o mais interessante é que estamos defronte de uma turma escolar, no final do que seria no Brasil o ensino médio, realizando uma viagem de conclusão dessa etapa que também marca simbolicamente o final da adolescência, quando os jovens já estarão ingressando numa universidade para definir uma futura carreira.     Acompanhados por duas professoras, sendo a principal Mercier (Antonia Buresi), que leciona latim, os alunos partem em um trem para conhecer a mitológica Pompéia, em Napoli, momento em que a professora aproveita para dar aulas presenciais sobre um dos grandes mistérios da história, que foi a destruição da cidade depois que o Vesúvio entrou em erupção e a lava varreu o local, matando milhares de pessoas. Assim, morte, erupções (muitas delas sexuais), brigas, discussões sobre luta de classes e futuro formam alguns t...

A TERCEIRA NOITE (2026) Dir. Daniel Auteuil

Texto por Carmela Fialho e Marco Fialho O filme A Terceira Noite , do diretor e famoso ator francês Daniel Auteuil, é um drama baseado na histórica perseguição aos judeus durante o governo colaboracionista de Vichy, no ano de 1942. A obra aborda a formação de um conselho-consultivo por parte da Prefeitura, que no seu cerne continha pessoas dispostas a salvar os judeus que aguardavam transferência para os campos de concentração nazistas. Esse Conselho foi liderado por Gilbert Lasage (Antoine Reinartz) e contava com outros membros nomeados pela igreja católica, como o Abade Alexandre Glasberg, e por organizações sociais judaicas, como Lily Tager (Luàna Bajrami). Mas nesse Conselho também estava indicado Lucien Marchais, representante do Governo colaboracionista de Vichy.  O interessante de A Terceira Noite  é que os nazistas, que são os grandes vilões dessa história, eles sequer aparecem na imagem, numa artimanha quase macabra do diretor Daniel Auteuil, que também interpreta o ...

A NOIVA DIFÍCIL (2026) Dir. Rubaiyat Hossain

Texto por Carmela Fialho      A Noiva Difícil , dirigido e roteirizado pela cineasta Rubaiyat Hossain, uma das mais influentes e aclamadas de Bangladesh, acompanha a trajetória de Zaineen durante os preparativos do seu casamento. O filme foca nos detalhes ritualísticos dessa preparação na tradição hinduísta, que submete as mulheres a tratamentos de beleza invasivos e cotidianos até o grande dia do casamento. A vigilância dos familiares e serviçais beira a invasão de privacidade da noiva. A obra prioriza os sentimentos e sensações de Zaineen durante o processo que desvaloriza totalmente o seu corpo, a sua pele e os seus cabelos, tentando transformá-la em outra pessoa. A pressão é tamanha que afeta o psicológico da noiva que passa a sofrer de insônia, pesadelos, vícios, isolamento e a ter visões macabras de uma outra noiva que morreu. A diretora Rubaiyat Hossain abusa dos closes, como recurso para enfatizar os detalhes dessa tortura que chamam de tratamento de beleza. Salie...

DIÁRIOS DE NAGI (2026) Dir. Koji Fukada

Texto por Marco Fialho Diários de Nagi, dirigido pelo cineasta japonês Koji Fukada, aborda questões relacionadas aos relacionamentos amorosos numa cidade rural do Japão. A maior sacada do diretor é deslocar as discussões da sexualidade das grandes cidades para um lugarejo que vive essencialmente da pecuária. A narrativa de Diários de Nagi se constrói lentamente, no ritmo da própria cidade de Nagi, com vários personagens dividindo o protagonismo, mesmo que a jovem Yuri (Shizuka Ishibashi) tenha um maior destaque na trama, por ser quem chega de Tóquio, depois de morar em Taiwan, para balançar as estruturas e o cotidiano dos outros personagens. Ela se hospeda na casa de Yoriko (Takako Matsu), sua ex-cunhada solteirona e que foi apaixonada por uma mulher que casou com um amigo. Mas quem dá um tempero a mais na história são dois adolescentes, Haruki (Waku Kawaguchi) e Keita (Kiyora Fujiwara), que possuem uma amizade repleta de intimidade e cumplicidade. Ambos logo se encantam por Yuri, pelo...

O JOGO (2026) Dir. Juan Cabral e Santiago Franco

Texto por Marco Fialho O Jogo , documentário dirigido por Juan Cabral e Santiago Franco, aborda a famosa partida de quartas-de-final da Copa do Mundo de 1986, entre Argentina e Inglaterra, jogada na altitude do Estádio Azteca, no México. O filme tem como proposta compreender os diversos fatos que antecederam esse jogo, tanto os relacionados ao futebol quanto os do extracampo que tornaram esse jogo, mesmo depois de passados quarenta anos, um dos mais comentados e lembrados. Os diretores convidaram os jogadores que ainda estão vivos das duas seleções, para dar depoimentos sobre aquele emocionante jogo. Essas imagens são registradas em um curioso P&B, o que sugere que ouviremos relatos voltados àquela determinada época. Mas Juan Cabral e Santiago Franco não se contentaram com essas falas, eles também fazem uma excelente pesquisa histórica para fundamentar os depoimentos dos jogadores, com imagens de arquivo que muito valorizam o documentário. É interessante como  O Jogo não fica d...

COBERTURA CINEFIALHO FESTIVAL DO RIO 2026

Críticas do CINEFIALHO dos filmes vistos no Festival do Rio 2026 A BOLA PRETA Dir. Javier Calvo e Javier Ambrossi Crítica:   A BOLA PRETA (2026) Dir. Javier Calvo e Javier Ambrossi CONTOS PARALELOS Dir. Asghar Farhadi Crítica:  CONTOS PARALELOS (2026) Dir. Asghar Farhadi A GRADIVA Dir. Marine Atlan Crítica:  A GRADIVA (2026) Dir. Marine Atlan   CARTAS AMARELAS Dir. Ilker Çatak Crítica:  CARTAS AMARELAS (2026) Dir. Ilker Çatak FEITO PIPA Dir. Allan Deberton Crítica: https://cinefialho.blogspot.com/2026/10/feito-pipa-2026-dir-allan-deberton.html?m=1 DIÁRIO DO FOGO  Dir. Maju Paiva e Bernardo Florim Crítica:  https://cinefialho.blogspot.com/2026/10/diario-do-fogo-2026-dir-maju-paiva-e.html?m=1 NÓS SOMOS OS FRUTOS DA FLORESTA  Dir. Rithy Panh Crítica: https://cinefialho.blogspot.com/2026/10/nos-somos-os-frutos-da-floresta-2026.html?m=1 SOUMSOUM, A NOITE DAS ESTRELAS Dir. Mahamat-Saleh Haroun Crítica:  SOUMSOUM, A NOITE DAS ESTRELAS (2026) Dir. Ma...

O CINEMA POSSÍVEL (2026) Dir. Luiz Carlos Lacerda

Texto por Marco Fialho Se tem alguém que atua no cinema aqui no Rio de Janeiro e que merece ter a sua história contada, esse é Cavi Borges. O diretor Luiz Carlos Lacerda, o Bigode, percebeu a injustiça desse silêncio e procurou preencher essa absurda lacuna com O Cinema Possível , que também poderia tranquilamente se chamar O Cinema Impossível, pois o que a trajetória de Cavi escancara é a incrível superação de filmar tantos filmes com baixíssimo orçamento. E Bigode se sai muito bem ao levar para o público a história de um judoca que virou maior nome do cinema carioca, a pessoa mais comprometida com a essência do cinema, uma atividade em que a ideia do coletivo, do agregamento serve de base para o exercício do próprio ofício. Bigode acerta ao enfocar como maior característica de Cavi Borges, o espírito solidário, de ajudar a todos que o procuram no dia a dia. Bigode foge do didatismo óbvio de uma cronologia vazia e opta por mesclar as diferentes fases da vida de Cavi Borges como a atua...