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RETROSPECTIVA VIVIAN OSTROVSKY

Texto por Carmela Fialho Retrospectiva Vivian Ostrovsky "Para mim, cinema experimental significa ter liberdade total - liberdade de duração, de tema, de forma.(...) fazer o que você quer sem se submeter às regras comerciais. São outros valores, não é tanto sobre ser longe da indústria, mas sobre liberdade de criação. De resto, é frustrante ver que hoje o cinema está cada vez mais padronizado, com poucas surpresas".  Vivian Ostrovsky em entrevista inédita a Fernanda Pessoa, extraído do Catálogo do 31º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade 2026. Na retrospectiva Vivian Ostrovsky, assistimos ao programa 2, denominado corpos em trânsito, com os filmes Movie ( V.O.)  (1982); Idas e Vindas   (1984); Copacabana Beach  (1983); Domínio Público  (1996); e U.S.S.A (1985). O que unifica os cinco curtas são as filmagens de corpos humanos em diferentes atividades do cotidiano em várias regiões do planeta, como Estados Unidos, França, Brasil e a antiga União ...
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FERNANDO CONI CAMPOS: CADA UM VIVE COMO SONHA (2025) Dir. Luis Abramo e Pedro Rossi

Texto por Marco Fialho O documentário Fernando Coni Campos: Cada um Vive Como Sonha (sub-titulo extraído de um pensamento do Padre Antônio Vieira), dirigido por Luis Abramo (filho de Fernando Coni Campos) e Pedro Rossi, é uma espécie de obra que se afirma por um intrínseco rescaldo de intimidade, que resvala por todas as bordas de uma película que está presente em cada frame desse belo filme. A montagem de Juliana Guanais persegue as ideias e os sentimentos do cineasta que vão se espalhando quase sem pretensão pela tela, amarrando imagens e sons quase que por uma intuição afetuosa. A voz de Fernando Coni Campos nos chega de vários cantos, seja por um gravador ou por meio de entrevistas de época. Sua fala soa sempre majestosa, de quem sabe o que quer porque segue o coração. O cinema, que o próprio Fernando nomeou como a arte noturna, que precisa do escuro para poder se comunicar. A noite é o espaço dos sonhos que aliás era a matéria prima do seu cinema, não casualmente, o corte de olho ...

OS OLHOS DE GANA (2025) Dir. Ben Proudfoot

Texto por Marco Fialho O documentário Os Olhos de Gana é uma produção estadunidense, dirigida por um canadense, que resgata a história de um cineasta de Gana, Chris Hesse, de 93 anos, que luta para que a memória política do seu país seja preservada e contada pelo seu povo. Em torno dele giram outras histórias que se cruzam a dele. A produção executiva é de Barack e Michelle Obama, que fazem uma desnecessária apresentação antes do filme iniciar. Como personagem, Chris Hesse é fantástico e o principal narrador de Os Olhos de Gana , ciente de seu papel como artista e que está no entardecer (esse é um termo utilizado por ele) de sua vida, esse ganense discorre sobre uma vida de desafios até tornar-se cinematógrafo de Kwame Nkrumah, primeiro presidente pós independência colonial do país. Hesse realizou vários filmes sobre o presidente, com a proposta de contar a história de Gana pela perspectiva popular.  O filme entrelaça Chris Hesse com mais dois personagens, um deles é Anita, uma jov...

PROUST PALIMPSESTO: PASTICHES E MISTURAS (2026) Dir. Carlos Adriano

Texto por Marco Fialho Creio que a melhor maneira de iniciar uma análise sobre Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas  seja pelo título, pois muitos na certa nunca ouviram ou leram algo acerca da palavra palimpsesto. Ela pode ter vários significados, dependendo do contexto em que é utilizada, portanto, o relevante é entender como ela foi inserida no filme. Dois sentidos dela cabem aqui, um primeiro que a explica pela sobreposição, já que a própria concepção do filme de Carlos Adriano é a sobreposição de imagens com textos em tela e sons. Mas há ainda um sentido figurado da palavra palimpsesto que o diretor também se apropria, em que uma obra incorpora ou guarda traços de outra. De qualquer maneira estamos a refletir aqui sobre sobreposição, que é o elemento mais utilizado neste documentário ensaístico. O subtítulo Pastiches e Misturas, foi extraído de uma das obras de Marcel Proust publicado aqui no Brasil com o título  Pastichos e Miscelânea .   Proust Palimpsesto...

ATLAS DO DESAPARECIMENTO (2026) Dir. Manuel Correa

Texto por Marco Fialho Tem filmes que são necessários, embora difíceis de serem vistos.  Atlas do desaparecimento , dirigido por Manuel Correa, é um deles. Que pedrada esse documentário se revela ao tratar da dificuldade, e quase impossibilidade, dos parentes dos assassinados pela ditadura franquista (1936-75), terem acesso aos seus restos mortais.  Atlas do desaparecimento conta com o auxílio do algoritmo e de modernos programas de arquitetura para auxiliar no encontro e identificação dos corpos. Mas mesmo assim a tarefa é quase impossível, devido a diversas medidas tomadas pelo Estado franquista para inviabilizar a tarefa. O documentário se utiliza de imagens de arquivo misturadas com atuais e a força delas são impressionantes, de familiares da segunda geração que ainda sonham em ter os corpos à disposição para enterrá-los em seus jazigos.  Em 1940, o governo franquista criou o mausoléu Valle de los Caídos, com a finalidade de por os corpos de quem participou da Guerra ...

O ESTRANGEIRO (2025) Dir. François Ozon

Texto por Marco Fialho Conhecido pela sua narrativa sempre repleta de peripécias,  O Estrangeiro é sem dúvida o filme mais seco de François Ozon, talvez por ser baseado no livro do existencialista francês Albert Camus, que se sustenta por uma severa austeridade narrativa. É muito interessante como Ozon demonstra admiração pelo livro e respeita por demais a história e o tom quase sem emoção que Camus impõe à obra.  Mas Ozon subverte o livro pela montagem, embaralhando a ordem cronológica de Camus e impondo uma abordagem em terceira pessoa, diferente do livro que opta pela primeira pessoa. A escolha por uma fotografia em P&B também confere um sabor diferente ao filme, uma crueza que o uso do colorido talvez amenizasse, uma maneira encontrada por Ozon para salientar a dureza que as palavras conferem ao livro e que as imagens coloridas poderiam amenizar.  Mas é estranho ver François Ozon realizando uma versão mais clean para um filme seu, pois é sabido o quanto o diretor...

ELIZABETH BISHOP: DO BRASIL, COM AMOR (2025) Dir. Vivian Ostrovsky

Texto por Marco Fialho e Carmela Fialho Vivian Ostrovsky é conhecida por seus trabalhos como curta-metragista experimental, filmes como Copacabana Beach (1983), Idas e Vindas (1984), U. S. S. A.. (1985) e tantos outros produzidos entre os anos 1980 e os nossos dias. Portanto, Elizabeth Bishop: Do Brasil, Com Amor chega como uma surpresa por se tratar de um documentário de longa-metragem sobre a famosa poeta norte-americana e sua passagem longeva pelo Brasil, e mais especificamente pela Zona Sul do Rio de Janeiro e Petrópolis. Essa passagem pelo Brasil se alongou sobretudo pelo envolvimento de Elizabeth com a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares. A diretora prioriza as cartas pessoais, trocadas com amigas de seu país de origem, onde Bishop relata suas impressões sobre o Brasil, principalmente Rio de Janeiro, Ouro Preto e Petrópolis, esse último lugar onde viveu com Lota em meio a natureza e conseguiu retomar a sua produção literária.  A diretora Vivian Ostrovsky assume a funçã...

APOPCALIPSE SEGUNDO BABY (2026) Dir. Rafael Saar

Texto por Marco Fialho Se um documentário de personagem precisa antes de tudo elucidá-lo, revelar o seu âmago,  Apopcalipse Segundo Baby, dirigido por Rafael Saar, o faz com a devida precisão. Em quase duas horas, vemos Baby do Brasil em sua inteireza, como uma mulher que desde cedo fez escolhas controversas, assumindo cada uma delas com o seu brilho intrínseco. E esse é um documentário que sabe sugar a energia de sua protagonista, para levar o espectador junto nessa intensa viagem dos sentidos. Quem poderia achar que sua religiosidade de hoje a faria negar o passado hippie e contestador, logo se engana, pois a própria Baby em certo momento afirma que não rejeita nada que viveu no passado. Tanto que em 110 minutos de filme, apenas 15 são voltados para a fase mais recente. Rafael Saar realiza um documentário pulsante, corajoso e que mostra uma Baby complexa e irrequieta.  Rafael Saar utiliza em sua narrativa depoimentos quase sempre em off de Baby enquanto exibe imagens de arqu...

COBERTURA DO 31º FESTIVAL INTERNACIONAL DE DOCUMENTÁRIOS "É TUDO VERDADE 2026"

Aqui você encontra todas as críticas produzidas pelo CineFialho para o Festival Internacional É TUDO VERDADE, edição 2026, com textos de Marco Fialho e Carmela Fialho. Os textos vão sendo incluídos por aqui diariamente, na medida que os filmes são vistos e analisados. Boa leitura. RETROSPECTIVA VIVIAN OSTROVSKY Link do texto:  RETROSPECTIVA VIVIAN OSTROVSKY PROUST PALIMPSESTO: PASTICHES E MISTURAS Dir. Carlos Adriano Link da crítica:  PROUST PALIMPSESTO: PASTICHES E MISTURAS (2026) Dir. Carlos Adriano FERNANDO CONI CAMPOS: CADA UM VIVE COMO SONHA Dir. Luis Abramo e Pedro Rossi Link da crítica:  FERNANDO CONI CAMPOS: CADA UM VIVE COMO SONHA (2025) Dir. Luis Abramo e Pedro Rossi OS OLHOS DE GANA Dir. Ben Proudfoot  Link da crítica:  OS OLHOS DE GANA (2025) Dir. Ben Proudfoot ATLAS DO DESAPARECIMENTO Dir. Manuel Correa Link da crítica:  ATLAS DO DESAPARECIMENTO (2026) Dir. Manuel Correa ELIZABETH BISHOP: DO BRASIL, COM AMOR  Dir. Vivian Ostrovsky Link da ...

RETIRO - A CASA DOS ARTISTAS (2026) Dir. Pedro Bronz e Roberto Berliner

Texto por Marco Fialho A princípio, a profusão de personagens de Retiro - A Casa dos Artistas , dirigido por Pedro Bronz e Roberto Berliner, parece excessiva, por não permitir um aprofundamento acerca deles. Mas logo somos demovidos dessa ideia quando nos damos conta que essa pluralidade almeja a construção de algo maior, a teia de relações que forjam a alma do Retiro dos Artistas. O central então é a ideia de coletivo que esse espaço quase etéreo proporciona por abrigar artistas das mais variadas manifestações, que convivem em um lugar onde pares artísticos podem se encontrar e conviver.   Pode-se dizer que o acolhimento é a argamassa que sustenta esse documentário, filmado com muito cuidado pelos diretores, atentos ao registro das individualidades dentro de um condomínio de casas que respeita seus moradores dentro de uma estrutura material que permite uma velhice com dignidade entremeada de arte e amizade. São todos personagens especiais, tocados pela arte que cultivaram dur...