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CORPO ELÉTRICO (2017) Direção de Marcelo Caetano

A resistência dos corpos alegres  Sinopse Elias (Kelner Macêdo) é assistente em uma confecção de roupas no centro de São Paulo. Ele mantém pouco contato com a família na Paraíba e passa seus dias entre os tecidos do trabalho e encontros com homens. O fim do ano traz reflexões sobre possibilidades de futuro, reconexões com o passado e muitas horas extras, que acabam por aproximá-lo dos colegas da fábrica e consequentemente inseri-lo em novos círculos de amizade e cenários. Por Marco Fialho “Corpo Elétrico” é o nome do filme, mas logo no início verificamos que também poderíamos chamá-lo de corpos elétricos, pois são eles, os corpos os maiores protagonistas dessa obra impressionante, um misto de afirmatividade e leveza. Logo na primeira cena vemos dois corpos masculinos, nus, literalmente de pernas pro ar, livremente, falando sobre as levezas da vida. Essa imagem muito define esse filme, sua força e potência. Com ele fica-se a ideia que é possível falar de diversidade sexual sem traumas,
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Blu-ray Antonioni Essencial

Um Antonioni luxuoso que só! Por Marco Fialho A distribuidora "Versátil" promove um dos lançamentos mais importantes para a memória historiográfica do cinema mundial, uma edição especial em blu-ray dedicada ao mestre italiano Michelangelo Antonioni, com 3 filmes basilares para o cinema contemporâneo: "O deserto vermelho" (1964), "Blow-up - depois daquele beijo" (1966) e "O passageiro - profissão repórter" (1975). Além dos filmes estarem em cópia restauradas em alta definição, a Versátil caprichou nos extras. Dos quatro discos do box, um deles é inteiramente dedicado ao material extra de apoio. São 291 minutos de informações, entrevistas, depoimentos, trechos de documentário sobre Antonioni, making of  , fotos, trailer, entre outros. O box ainda vem com um livreto com críticas (dos críticos Raphael Cubakowic e Rafael Amaral) dedicadas aos 3 filmes, além de cartaz de cada uma das obras. Um primor, um luxo, para lá de especial, vale cada centavo inv

O CINEMA É MINHA VIDA - Direção de Cavi Borges, Patrícia Niedermeier e Rodrigo Fonseca

François Truffaut: "Os filmes da minha vida sou eu" Por Marco Fialho " La politique des Auteurs defendia sobretudo a ideia de que o homem que tem as ideias e o homem que realiza o filme deve ser o mesmo." François Truffaut. Extraído de "O cinema segundo François Truffaut" Quem acompanha o trabalho incansável de Cavi Borges (que divide a direção deste filme com Patrícia Niedermeier e Rodrigo Fonseca) pelo cinema, conhece a paixão e a luta abnegada dele em prol da sétima arte. E "O cinema é a minha vida" vem profundamente embebido desse espírito, embriagado desse sentimento contagiante para quem vivencia essa obra. "O cinema é minha vida" não escamoteia, se assume logo de cara como um filme-peça, como um desdobramento/desmembramento da peça-filme "François Truffaut: o cinema é minha vida". Em dezembro de 2019, eu tive a oportunidade de assistir e escrever sobre a peça-filme (o link para quem interessar é  https://cinefialho.blo

MEU PAI - Direção de Florian Zeller

Sinopse: Em Meu Pai, um homem idoso recusa toda a ajuda de sua filha à medida que envelhece. Ela está se mudando para Paris e precisa garantir os cuidados dele enquanto estiver fora, buscando encontrar alguém para cuidar do pai. Ao tentar entender suas mudanças, ele começa a duvidar de seus entes queridos, de sua própria mente e até mesmo da estrutura da realidade. O labirinto cruel de Zeller Por Marco Fialho O filme "Meu pai", dirigido maquiavelicamente por Florian Zeller, talvez seja um dos documentos mais impactantes socialmente falando sobre o Mal de Alzheimer até hoje já produzidos. O cinema mais uma vez reafirma um papel de comunicabilidade imprescindível para o mundo, afinal, todos conhecem casos semelhantes aos vividos pelo personagem Anthony, interpretado com extrema sensibilidade por Anthony Hopkins. Casos de Alzheimer adentraram nas famílias, muitas vezes as destruindo pela total dificuldade que é lidar com essa doença degenerativa.       Ao falar aqui da

LANÇAMENTO DA PLATAFORMA RESERVA IMOVISION

Uma festa do cinema independente, o Canal Reserva Imovision Por Marco Fialho Um dos grandes acontecimentos desse primeiro semestre de 2021 é o lançamento da Plataforma da maior distribuidora independente do Brasil, a Reserva Imovision. Tudo indica que há uma tendência para uma pulverização do mercado de streaming no Brasil, para muito além das gigantes Netflix e Amazon Prime. Até as gigantes do mercados estão lançando plataformas próprias, caso da Disney e da Universal. No universo das independentes, a distribuidora Supo Mungan   https://supomungamplus.com.br/ já lançou a plataforma dela, mas sem dúvida, a chegada da Imovision traz um outro peso para o mercado independente. O endereço de acesso é  https://www.reservaimovision.com.br/.   Uma vantagem imediata que vemos na Plataforma Reserva Imovision, que salta inclusive aos olhos, é a ausência dos lixos que encontramos nas plataformas mais populares e gigantes como a Netflix e a Amazon Prime, o que por muitas vezes desestimula o acess

NOMADLAND - Direção de Chloé Zhao

Sinopse: Em Nomadland, após o colapso econômico de uma cidade na zona rural de Nevada, nos Estados Unidos,  Fern  (Frances McDormand), uma mulher de 60 anos, entra em sua van e parte para a estrada, vivendo uma vida fora da sociedade convencional como uma nômade moderna.  Nomadland e o capitalismo tartaruga Por Marco Fialho Começo a minha análise do filme "Nomadland" pelo próprio título e seu possível significado. Nele há uma alusão ao nomadismo, porém mais do que isso faz-se uma referência a um lugar, um lugar ao que tudo indica se define por uma ideia de nomadismo. É preciso lembrar que filme da diretora Chloé Zhao foi inspirado no livro de não-ficção da jornalista Jessica Bruder, que analisa a vida de pessoas com mais de 60 anos que buscaram o nomadismo como forma de sobrevivência nos Estados Unidos do Século 21. Longe de ser uma apologia a uma busca pela felicidade, "Nomadland" constrói-se numa atmosfera melancólica.  O historiador Marc Ferro dizia que o cinema

ELES VIVEM (1988) Direção John Carpenter

Sinopse: Um trabalhador braçal chega a Los Angeles e encontra um emprego em um edifício em construção. Em uma operação policial, parte do local onde mora é destruída, então ele encontra uns óculos escuros aparentemente comuns, mas ao usá-los consegue enxergar alienígenas disfarçados de seres humanos e as mensagens subliminares que eles transmitem através da mídia. Desmascarando a estratégia de sedução capitalista       De maneira crítica, "Eles vivem" retrata o papel da mídia, em especial o caráter incisivamente ideológico assumido nos noticiários e filmes da década de 1980, salientando a massificação da informação por meio da televisão e da indústria cultural. Durante todo o período da guerra fria, a guerra da informação foi o sustentáculo dos sistemas políticos, que investiram vultosos recursos financeiros de modo que a informação chegasse sistematicamente à população em geral. O poder econômico capitalista se concentrou em grandes holdings , com empresas mais fortes contr