Texto por Marco Fialho As Correntes , filme dirigido pela cineasta argentina Milagros Mumethaler, é uma pérola escondida em meio a um circuito que canibaliza talentos em troca de um faturamento marqueteiro. Algumas obras são propositadamente superdimensionadas e empurradas pelas nossas goelas pela força destrutiva do dinheiro, que no cinema está longe de erguer coisas belas para encher o mercado com um bando de xaropadas desclassificáveis. Em As Correntes , a diretora Milagros nos brinda com uma obra refinada e inteligente ao instigar o espectador durante toda a projeção. Na tela vemos Lina, uma estilista de moda que está recebendo um prêmio pelo seu trabalho, mas logo as primeiras imagens somos convidados a acompanhar uma mulher em crise. Na primeira imagem de Lina, ela aparece refletida em um vidro, enquanto vemos vultos de pessoas passando e a paisagem de uma cidade da Suíça. Tudo ali não se vislumbra nítido, como se a falta de clareza já dissesse algo sobre o que assistir...
Texto por Marco Fialho Quem acompanha o diretor Eduardo Nunes desde o seu primeiro longa, o belíssimo Sudoeste (2011), sabe o quanto o seu cinema é singular. Em seu terceiro projeto, Cinco da Tarde podemos comprovar a originalidade narrativa emanada de sua obra. Um filme que impõe um ritmo e que nos lança numa imersão no tempo das personagens, o que nos faz querer acompanhá-lo do início ao fim. Na trama, Anabel (Bárbara Luz, de Ainda Estou Aqui ), uma jovem de 17 anos, perde a vó e precisa lidar com essa ausência, com a falta dela depois de tanto compartilhamento de vida e de cotidiano, já que a mãe mora longe, em Belo Horizonte. Ela é acolhida nesse momento difícil pela sua vizinha Meiko (a estreante Sharon Cho), mas o filme é mais sobre Anabel, de como ela vai lidar com a solidão e o desemparo afetivo que sente, especialmente porque o filme se desenrola durante a pandemia da Covid-19, época marcada pelo isolamento social. Bárbara Luz constrói uma personagem com rara sensibilidade e n...