Texto por Marco Fialho Tem sido cada vez mais recorrente os filmes dramáticos que exploram o suspense em suas narrativas. É o caso de Fora de Controle , dirigido pela francesa Anne Le Ny, que embora muito bem dirigido, não foge de uma abordagem convencional, já que o enredo e o tratamento lembra muito alguns filmes hollywoodianos que enfocam o adultério. Um elemento interessante de Fora de Controle é a maneira sóbria com que a diretora trata o drama, sem adicionar toques melodramáticos apelativos para acentuar algo que está dado. Assim, a trama que envolve a crise da família de Marie (Élodie Bouchez), o marido Julien (Omar Sy) e suas duas filhas, mas que precisa lidar com a chegada de dois agentes perturbadores: Anaëlle (Vanessa Paradis), a ex-namorada de Julien e Thomas Radiguet (José Garcia), o chefão de Marie, que se encanta por ela. O dinamismo da câmera, que se movimenta com agilidade pelos cenários para conduzir o olhar do espectador para dentro dos acontecimentos que ...
Texto por Marco Fialho Assistir a um filme de Almodóvar é sempre especial, o momento de sentir como ele vê a vida e o cinema como algo profundamente íntimos. Natal Amargo é assim, mais uma ode do mestre espanhol ao pensar e à construção de uma obra em seus mais recônditos encontros do artista com a sua criação. Mesmo que essa não seja a mais plena obra de Almodóvar, há um prazer em ver mais uma vez na tela a sua marca inconfundível, a do melodrama classudo costurando toda a trama. Em Natal Amargo encontramos mais uma vez Almodóvar se voltando para a autoficção, para usar o termo que ele mesmo gosta de empregar, como já o havia feito em Dor e Glória (2019). Se antes o seu alterego foi Antonio Banderas, agora é Leonardo Sbaraglia que assume o posto com o personagem Raúl, um cineasta que busca em um passado próximo, o ano de 2004, uma história repleta de dor e culpa, características de um bom melodrama como Almodóvar tanto aprecia. Mas há algo de estranho em Natal Amargo , que é o fato d...