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Mostrando postagens de janeiro, 2026

O LENDÁRIO MARTIN SCORSESE (2024) Dir. Rebecca Miller

Texto por Marco Fialho O documentário O Lendário Martin Scorsese , dirigido por Rebecca Miller, se propõe a realizar um retrato do maior e mais profícuo cineasta vivo dos Estados Unidos. São 285 minutos, que totalizam quase 5 horas, divididos em 5 episódios, um tour estupendo e delicioso pela sua gigantesca obra, composta por mais de 32 longas-metragens. Scorsese realmente é incansável como diretor e esse documentário explora bem esse viés quase alucinado de sua carreira. Rebecca Miller opta por um formato bem televisivo e convencional, partindo primeiramente de uma longa entrevista que faz com o próprio Scorsese a narrar desde a sua infância sua aproximação com o cinema e com os temas que o perseguiriam durante a sua trajetória. O grande trunfo de O Lendário Martin Scorsese é fazer dessa conversa a espinha dorsal do documentário, pois como é prazeroso acompanhar a paixão do diretor, o entusiasmo ao falar de si e da carreira.  Ainda falando estruturalmente de O Lendário Martin...

SE EU TIVESSE PERNAS, EU TE CHUTARIA (2025) Dir. Mary Bronstein

Texto por Marco Fialho Logo na primeira cena de Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria , a diretora Mary Bronstein mostra ao que veio. Uma câmera na mão está grudada no rosto Linda (uma Rose Byrne impecável) e fica nela enquanto ouvimos uma voz de uma criança e de uma outra mulher, que parece ser uma médica. Essa simples cena evidencia a angústia dessa mulher, aprisionada e enclausurada por uma situação incontrolável: sua filha se alimenta por meio de um tubo conectado a sua barriga e ela está só para encarar essa triste demanda da vida.  Mas há nisso tudo um imenso estranhamento. Não há uma imagem sequer da filha durante o filme, embora ouçamos a sua voz infantil cruzar implacavelmente a imagem. A força dessa ausência transparece o quanto a diretora Mary Bronstein faz questão de nos sublinhar a dor dessa mãe. Se não vemos a imagem da menina, por conseguinte não nos afeiçoamos a ela e centramos nossa atenção em Linda, a mãe.  E esse é o ardil fantástico de Bronstein. A sua escol...

JOVENS MÃES (2025) Dir. Jean-Pierre e Luc Dardenne

Texto por Marco Fialho Jovens Mães , novo trabalho dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne é, como se diz na gíria, um puro suco dessa dupla de experientes e premiados cineastas belgas, além do filme ser o representante da Bélgica no Oscar de 2026 e ter sido agraciado pelo melhor roteiro no Festival de Cannes 2025. A primeira exibição no Brasil foi na Mostra Internacional de cinema de São Paulo, onde a obra recebeu o Prêmio Humanidade, devido ao tratamento sensível devotado ao tema.  Confesso que esse filme é um dos mais tocantes dos irmãos Dardenne, que mantém as mesmas ideias de suas obras anteriores, de retratar as difíceis condições sociais da França, seja de imigrantes ou de outros grupos fragilizados no país, mas o maior diferencial de Jovens Mães é o esforço dos irmãos em positivar as experiências dessas jovens, assim como apontar uma esperança para o futuro, o que nem sempre as obras deles sinalizou.  Jovens Mães parte da realidade de cinco jovens que se tornaram mães an...

EU, QUE TE AMEI (2025) Dir. Diane Kurys

Texto por Marco Fialho Eu, Que Te Amei  narra a tumultuada relação conjugal e artística de dois grandes artistas franceses: Simone Signoret (Marina Foïs) e Yves Montand (Roschdy Zem). A narrativa transcorre com desenvoltura e com uma mise en scène que não oferece grandes sobressaltos e surpresas ao narrar os bastidores desse casal que viveu mais de 20 anos juntos, com inúmeras crises e alguns bons momentos.  No início de Eu, Que Te Amei a diretora Diane Kurys até promete algo diferente, quando vemos Marina Foïs e Roschdy Zem, a atriz e o ator que interpretam os dois protagonistas entregues à equipe de maquiagem no processo de transformação para os seus personagens. Mas a partir de então, a mágica do cinema vigora até o fim, de maneira previsível, como mais uma cinebiografia de artistas que tanto vemos por aí, repleta de minúcias da vida pessoal e os barracos da vida real.    Entretanto, vale mencionar o trabalho de Diane Kurys em relação aos dois protagonistas ...