Texto por Marco Fialho Não deixa de ser interessante ver Steven Soderbergh passeando pelo terror psicológico em seu mais novo filme chamado Presença . Fica evidente a pouca familiaridade do diretor por esse gênero , já que o filme estruturalmente se arquiteta mais como um drama do que como um suspense. Mas esse detalhe não deixa de trazer um aspecto mais sóbrio a Presença e isso é notório logo na primeira cena em que a câmera está colocada na parte de dentro da janela, como se alguém olhasse a chegada de uma pessoa à casa. Esse fantasma já está ali, portanto, bastante naturalizado no campo diegético. Ele fantasma não promove maldades ou algo do tipo, o que faz a gente crer que o mal estaria no mundo, não ali no interior da casa. Presença foi inspirado em uma casa em que a família de Soderbergh morou, que no passado havia acontecido um assassinato, em que a mãe foi morta pela filha. Embora tudo pareça ser ameaçador ou instaurar uma tensão, o que vemos é uma atmosfera familiar...
Texto por Marco Fialho As primeiras imagens de Oeste Outra Vez são emblemáticas e elas expressam uma aridez fora do comum para um país como o nosso. Mas essa aridez passa longe do gratuito, ela é um marco de identidade dos personagens que acompanharemos logo a seguir, numa briga a mão, com claro caráter cômico, por conta de uma mulher. E diga-se de passagem que essa é a única e rápida vez que uma mulher aparece no filme. A maior marca de Oeste Outra Vez está na transposição dessa paisagem para uma interiorização dos personagens. É um filme de fora para dentro, onde a paisagem e o distanciamento do território se desloca para dentro do filme com uma força impressionante, esse é o dispositivo que vemos o diretor Érico Rassi aplicar com tremenda eficácia em sua obra. A exploração da aridez do território traz Oeste Outra Vez para o ambiente do faroeste, para a masculinidade desse universo cinematográfico que tanta história fez na cinematografia clássica dos Estados Unidos e...