Texto por Marco Fialho
Abordar em uma obra artística um tema ou acontecimento atual, mas cuja informações sobre ele são filtradas somente pelos grandes conglomerados de comunicação é complicado. É o caso de O Caso dos Estrangeiros, filme dirigido por Brandt Andersen, que trata da questão da Guerra na Síria, iniciada em 2011, objetivo era derrubar o regime político de Bashar Al-Assad.
O Caso dos Estrangeiros enfoca em sua trama visões de personagens que se entrelaçam numa fuga desesperada da Síria. Assim, temos uma médica, um poeta, um soldado, um traficante de pessoas e um capitão grego que trabalha resgatando justamente refugiados vindos da Síria. O diretor Brandt Andersen vai narrando como cada um desses personagens chegou no limite de suas forças nesse difícil processo de uma guerra civil.
A escolha por fragmentar a história não permite que se aprofunde muito as histórias e por isso ficamos com uma sensação de que sempre falta alguma informação a mais para uma análise mais complexa de um país onde muitos interesses estão em jogo. São sutilezas históricas que ficam pelo caminho tanto os interesses dos países envolvidos (Israel e Estados Unidos), como os grupos políticos internos que conhecemos pouco e que parecem ser simplificados pelo roteiro do filme. Esse é um conflito cujo lastro histórico demandaria um maior entendimento acerca das forças envolvidas.
Para dirimir a amplitude e complexidade temática abordada em O Caso dos Estrangeiros, o diretor Brandt Andersen opta por uma narrativa francamente sensacionalista, onde as tensões e dramas aparecem com tintas fortes e eivados de um sentimentalismo exacerbado. Sempre desconfio de obras que salientam por demais emoção, pois elas sugerem aspectos racionais estão sendo escamoteados. O velho truque de fazer as pessoas se emocionarem para não pensar, apenas sentir o que está assistindo.
Nota-se o quanto é conveniente para o roteiro de O Caso dos Estrangeiros incluir em quase todas as histórias narradas a presença de crianças. Esse acréscimo infantil facilita a inclusão do elemento emocional e permite um maior e mais fácil envolvimento emocional do espectador à história narrada. Como não se sensibilizar com uma criança em dificuldade ou em delicado estado de saúde?
O Caso dos Estrangeiros é desses filmes apelativos, que partem de panoramas históricos devastados para poder enfiar uma ideologia que fortaleça a ideia de liberdade inspiradoramente estadunidense, vide a história de Marwan (Omar Sy), um traficante inescrupuloso de gente que sonha ir para os Estados Unidos com o filho, vendido por ele como o paraíso da liberdade na Terra. Cinema é assim, Hollywood lhe lança uma flecha enfeitiçada pelos sentimentos mais primários, como o do amor à família, a compaixão e o anseio por liberdade e tenta convencer o público que a felicidade está logo ali, embora esqueça de avisar que a guerra que estamos vendo na tela foi provocada pelo seu próprio país. É de lascar.

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