Texto de Marco Fialho "O Mundo depois de nós", dirigido por Sam Esmail, é um drama político e distópico envolto em um formato de um filme de suspense ao modo M. Night Shyamalan. Durante todo o filme só temos a visão de duas famílias: uma branca formada pelo casal Amanda (Julia Roberts) e Clay (Ethan Haw), com seus dois filhos, e um pai (G.H.) e uma filha (Ruth), ambos negros. Pensar sobre essas perspectiva é importante para início de uma reflexão sobre o filme. Um dos aspectos que mais me agrada no filme é a sua capacidade de promover uma análise profunda sobre as bases que sustentam a atual sociedade norte-americana. A obra pode servir como uma ácida metáfora sobre os valores estruturantes do mundo ocidental do século XXI: o individualismo, o discurso de ódio, o consumo desenfreado, os privilégios de classe, o controle político pelas mídias (TVs, internet, redes sociais), a desconfiança mútua oriunda de uma mentalidade competitiva, agressiva, racista, arrivista e egoísta ...