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O CONDE DE MONTE CRISTO (2024) Dir. Matthieu Delaporte e Alexandre De La Patellière

Texto por Carmela Fialho O filme O Conde de Monte Cristo é um drama aventura baseado no romance homônimo de 1844 de Alexandre Dumas. O filme foi escrito e dirigido por Matthieu Delaporte e Alexandre de La Patellière, e estrelado por Pierre Niney no papel de Edmond Dantès. Essa nova versão para essa famosa história é visualmente primorosa, em especial no trabalho de reconstituição de época, direção de fotografia e direção de arte. O épico investe em personagens carismáticos e planos aéreos bem cuidados com o objetivo de mostrar a grandiosidade das cenas no mar, castelos e propriedades rurais dos nobres. As intrigas do poder político e econômico assumem a trama principal, onde o Conde de Monte Cristo é um misto de herói e vilão que pretende se vingar de sua prisão injusta, fruto de articulações jurídicas dos poderosos nobres franceses que invejavam a sua ascensão à condição de capitão e de desposar uma das mais bonitas jovens da nobreza. O Conde de Monte Cristo conta com atuações marcan...

AINDA ESTOU AQUI (2024) Dir. Walter Salles

Texto por Marco Fialho Tem filmes que antes de tudo se estabelecem como vetores simbólicos e mais do que falar de uma época, talvez suas forças advenham de um forte diálogo com o tempo presente. Para mim, é o caso de Ainda Estou Aqui , de Walter Salles, representante do Brasil na corrida do Oscar 2025. Há no Brasil de hoje uma energia estranha, vinda de setores que entoam uma espécie de canto do cisne da época mais terrível do Brasil contemporâneo: a do regime ditatorial civil e militar (1964-85). Esse é o diálogo que Walter estabelece ao trazer para o cinema uma sensível história baseada no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva. Logo na primeira cena Walter Salles mostra ao que veio. A personagem Eunice (Fernanda Torres) está no mar, bem longe da costa, nadando e relaxando, como aparece também em outras cenas do filme. Mas como um prenúncio, sua paz é perturbada pelo som desconfortável de um helicóptero do exército, que rasga o céu do Leblon em um vôo rasante e ameaçador pela praia. ...

COBERTURA CINEFIALHO DO FESTIVAL VARILUX DE CINEMA 2024

Aqui nessa página você encontra as críticas realizadas pelo CineFialho para os 20 filmes da 15° Edição do Festival Varilux de Cinema Francês - 2024. O SUCESSOR (2024) Dir. Xavier Legrand Crítica: https://cinefialho.blogspot.com/2024/11/o-sucessor-2024-dir-xavier-legrand.html?m=1 __________ AS TRÊS AMIGAS (2024) Dir. Emmanuel Mouret Crítica:  AS TRÊS AMIGAS (2024) Dir. Emmanuel Mouret ___________ A FANFARRA (2024) Dir. Emmanuel Courcol Crítica:  A FANFARRA (2024) Dir. Emmanuel Courcol (cinefialho.blogspot.com) __________ A HISTÓRIA DE SOULEYMANE (2024) Dir. Boris Lojkine Crítica:  A HISTÓRIA DE SOULEYMANE (2024) Dir. Boris Lojkine (cinefialho.blogspot.com) __________ O SOL POR TESTEMUNHA (1960) Dir. René Clément Crítica:  O SOL POR TESTEMUNHA (1960) Dir. René Clément __________ DAAAAAALI! (2024) Dir. Quentin Dupieux Crítica:  https://cinefialho.blogspot.com/2024/11/daaaaaali-dir-quentin-dupieux.html?m=1 __________ O ÚLTIMO JUDEU (2024) Dir. Noé Debré Crítica:...

MALU (2024) Dir. Pedro Freire

Texto por Marco Fialho Malu enquanto obra   acompanha apaixonadamente sua protagonista, que caminha desafiadora em uma linha tênue e cortante entre a insanidade pela qual lutou toda a vida para transformar um país constantemente em frangalhos, e a lucidez de saber que a vida é feita de dureza e perdas. Perante o recrudescimento nos últimos anos do conservadorismo no país, a personagem Malu   investe intransigente e coerentemente contra ele com tintas fortes e contundentes, sem perdoar a nada nem a ninguém, mesmo que a personagem tenha pagado um alto preço pelas suas escolhas. Os anos são os de 1990, mas bem que poderiam ser qualquer um dos nossos últimos anos. Por isso, a nossa fascinação por Malu (uma estupenda Yara de Novaes) é inevitável, e daí a beleza do caos intrínseca à  Malu  ser tão terrivelmente cativante. A todo momento oscilamos tal como a personagem da filha Joana (Carol Duarte, sempre brilhante na sua interpretação) entre querer estar perto e ...

MADAME DUROCHER (2024) Dir. Andradina Azevedo e Dida Andrade

Texto por Marco Fialho Madame Durocher trata da primeira mulher aceita oficialmente como parteira no Brasil e a primeira a ser aceita pela Academia Brasileira de Medicina, isto depois da intervenção direta do Imperador D. Pedro II. Para contar essa importante história sobre um pioneirismo envolvendo um protagonismo feminino, as diretoras Andradina Azevedo e Dida Andrade criaram uma narrativa fluente em tom novelesco, com um acabamento cinematográfico cuidadoso.  Confesso que essa opção por uma narrativa que lembra os filmes seriados me incomoda, em especial, por ir empilhando cenas perfeitamente organizadas e delimitadas em blocos temáticos propositadamente identificáveis. A narrativa se liga por elementos de causa e efeito, assim todas as cenas estão conectadas por uma linha compreensível, quase didática para os espectadores.  Contudo, existe uma força impressionante e inegável nessa história, mesmo que o roteiro mecanize a montagem que segue cronologicamente sem deixar brech...

UMA CARTA A THOMAS HOBBES OU O NOSSO LOBO DO LOBO DO HOMEM DE CADA DIA (Crônica)

Texto por Marco Fialho   Prezado Sr. Thomas Hobbes, Sei que o Sr. viveu no já longínquo século XVII e em seu prestigioso Leviatã  disse que o homem era o lobo do homem, numa referência de que nós humanos somos os maiores inimigos de nós mesmos e propôs o Estado como uma instância de mediação entre os homens, para conter a nossa incontida fúria humana. Caetano Veloso, que o Sr. infelizmente não teve a oportunidade de conhecer, com a sua inteligência e perspicácia tragou para o seu belíssimo e sagaz poema musical Língua  o seu pensamento, propondo que devoremos o lobo humano que existe em nós, mas em nome de uma transformação filosófica visando uma superação mais ontológica do que histórica. Essas questões me levaram a seguinte reflexão: o que Sr. pensaria do nosso mundo atual? Essa sentença me abre um imenso vazio no peito, dado à impossibilidade de se descobrir, sobretudo porque o Sr., que foi um arguto filósofo inglês do seu tempo, não chegou a viver de fato o sistema ca...

BOLERO, A MELODIA ETERNA (2024) Dir. Anne Fontaine

Texto por Marco Fialho Apesar do título apelativo brasileiro, Bolero, a Melodia Eterna , lembrando que o original é apenas Boléro , o filme dirigido pela cineasta Anne Fontaine é marcado por um requinte e um acabamento visuais de grande qualidade. Não que o tom adotado seja o do exagero, muito pelo contrário, na maior parte do tempo há precisão na execução.  O filme de Anne Fontaine esmiúça os preâmbulos da concepção do famoso Bolero de Ravel, além de mostrar as mudanças na rotina de vida do compositor Maurice Ravel depois do sucesso de seu Bolero. Há um visível cuidado da direção nessa reconstrução tanto de época quanto de personagens, todos muito bem desenhados e interpretados, com destaque para o ator Raphaël Personnaz, em um trabalho de composição espetacular, com uma contenção impressionante.  Apesar do trabalho de Fontaine ser impecável, há dois momentos questionáveis, mesmo que sejam de alguma forma compreensíveis. Me refiro ao começo e ao final. No começo, Anne quer mo...

O SUCESSOR (2024) Dir. Xavier Legrand

Texto por Marco Fialho obs. me esforcei para não mencionar nenhum spoiler importante, apenas dados que já se encontram na sinopse do filme.     Depois de surpreender com  Custódia , filme de 2017, o próximo trabalho de Xavier Legrand era aguardado com grandes expectativas. Só agora em 2024, que o diretor traz a público O Sucessor . A primeira palavra que me vem a cabeça após assisti-lo é perturbador. Legrand demonstra ser um arquiteto talentoso, tanto como construtor de planos quanto como criador de tensão e condução da atenção. Sem pressa, o diretor vai enredando o espectador na sua trama maquiavélica.  Elias (Marc-André Grondin) é um estilista de moda em franca ascensão, está prestes a assinar uma grande coleção na companhia que trabalha, quando recebe a notícia da morte do pai, que mora no Canadá, depois de mais de 20 anos sem vê-lo. O título do filme já traz diversas leituras possíveis ao instigar de qual sucessão o filme está a tratar, se é a do trabalho ou...

O ROTEIRO DA MINHA VIDA (2024) Dir. David Teboul

Texto por Marco Fialho No documentário  O Roteiro da Minha Vida , o diretor David Teboul propõe um estudo que traça uma relação direta da vida do diretor François Truffaut com a sua obra. A infância conturbada do diretor francês ganha relevância na narrativa, ocupando metade da duração do filme.  Além das imagens de arquivo, Teboul se utiliza de narrações de cartas trocadas com os pais e com artistas como Jean Genet, todas narradas por atores e atrizes consagrados, como Isabelle Huppert e Louis Garrel. As cartas dão um toque diferente à construção do filme, e que lembram muito as próprias narrativas de Truffaut, que também gostava muito de inseri-las em seus filmes. Na primeira parte, a estrutura proposta por David Teboul funciona muito bem, quando o diretor centra a narrativa em especial na infância de Truffaut e no seu longa de estreia Os Incompreendidos (1959), momento em que a temática autobiográfica toma relevo. As nuances percebidas pelo diretor aqui são visíveis e muito...

MARCELLO MIO (2024) Dir. Christopher Honoré

Texto por Marco Fialho Marcello Mio , dirigido por Christopher Honoré, pode ser lido como uma irreverente história sobre Marcello Mastroianni, ou simplesmente, como uma piada de mau gosto. Fica ao critério do freguês. Mas o fato é que aqui pouco se vê Mastroianni realmente representado, pelo menos com a dignidade que ele merecia. A audácia e a sua personalidade única ficam longe de aparecer em Marcello Mio.    O que, ao meu ver, o diretor Christopher Honoré faz é reafirmar a sua recente pouca inspiração em trabalhos como o decepcionante  Inverno em Paris (2022). Em  Marcello Mio ele conta com a colaboração de Chiara Mastroianni, filha de Marcello e Catherine Deneuve, como sua protagonista. E é bom que se diga que a atriz nada tem a ver com os pontos negativos desta obra.  Marcello Mio mostra o quanto é difícil para Chiara Mastroianni ser filha de dois ícones do cinema europeu. Numa encenação com a diretora Nicole Garcia, essa pede para Chiara ser mais Marcello q...