Pular para o conteúdo principal

TALISMÃ (2026) Dir. Thais Fujinaga


Texto por Carmela Fialho

Talismã conta com a direção de Thais Fujinaga, que também assina o roteiro em parceria com Fernanda Chicolet, que interpreta a protagonista Tereza, uma mãe solo que se mudou do Rio de Janeiro com a filha Pina para Guaíba, no Rio Grande do Sul, para cuidar do pai Antônio que estava doente e precisava de cuidados. O pai é interpretado por Stepan Nercessian, que ajuda a cuidar de Pina enquanto Tereza trabalha ministrando aulas de dança.

A virada da narrativa de Talismã acontece quando Pina, interpretada pela carismática Sophia Fuggacy, se inscreve em um concurso de talentos mirins em Porto Alegre e é selecionada para o teste. A princípio, Tereza resiste à ideia, mas acaba cedendo à vontade de Pina. Os conflitos se iniciam por ocasião do teste, quando Pina demonstrava muita personalidade e acabou entrando em uma briga com outro menino que também estava na disputa. 

Talismã é o nome do concurso, que tinha na primeira etapa uma seleção regional e depois a fase nacional para os finalistas, a ser realizada no Rio de Janeiro. A motivação da pequena e geniosa Pina de seis anos, era se classificar no concurso para voltar para o Rio. Apesar de não ser uma unanimidade por parte dos jurados, Pina se classifica para a etapa regional com dois votos favoráveis e um desfavorável, ao responder a um dos jurados com uma tirada atrevida.

A preparação para passar da etapa regional do Talismã para a nacional, torna-se desgastante tanto para Pina quanto para Tereza que fez a coreografia e ensaiava a filha exaustivamente. Pina tornou-se uma celebridade em Guaíba e a expectativa em torno da menina era enorme. No dia da apresentação ocorrem alguns imprevistos e o resultado não foi o esperado, gerando conflitos entre mãe e filha. Além de uma repercussão negativa nas redes sociais.

O desfecho de Talismã foi bastante criativo e crítico ao aprisionamento dos reality shows que buscam enquadrar os participantes desrespeitando as individualidades e espontaneidade das crianças.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CLOSE-UP (1990) Dir. Abbas Kiarostami

Texto por Marco Fialho "A arte é um sentimento que se experimenta, que o artista desenvolve nele para compartilhar com os outros". Frase que o personagem Sabzian atribui a Leon Tolstói Estudar o cinema de Abbas Kiarostami é mergulhar no imaginário do cinema. Um dos ícones do cinema iraniano dos anos 1980 e 1990, o diretor realizou obras cruciais para o pensamento cinematográfico contemporâneo. Obras como Gosto de Cereja (1997), Onde Fica a Casa do Meu Amigo? (1987), Através das Oliveiras (1994), A Vida e Nada Mais (1992), e outras já produzidas nos século XX1, como Dez (2002), Cópia Fiel (2010) e Um Alguém Apaixonado (2012), todas fundamentais e merecedoras de serem estudadas, não só individualmente, mas também em conjunto para melhor se compreender o pensamento original desse cineasta iraniano, que junto com tantos outros seus contemporâneos, como Mohsen Makhmalbaf, Jafar Panahi e Majid Majidi, formaram a base do que hoje chamamos de cinema iraniano. Mas nesse texto vou come...

O AGENTE SECRETO (2025) Dir. Kleber Mendonça Filho

Texto por Marco Fialho O primeiro registro que faço acerca de  O Agente Secreto é a sua engenhosidade ao construir uma Recife fabular, mergulhada na podridão do passado de um país, que teimosamente tenta se manter de pé. Talvez por isso, uma perna aparentemente a esmo contenha tanta força simbólica, como uma metáfora possível da história de exploração de um povo do qual o contexto lhe é continuamente expurgado. O cinema de gênero dá um tom fantástico ao filme, apesar que ficamos com a impressão que tudo ali possa ser tão verdadeiro quanto o é uma notícia de jornal. Fica a impressão de que a fábula toca no absurdo que chamamos de mundo real.    Kleber Mendonça Filho está pleno na direção, irretocável. É assustador como a montagem provoca o espectador com sua imprevisibilidade e nos convida a acompanhar prazerosamente cada detalhe que está dentro do quadro. De repente, estamos no condomínio Ofir em 1977, até que um corte brusco nos leva para uma sala com computadores, com d...

RETROSPECTIVA VIVIAN OSTROVSKY

Texto por Carmela Fialho Retrospectiva Vivian Ostrovsky "Para mim, cinema experimental significa ter liberdade total - liberdade de duração, de tema, de forma.(...) fazer o que você quer sem se submeter às regras comerciais. São outros valores, não é tanto sobre ser longe da indústria, mas sobre liberdade de criação. De resto, é frustrante ver que hoje o cinema está cada vez mais padronizado, com poucas surpresas".  Vivian Ostrovsky em entrevista inédita a Fernanda Pessoa, extraído do Catálogo do 31º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade 2026. Na retrospectiva Vivian Ostrovsky, assistimos ao programa 2, denominado corpos em trânsito, com os filmes Movie ( V.O.)  (1982); Idas e Vindas   (1984); Copacabana Beach  (1983); Domínio Público  (1996); e U.S.S.A (1985). O que unifica os cinco curtas são as filmagens de corpos humanos em diferentes atividades do cotidiano em várias regiões do planeta, como Estados Unidos, França, Brasil e a antiga União ...