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RADA (2024) Dir. Luis Ara


Texto por Marco Fialho

É muito bonito assistir a um documentário que tem como objetivo fazer com que o trabalho de uma determinada personalidade talentosa pouco conhecida pela maioria, seja expandida. "Rada", dirigido por Luis Ara, é sobre um cantor, músico e compositor uruguaio fantástico e eclético, que tem como base a música mais expressiva do seu país, o Candombe. O filme participa da Mostra "Cine Uruguai - Novos Horizontes, na Caixa Cultural RJ.

"Rada" reconstitui a vida musical de Ruben Rada, também conhecido por Negro Rada, e o faz de maneira afetiva, por meio de músicos, cantores e familiares, por meio de depoimentos antigos e atuais. O filme também se utiliza de imagens de shows que o artista fez não só no Uruguai, mas ainda na Argentina e México. O documentário mostra o quanto Rada é respeitado pelo meio artístico e pelo público que lotava suas apresentações.

O envolvimento da família é um dos pontos mais salientados pela direção, lembrando que a esposa se tornou sua produtora enquanto seus três filhos integraram sua banda durante alguns momentos da carreira. Esse fato por si acentua um toque precioso de afetividade que se sente no decorrer do documentário. A alegria, o carinho e o espírito coletivo de Rada é destacado por todos que o cercam, o que faz o filme reafirmar uma imagem de muita positividade como ser humano.

"Rada" também mostra a construção da carreira dele, que inicia com participações em grupos como O Quinto e OPA, entre outras. Luis Ara trabalha com a faceta eclética de Rada, um verdadeiro caldeirão de influências que passa pelo jazz, o R&B, o soul, o rock, e claro, o Candombe e os ritmos latinos como a rumba e o mambo. Em 1980, o música parte para uma carreira solo, o que sedimentaria de vez o seu sucesso.         

Luis Ara explora com muito assertividade a carreira de Rada por meio de alguns álbuns expressivos, o que confere um viés musical importante para a sua abordagem. Não que a vida pessoal não seja acalentada no documentário, ainda mais que a presença dos filhos e esposa é marcante, assim como a difícil tarefa de ter um pai que precisa do deslocamento para sobreviver de sua arte. Rada circula um tempo na Argentina e no México, para acaba voltando para Montevidéu, local onde é conhecido pelo público.

Hugo Fattoruso, músico que igualmente está em exibição na Mostra Cine Uruguai com um documentário sobre ele, aparece para falar sobre Rada e o OPA, grupo que acolheu Rada em seu segundo álbum. "Rada" é uma justa homenagem, além de eternizar esse músico espetacular que partiu desse mundo recentemente, em agosto de 2026, mas que deixou um legado de talento e alegria para todos.       

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