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OS MODERNOS (2016) Dir. Mauro Sarser e Marcela Matta


Texto por Marco Fialho

"Os Modernos", filme dirigido pela dupla Mauro Sarser e Marcela Matta (Morto com Glória) e inserido na Mostra "Cine Uruguai - Novos Horizontes" na Caixa Cultural RJ aborda a vida amorosa e profissional de um grupo de jovens adultos de classe média, numa Montevidéu intensa e urbana. É interessante ver esse Uruguai do agito, das noitadas, imerso nas relações amorosas mais fluidas. 

Clara (Noelia Campo) e Fausto (Mauro Sarser) formam o casal em crise, ela quer ter um filho enquanto ele quer passar longe dessa ideia. Entre idas e vindas, o casal experimentam novas experiências, entre o trisal, uma relação lésbica e uma nova relação para Fausto com Fernanda (Marie HélèneWyaux), uma mulher uruguaia que trabalha em Buenos Aires. No meio do caminho entra na trama Ana (Stefania Tortorella), uma mulher lésbica com uma relação em crise e que se aproxima de Clara. 

"Os Modernos" centra muito de sua narrativa em torno de Fausto, um homem jovem que trabalha como roteirista e se impõe como uma personalidade egoísta, que sempre se coloca como prioridade sobre todas as pessoas e situações. Em alguns momentos, os diretores encenam intenções extremadas que passam pela cabeça de Fausto, como por exemplo, a de imaginar a decapitação da cabeça do ex-marido de Clara.           

A câmera de "Os Modernos" oscila entre ficar fixa e se movimentar elegantemente em panorâmicas, se colocando à disposição dos personagens. Como esse é um filme muito dependente do trabalho dos atores, os diretores usam muitos planos próximos, apenas interrompidos quando a ação se passa pela cidade, onde se tornam mais gerais.

Esse viés, de mostrar a cidade de Montevidéu, a transforma em uma personagem mais quente do que habituamos ver em outras obras em que passa uma atmosfera mais para a calmaria. Por isso, "Os Modernos" abusa das festas, dos encontros movidos pela bebida alcóolica e pelas paqueras. A efervescência é um dos motes do filme, que trabalha com um certo equilíbrio de comportamentos, já que a trama não descamba jamais para uma movimentação descontrolada e se escora em um P&B à altura, sem excessos de contrastes.

Mesmo que "Os Modernos" se prolongue além do necessário em sua duração, o que causa um cansaço na parte final, especialmente porque algumas situações se repetem por demais, no todo, essa é uma obra que faz um ousado painel geracional, sobretudo no que tange aos comportamentos sexuais, em um invólucro narrativo sólido e maduro dessa promissora dupla de diretores.    


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