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MESTRE ZU (2026) Dir. Zelito Viana


Texto por Marco Fialho

É sempre louvável assistir documentários sobre personalidades que são exemplares em seu ramo de atuação, além de talentosos. É o caso do jornalista Zuenir Ventura, no filme "Mestre Zu", dirigido pelo proeminente cineasta Zelito Viana, em codireção com Luciana Savaget.

O documentário até aborda fatos antigos da vida de Zuenir Ventura, embora os diretores não se apeguem tanto a eles, preferindo focar mais nos depoimentos de diversos amigos, a maioria igualmente jornalistas, que compartilham seus aprendizados e as rotinas com o experiente e competente profissional. Inclusive, o filme se inicia com uma inusitada discussão entre a direção e os convidados sobre qual abordagem fazer em relação ao escritor homenageado. 

Fundamentalmente, é possível argumentar o seguinte: que "Mestre Zu" mais do que um mero documentário, é sobretudo uma homenagem. Isso fica evidente nos nomes escolhidos para dar depoimentos, caso de Joaquim Ferreira dos Santos, Regina Zappa, Miriam Leitão, Marco Camaroti, Anselmo Gois e Nelson Motta, para apenas citar alguns, além da fala de familiares, como a irmã, os filhos Elisa e Mauro, sendo esse último, Mauro Ventura que herdou a carreira de jornalista do pai. As histórias contadas passam pela família, bastidores da imprensa, matérias especiais e pelos livros escritos por Zuenir. 

Como era de esperar, os livros ocupam um lugar cativo no documentário, com destaque para os seus dois maiores sucessos: "1968: o ano que não terminou" e "Cidade Partida". Ambos são abordados com um nível maior de detalhes, o primeiro discorre sobre o ano mais efervescente da história do país, e o segundo, levanta uma tese de que a cidade do Rio de Janeiro estava cindida entre o asfalto e a favela. Os entrevistados são unânimes em apontar o quanto Zuenir adicionou ao texto jornalístico uma graciosa e bem-vinda dose literária, algo que o destacava dos demais de sua profissão.

Contudo, a parte mais interessante de "Mestre Zu" é quando assistimos imagens de arquivo sobre as suas projetos jornalísticos especiais, que resultaram em trabalhos muito consistentes dentro do jornalismo, como a viagem ao Acre para conhecer a defesa que o seringueiro e militante ecológico Chico Mendes realizava em plena floresta amazônica, embora haja um estranhamento não se citar em nenhum momento que o ativista político de Xapurí pertencia ao PT, o partido que há mais de 40 anos é um dos maiores e mais sólidos do país.   

"Mestre Zu" desdobra como consequência dessa empreitada no norte do país, um momento de grande humanidade de Zuenir Ventura, quando recebe em sua casa no Rio de Janeiro o menino Genésio, uma importante testemunha do assassinato de Chico Mendes e ameaçado de morte pelos assassinos, fato esse que talvez fale muito mais dele do que todos os depoimentos dos amigos. 

"Mestre Zu" é um documentário produzido pela Globo News e filmado com carinho por Zelito Viana e Luciana Savaget, e que se constrói pelo acalanto de vários amigos que Zuenir cultivou em mais de 50 anos de carreira. O resultado é um filme amoroso, realizado por admiradores, captado sem maiores ousadias, normalmente com depoimentos frontais tomados por Walter Carvalho, diretor de fotografia e cameraman, mas que coaduna com a proposta de falar de um homem que contrariando a máxima de Nelson Rodrigues, foi uma unanimidade inteligente.       

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