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HELENA! CINEMA! (2025) Dir. Cavi Borges e Christian Caselli


Texto por Marco Fialho

Helena! Cinema! é um tributo à obra e a personalidade da artista genial que é Helena Ignez. Os diretores Cavi Borges e Christian Caselli partem de uma entrevista para organizarem um painel afetivo sobre essa mulher revolucionária e intensa, que vive o cinema e as artes de corpo e alma desde muito cedo.

Cavi e Caselli mesclam a entrevista, realizada ainda durante o Governo Bolsonaro, com imagens de Helena Ignez em vários momentos diferentes da carreira tendo a voz magnética de Patrícia Niedermeier em um texto poeticamente calculado e certeiro, daqueles que atingem o cerne da beleza da artista múltipla e original. Conforme o título evoca, cinema rima com Helena, e essa combinação está para além das coincidências linguísticas, ela é muito mais, é essência.

Como pensar Helena! Cinema! sem os dois pontos de exclamações que o título carrega. Ambas palavras trabalham assertivamente a ideia desse documentário que mistura o informativo ao poético. É a própria Helena Ignez que disserta sobre a sua vida como artista, que descreve a insinuante passagem de atriz para diretora, processo natural, já que ela sempre pensou a forma cinematográfica em suas criações como atriz.

Como fugir das influências de Glauber e Sganzerla, diretores com os quais se relacionou e que estão no panteão do cinema brasileiro? Mas o filme não se restringe a isso, vai além ao mostrar a relação direta de Helena Ignez com o tema do feminino e de outras discussões que permeiam a crítica contemporânea à sociedade patriarcal. Por mais que esses temas fossem intrínsecos à obra de Sganzerla, a preocupação direta e explícita se evidenciou na obra de Helena Ignez como diretora. 

Helena! Cinema! reafirma o cinema de invenção no qual a artista Helena Ignez se filia. Desde os anos 1960, passando pelos anos 1970, a passagem pela Belair, produtora que alavancou filmes preciosos como A Família do Barulho (1970) e Sem Essa, Aranha (1970), dirigidos por Bressane e Sganzerla, respectivamente. Helena foi a grande estrela dessa época, com sua deliberada entrega ao projeto inovador de se fazer cinema independente no Brasil e que jamais se curvou em realizar filmes narrativos para o deleite do conservador mercado exibidor.

O grande mérito de Cavi e Caselli é retratar a alma independente de Helena Ignez tanto como atriz como posteriormente como diretora. Mostrar a coragem dessa mulher que até hoje balança as estruturas estabelecidas do que é aceito como cinema pelo mercado. Helena Ignez é mais e maior do que tudo isso e o filme aposta nessa assertiva, pelo menos para o nosso bem como espectadores.

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