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NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS (2025) Dir. Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel


Texto por Marco Fialho

A primeira sequência de Não Existe Almoço Grátis cria uma ilusão de que veremos um filme poético sobre o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto). Nela vemos uma senhora apegada em um punhado de terra, o que instaura uma dúvida no espectador acerca do porque ela estaria fazendo aquele ato. Mas o que vem depois não ultrapassa o descritivo, passamos a acompanhar a rotina de Bizza, Jurailde e Socorro, três mulheres negras da favela Sol Nascente, no Distrito Federal, que juntas fundaram um movimento de cozinha solidária. 

Não Existe Almoço Grátis se passa depois da vitória de Lula em 2022 até a sua 3ª posse como presidente da república em janeiro de 2023. O dispositivo é simples, a câmera acompanha a experiência das três personagens e registra a visão delas sobre o processo de realizar a cozinha solidária, um trabalho que distribui refeições para quem tem fome ou vive em situação de vulnerabilidade. 

Não se discute a importância da temática de Não Existe Almoço Grátis, de oferecer a visão de três mulheres negras que participam de um importante projeto social. Mas se pensarmos em termos cinematográficos, o documentário carece de criatividade, seja no uso da câmera seja na própria abordagem. Não tem como negar o aumento da fome durante o governo Bolsonaro, o que torna esse trabalho das três militantes crucial para a retomada do fome zero.

A cada nova cena vai se aproximando o dia da posse de Lula, mas o o que vemos é o trabalho das três militantes na cozinha, que mescla com suas expectativas ou alguma fala sobre suas vidas, em especial no MTST. A posse é, como esperado, o ápice do filme e quando esse momento chega o discurso político se aflora e a alegria também. 

Enquanto registro, Não Existe Almoço Grátis é interessante, embora não passe muito disso. O documentário se mostra até bastante cansativo, e somente no fim ganha um gás a mais. Parece mais um produto televisivo do que um documentário profundo. Por mais que as personagens despertem interesse, não chegam a empolgar. É muito enfoque na política e pouco no cinema.     
   

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