Texto por Marco Fialho
Champagne - Uma Viagem de Pai e Filho, dirigido por Tim Kamps, faz parte de um grupo de filmes que se encaixam em uma fórmula narrativa esperta, que agrada o público com mensagens edificantes do quanto viver vale à pena, especialmente se for ao lado da família. Nada mais clichê no cinema do que isso.
Champagne - Uma Viagem de Pai e Filho é um filme agradável de assistir? Com certeza é, embora vá ao encontro de uma ideia de que o cinema precisa fornecer elementos acalentadores do cisma que ocorre nas famílias contemporâneas, em que parentes próximos não sabem nada sobre a vida dos seus entes mais queridos e quase não participam mais da vida deles, pois estão afundados no trabalho e nas diversas atribuições cotidianas.
A trama é para lá de manjada. Um pai anuncia que está com uma doença terminal e o filho resolve ir com ele até a cidade de Champagne, o que se configura como o maior desejo do pai. O filme se transforma em um road movie com ambos indo em direção à cidade conhecida pelas famosas bebidas borbulhantes. Entre hotéis e bebidas pai e filho começam a tatear uma relação quase inexistente até então.
Entre dramas e algumas pitadas de humor, Champagne - Uma Viagem de Pai e Filho avança apelativamente, com todas as cartas tanto as cinematográficas quanto as da trama bem marcadas, como se esperássemos cena a cena os desfechos para lá de esperados. A produção do filme é holandesa, mas tudo lembra algumas produções melosas que ultimamente andam abundando no cinema francês. Há quem queira e anseie pela previsibilidade e conforto nos filmes e irá curtir, mas quem espera do cinema um algo a mais, vai sentir enfado.
Não há, em todo o filme, um plano criativo sequer ou que estimule o espectador a se surpreender de alguma forma. As interpretações engrossam a fileira da previsibilidade e faz de Champagne - Uma Viagem de Pai e Filho algo morno e sem sal. Para quem busca mensagens edificantes, esse é o filme ideal, que lança a ideia de que sempre vale à pena começar a viver. Até aí, morreu Neves.

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