O primeiro panorama anunciado foi o da temática, que os curadores chamam nesta edição de "Cinema Mutirão", cuja proposta é discutir filmes produzidos durante os anos de pandemia e de crise de incentivos institucionais, onde a organização de coletivos e mutirões mantiveram e garantiram a sobrevivência do cinema independente brasileiro.
O segundo panorama divulgado pela Universo Produções, responsável pela mostra de Tiradentes, foi a homenagem, em que a jovem dupla Glenda Nicácio e Ary Rosa terão seus filmes exibidos e debatidos. Ambos vem se destacando nas últimas edições da mostra, com filmes como "Café com Canela" (2017), "Ilha" (2018), "Até o fim" (2020) e "Voltei" (2021), além dos recentes "Na rédea curta" e "Mugunzá", ambos de 2022. O viés periférico dos personagens é uma das marcas da dupla de realizadores que se revelaram e logo se consagraram no curso de cinema da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo Baiano).
A primeira mostra competitiva anunciada foi a Aurora. Alguns diretores expressivos do cinema independente brasileiro podem ser ali destacados, como João Dumans (As linhas da minha mão), Leonardo Mouramateus (A vida são dois dias), Rafael Saar (Peixe Abissal), e outros mais novos como Tiago A. Neves (Cervejas no escuro), a dupla Nathalia Tereza e Tomás Osten, Amanda Devulsky (Vermelho bruto) e João Maria Peixoto (Xama punk). A mostra é conhecida por selecionar diretores com no máximo 3 longas na carreira e com uma estética marcada pelo risco.
A segunda mostra competitiva é a Olhos Livres.
São 6 obras inéditas que serão exibidas: "A alegria é a prova dos nove" (Helena Ignez), "Alegorias" (Leonel Costa), "Cambaúba" (Cris Ventura), "O cangaceiro da moviola" (Luís Rocha Melo), "O canto das amapolas" (Paula Gaitán), "Terruá Pará" (Jorane Castro). Essa mostra, traz dois cânones do nosso cinema, a nossa eterna musa do cinema independente Helena Ignez e a sempre talentosa Paula Gaitán. Mas traz ainda diretores e diretoras competentes como Luís Rocha Melo e a paraense Jorane Castro que já nos entregou o ótimo "Para ter onde ir" (2016) e Leonel Costa que volta à Mostra de Cinema de Tiradentes que há 4 anos atrás esteve presente com o longa "Corpo Quilombo". Outra diretora que volta a exibir um filme em Tiradentes é Cris Ventura que já havia exibido em 2016 o longa "Nas minhas mãos eu não quero pregos".
E atenção para as novidades, porque essa edição da mostra tem muitos mais debates, tem uma mostra de WIP (Work In Progress), muitas rodas de conversa, ainda tem o Fórum de Tiradentes que discutirá políticas para o audiovisual e elaborará uma carta ao final do mesmo. Esse ano também teremos exibição de filmes produzidos em Tiradentes, além de várias masterclass que prometem muito.
Para encerrar essa matéria, quero compartilhar o link da mostra, para quem quiser mergulhar nesse mar caudaloso que é a programação de uma das mostras mais profícuas e inovadoras do nosso circuito de festivais, realizada sempre tradicionalmente na última semana de janeiro. Fora as mostras que eu mencionei acima, tem outras como a Foco Minas, Mostra Praça e outras atividades como debates e oficinas. Um bom proveito pra vocês.
https://mostratiradentes.com.br/

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