Pular para o conteúdo principal

VEM AÍ!!! MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES 2023



A Mostra de Cinema de Tiradentes é conhecida como a que abre o circuito de festivais de cinema no Brasil, sempre em janeiro. Em 2023 acontecerá de 20 a 28 de janeiro. Mas o que a torna imperdível é muito mais do que o fato inaugural, prefiro enfatizar a ousadia apresentada nos filmes selecionados, as narrativas desafiadoras e muitas vezes surpreendentes. Nas exibições dos longas, duas mostras competitivas e dois panoramas temáticos conformam a base da programação: a mostra homenagem; a mostra temática; e as competitivas Olhos Livres e a tradicional Aurora, nos quais os agraciados recebem o cobiçado troféu Barroco. 

O primeiro panorama anunciado foi o da temática, que os curadores chamam nesta edição de "Cinema Mutirão", cuja proposta é discutir filmes produzidos durante os anos de pandemia e de crise de incentivos institucionais, onde a organização de coletivos e mutirões mantiveram e garantiram a sobrevivência do cinema independente brasileiro. 

O segundo panorama divulgado pela Universo Produções, responsável pela mostra de Tiradentes, foi a homenagem, em que a jovem dupla Glenda Nicácio e Ary Rosa terão seus filmes exibidos e debatidos. Ambos vem se destacando nas últimas edições da mostra, com filmes como "Café com Canela" (2017), "Ilha" (2018), "Até o fim" (2020) e "Voltei" (2021), além dos recentes "Na rédea curta" e "Mugunzá", ambos de 2022. O viés periférico dos personagens é uma das marcas da dupla de realizadores que se revelaram e logo se consagraram no curso de cinema da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo Baiano). 

A primeira mostra competitiva anunciada foi a Aurora. Alguns diretores expressivos do cinema independente brasileiro podem ser ali destacados, como João Dumans (As linhas da minha mão), Leonardo Mouramateus (A vida são dois dias), Rafael Saar (Peixe Abissal), e outros mais novos como Tiago A. Neves (Cervejas no escuro), a dupla Nathalia Tereza e Tomás Osten, Amanda Devulsky (Vermelho bruto) e João Maria Peixoto (Xama punk). A mostra é conhecida por selecionar diretores com no máximo 3 longas na carreira e com uma estética marcada pelo risco. 

A segunda mostra competitiva é a Olhos Livres. 
São 6 obras inéditas que serão exibidas: "A alegria é a prova dos nove" (Helena Ignez), "Alegorias" (Leonel Costa), "Cambaúba" (Cris Ventura), "O cangaceiro da moviola" (Luís Rocha Melo), "O canto das amapolas" (Paula Gaitán), "Terruá Pará" (Jorane Castro). Essa mostra, traz dois cânones do nosso cinema, a nossa eterna musa do cinema independente Helena Ignez e a sempre talentosa Paula Gaitán. Mas traz ainda diretores e diretoras competentes como Luís Rocha Melo e a paraense Jorane Castro que já nos entregou o ótimo "Para ter onde ir" (2016) e Leonel Costa que volta à Mostra de Cinema de Tiradentes que há 4 anos atrás esteve presente com o longa "Corpo Quilombo". Outra diretora que volta a exibir um filme em Tiradentes é Cris Ventura que já havia exibido em 2016 o longa "Nas minhas mãos eu não quero pregos". 

E atenção para as novidades, porque essa edição da mostra tem muitos mais debates, tem uma mostra de WIP (Work In Progress), muitas rodas de conversa, ainda tem o Fórum de Tiradentes que discutirá políticas para o audiovisual e elaborará uma carta ao final do mesmo. Esse ano também teremos exibição de filmes produzidos em Tiradentes, além de várias masterclass que prometem muito.

Para encerrar essa matéria, quero compartilhar o link da mostra, para quem quiser mergulhar nesse mar caudaloso que é a programação de uma das mostras mais profícuas e inovadoras do nosso circuito de festivais, realizada sempre tradicionalmente na última semana de janeiro. Fora as mostras que eu mencionei acima, tem outras como a Foco Minas, Mostra Praça e outras atividades como debates e oficinas. Um bom proveito pra vocês.
https://mostratiradentes.com.br/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CLOSE-UP (1990) Dir. Abbas Kiarostami

Texto por Marco Fialho "A arte é um sentimento que se experimenta, que o artista desenvolve nele para compartilhar com os outros". Frase que o personagem Sabzian atribui a Leon Tolstói Estudar o cinema de Abbas Kiarostami é mergulhar no imaginário do cinema. Um dos ícones do cinema iraniano dos anos 1980 e 1990, o diretor realizou obras cruciais para o pensamento cinematográfico contemporâneo. Obras como Gosto de Cereja (1997), Onde Fica a Casa do Meu Amigo? (1987), Através das Oliveiras (1994), A Vida e Nada Mais (1992), e outras já produzidas nos século XX1, como Dez (2002), Cópia Fiel (2010) e Um Alguém Apaixonado (2012), todas fundamentais e merecedoras de serem estudadas, não só individualmente, mas também em conjunto para melhor se compreender o pensamento original desse cineasta iraniano, que junto com tantos outros seus contemporâneos, como Mohsen Makhmalbaf, Jafar Panahi e Majid Majidi, formaram a base do que hoje chamamos de cinema iraniano. Mas nesse texto vou come...

O AGENTE SECRETO (2025) Dir. Kleber Mendonça Filho

Texto por Marco Fialho O primeiro registro que faço acerca de  O Agente Secreto é a sua engenhosidade ao construir uma Recife fabular, mergulhada na podridão do passado de um país, que teimosamente tenta se manter de pé. Talvez por isso, uma perna aparentemente a esmo contenha tanta força simbólica, como uma metáfora possível da história de exploração de um povo do qual o contexto lhe é continuamente expurgado. O cinema de gênero dá um tom fantástico ao filme, apesar que ficamos com a impressão que tudo ali possa ser tão verdadeiro quanto o é uma notícia de jornal. Fica a impressão de que a fábula toca no absurdo que chamamos de mundo real.    Kleber Mendonça Filho está pleno na direção, irretocável. É assustador como a montagem provoca o espectador com sua imprevisibilidade e nos convida a acompanhar prazerosamente cada detalhe que está dentro do quadro. De repente, estamos no condomínio Ofir em 1977, até que um corte brusco nos leva para uma sala com computadores, com d...

RETROSPECTIVA VIVIAN OSTROVSKY

Texto por Carmela Fialho Retrospectiva Vivian Ostrovsky "Para mim, cinema experimental significa ter liberdade total - liberdade de duração, de tema, de forma.(...) fazer o que você quer sem se submeter às regras comerciais. São outros valores, não é tanto sobre ser longe da indústria, mas sobre liberdade de criação. De resto, é frustrante ver que hoje o cinema está cada vez mais padronizado, com poucas surpresas".  Vivian Ostrovsky em entrevista inédita a Fernanda Pessoa, extraído do Catálogo do 31º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade 2026. Na retrospectiva Vivian Ostrovsky, assistimos ao programa 2, denominado corpos em trânsito, com os filmes Movie ( V.O.)  (1982); Idas e Vindas   (1984); Copacabana Beach  (1983); Domínio Público  (1996); e U.S.S.A (1985). O que unifica os cinco curtas são as filmagens de corpos humanos em diferentes atividades do cotidiano em várias regiões do planeta, como Estados Unidos, França, Brasil e a antiga União ...