Texto por Marco Fialho
O documentário Toquinho - Encontros e um Violão, dirigido por Erica Bernardini, opta por uma abordagem mais afetiva do que biográfica do famoso compositor paulista. Os momentos tanto da infância quanto da carreira profissional em si são narrados pelo próprio Toquinho ou por familiares e amigos. Esse é um traço fundamental do filme, proporcionar um mergulho no talento do artista como compositor e instrumentista.
Erica Bernardini constrói sobre Toquinho uma visão muito próxima, calcada pelos depoimentos do irmão João e de artistas próximos a ele, como Carlinhos Vergueiro, Pedro Bial, Ornella Vanoni, Andreas Kisser, Jane Duboc, Eduardo Gudin, Roberto Rivellino, Amilson Godoy, entre outros. Há uma primazia dos depoimentos filmados na atualidade, enquanto o material de arquivo é usado pontualmente em algumas situações, especialmente na fase áurea do artista, quando firmou parceria com Vinícius de Moraes, um dos maiores poetas brasileiros e famoso por letrar músicas de compositores do tamanho de Tom Jobim.
O foco de Erica Bernadini na atualidade recai numa entrevista realizada exclusivamente para o documentário, com Toquinho acompanhado do seu violão, comentando fatos decisivos da carreira e cantando músicas das quais citava na conversa. Essa simplicidade narrativa pode não trazer grandes impactos para o resultado, mas garantiu uma maior aproximação com o personagem, que pode falar com desenvoltura sobre ele e a longa carreira, uma estratégia sem riscos e voltada para os admiradores do artista.
Durante os 75 minutos, Toquinho - Encontros e um Violão abrange: infância com a família; a descoberta do talento para o violão; a amizade desde a adolescência com Chico Buarque; a parceria com Vinícius de Moraes; o sucesso; as idas e vindas bem-sucedidas na Itália; a vida musical após a morte de Vinícius de Moraes; e a história dos principais sucessos. Esse é o painel que a diretora costura com muita habilidade por meio de uma montagem alvissareira, que sustenta o filme com uma boa história e boas músicas.
Por todas as características já descritas, o filme destaca o caráter praticamente irretocável de Toquinho, sua generosidade com novos artistas, a simplicidade do viver, o gosto pelo futebol e a facilidade para fazer amizades, oriunda de uma elegância inata para lidar com o outro. Essa positividade excessiva irá agradar aos fãs, embora possa suscitar uma desconfiança em um público que não tenha tanta familiaridade com o artista, devido às inúmeras qualidades descritas pelo documentário. Enquanto não houver contestações, fiquemos então com essa visão iluminada sobre o autor das célebres e belíssimas canções Tarde de Itapoã e Aquarela, oferecida com singeleza por Erica Bernardini.

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