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ERUPCJA (2025) Dir. Pete Ohs


Texto por Marco Fialho

A palavra central de Erupcja é conexão, ou a falta dela, porque às vezes para ocorrer uma conexão é necessário contraditoriamente haver uma desconexão. O filme possui rompantes de ousadias narrativas, embora esses aspectos não passem de maneirismos sem maiores efeitos no que é narrado. A história nasce numa viagem do casal inglês Bethany (a cantora Charli XCX) e Rob (Will Maddden) a Varsóvia, com o acontecimento de surpresas que abalará essa relação amorosa. 

Varsóvia é apresentada como uma cidade ideal para o amor, uma espécie de Paris do leste europeu e a cidade espiritualmente é representada por Nel (Lena Gora), uma florista lésbica que possui uma relação instável com Ula (Agata Trzebuchowska) uma quase namorada, com quem tem idas e voltas regulares, e que trava amizade com Claude (Jeremy O. Harris), um artista plástico festeiro e volteado de vários amigos. No meio de tudo isso tem uma erupção do vulcão Etna na Itália, um fenômeno natural que alterará os espíritos de Bethany e Nel, que vem construindo uma amizade amparada por encontros animados e noitadas intermináveis.      

Mas Erupcja promete mais do que entrega e a radicalidade das relações não são assim tão extremadas, e o clima morno parece contagiar a trama. O maior estrago acontece na relação do casal Bethany e Rob, este último acredita ilusoriamente que a relação com a namorada está evoluindo para um sólido casamento, enquanto Bethany confessa para a amiga que falta erupção entre eles. O filme é também sobre as relações fluidas desse nosso mundo contemporâneo, onde as certezas são trocadas pelas vivências, pelo ato de viver o presente ao invés de se planejar o futuro. A que devemos nos conectar para sermos felizes? Essa é uma pergunta que está a flutuar entre alguns personagens.  

A narrativa às vezes lembra as comédias francesas de costume, em que um narrador desconhecido descreve em off características ou fatos da vida dos personagens. Ao invés desse artifício soar inovador ele pressupõe um sentimento de deja vú no espectador, do tipo eu já vi esse filme. Talvez um excesso de leveza atrapalhe pretensões maiores de Erupcja. A câmera, apesar de estar sempre na mão ela não causa estranhamento e sim empatia com os personagens, o que faz com que o filme seja por demais morno. Mesmo que os personagens mostrem uma conexão frágil entre si, a narrativa não se impõe, se mostra frouxa e sem rigor. Os personagens são frios e nada cativantes, chegam mesmo a ser insossos.  

Há em Erupcja uma força desejante interessante que nos prende e nos incita a querer conhecer mais sobre aqueles personagens. Especialmente Bethany possui comportamentos imprevisíveis que impulsionam a história e que impedem que a mesmice prevaleça. Mas chega a um momento em que o inesperado dela não é mais tão surpreendente assim e que torna o enredo previsível, o que faz esfriar novamente a narrativa do filme. A direção de Pete Ohs não permite que Bethany realmente mostre a força que faça jus ao seu gérmen rebelde e ao seu desejo de liberdade, que parece emperrado, até quando seus atos tendem à ousadia.      

Talvez o título Erupcja seja o que torne o filme algo decepcionante, pois desde o início tem-se a impressão que algo explosivo acontecerá na mesma proporção do tal fenômeno da natureza, o que efetivamente não ocorre. Erupcja flui como uma sessão da tarde plácida e estilosa, um tipo de entretenimento superficial bom para distrair mas que não aprofunda as relações que estão postas, nem para detoná-las nem para ratificá-las. Esse é um cinema que quer ser, mas não consegue se soltar verdadeiramente e que fica mais na intenção do que na efetividade. E olha que a Polônia já nos surpreendeu e encantou mais no passado, com obras do calibre de um Polanski, Kieslowski, Zulawski e de um Wajda.  

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