Texto por Marco Fialho
Dá sempre um frio na barriga quando temos pela frente um filme sobre o nazismo que transcorre durante a segunda guerra mundial, ainda mais depois das incontáveis histórias já contadas sobre o tema no cinema. Então, o desafio primeiro é saber qual história veremos e se ela acrescentará algo ao que já sabemos. Nesse ponto, Verdade e Traição traz para o espectador uma história verídica desconhecida, a de um grupo de 4 amigos alemães que entram em conflito com o regime nazista.
O filme parte de uma história verídica, tendo Helmuth Hübener (Ewan Horrocks) como um adolescente muito inteligente, capaz de escrever com facilidade sobre temas históricos e políticos. A época em que a trama se desenvolve é o auge do regime nazista, quando a perseguição aos judeus chega a um nível intolerável. O que desperta a ira de Helmulth é a prisão arbitrária do seu amigo Salomon (Nye Occomore) e que leva o rapaz a denunciar em panfletos os abusos, o autoritarismo e a violência dos nazistas.
O diretor Matt Whitaker realiza uma obra correta, com uma produção esmerada e caprichada visualmente. Se a narrativa se desenha como convencional, sem riscos e sem ousadias, o que faz com que Verdade e Traição seja agradável de ser vista, amparada por interpretações sólidas embora previsíveis.
A direção acaba por enfocar mais no suspense da trama, em que o público aguarda a possível prisão do subversivo Helmulth ou de seus dois amigos Rudi (Daf Thomas) e Karl (Ferdinando McKay), que o ajudam a espalhar as mensagens antinazistas dos panfletos. Lá pelo fim, Verdade e Traição evoca uma ideia infeliz, de que a rebeldia de Helmulth ocorreu mais pela amizade ao seu amigo Salomon do que por sua consciência política, o que retira a potência política da proposta.
Erwin (Rupert Evans) é o oficial nazista que se esforçará para pegar o rebelde que anda insuflando o povo contra o regime e sua determinação nessa captura se dará também mais por uma questão pessoal do que a uma crença política em relação ao nazismo. Esses são detalhes que fragilizam sobremaneira as intenções do filme, que cria situações onde a emoção, o heroísmo e a dramatização das relações se sobrepõe a própria história em si.
Se Verdade e Traição possui uma história diferente dentro do batido tema do nazismo, afinal a luta contra o abominável sistema de Hitler se faz por cidadãos alemães e não por soviéticos ou estadunidenses, o seu calcanhar de Aquiles está na sua falta de ousadia e na sua narrativa convencional que não propõe nenhum diferencial estilístico para contar uma história desconhecida e importante de se chegar ao público em geral. A linearidade do filme e sua despolitização exacerbada acabam por enfraquecê-lo assim que a história se encerra, mesmo que julguemos fundamental se trazer à baila uma ideia de resistência à imbecialização do nazismo.

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