Texto por Carmela Fialho
O filme Nuremberg, dirigido por James Vanderbilt, é um drama baseado no livro "O Nazista e o Psiquiatra" de Jack El-Hai. Inclusive o título que melhor se adequaria ao filme seria o do livro, pois a trama principal é a relação entre o psiquiatra americano Douglas Kelley (Rami Malek) avaliando o chefe do alto comando nazista, o Marechal Hermann Göring (Russell Crowe). Os outros líderes nazistas e o próprio julgamento de Nuremberg servem de pano de fundo para esse dramalhão que procura humanizar esse cruel líder e sua linda esposa e filha.
A fotografia utilizada no filme prioriza o colorido para as cenas do drama e o preto e branco para as cenas do julgamento e as imagens de arquivo dos campos de concentração nazista apresentadas no julgamento.
O Marechal do Reich Hermann Wilhelm Göring, comandante em chefe da Luftwaffe (força aérea alemã) e principal figura nazista durante o julgamento de Nuremberg, teve na interpretação de Russel Crowe um dos raros momentos do filme em que o personagem consegue transparecer a dubiedade e utilização da inteligência para enganar o psiquiatra, que achava que o estava ludibriando. Perigosa argumentação do roteiro, que perpassa a ideia de que os nazistas eram mais inteligentes que os seus adversários. Fato que não corresponde totalmente a História, já que os nazistas apesar de chegarem ao poder e começarem ganhando a Segunda Guerra Mundial,foram derrotados pelos exércitos norte-americanos e soviéticos.
Apesar do filme abordar uma temática já bastante discutida, traz algumas contribuições na questão da avaliação da psiquê do líder nazista. Além de nunca ser demais relembrar o significado do nazifascismo e seus desdobramentos na atualidade. Uma das conclusões que o psiquiatra chega é a de que o líder nazista nada mais era que um homem como qualquer outro, com a diferença que tinha o poder nas mãos. Outra conclusão foi que no próprio EUA tinham seguidores do nazismo, mesmo após a morte de Hitler, o que mostra a atualidade da temática do filme. Mas nem precisava ir tão longe assim, bastava lembrar o avanço da extrema direita no mundo e a vitória eleitoral de Trump no próprio Estados Unidos.
No Brasil o Ministério Público de Santa Catarina detectou 63 células neonazistas em Blumenau e tem realizado operações frequentes, como a "Operação Nuremberg" em 2025, para desarticular esses grupos organizados. O problema permanece nos atormentando e amedrontando mesmo depois de mais de cem anos da criação do Partido Nazista na Alemanha em 1922.
O que faltou a Nuremberg foi um pouco de ousadia, pois a direção se deteve meramente a relatar o jogo psicológico e as relações humanas do nazista com o psiquiatra, sem se adentrar no tema principal. O diretor optou pelo dramalhão baseado nas lágrimas fáceis, pelo enfrentamento entre o herói e o vilão com a vitória da justiça. O já manjado clichê de Hollywood. James Vanderbilt tinha um assunto de extrema importância e atualidade nas mãos e fez um filme medíocre, previsível e desinteressante.

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