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LIVING THE LAND (2025) Dir. Huo Meng


Texto por Marco Fialho

Living The Land, vencedor do Urso de Prata de Direção no Festival de Berlim, narra uma história de um tempo agrário que se encerra numa determinada geração, que o diretor Huo Meng sublinha como sendo o começo dos anos 1990. O filme aborda esses últimos momentos numa comunidade chinesa do interior. 

A maior consequência dessa decadência agrária comunitária é o quanto as tradições, algumas milenares, serão impactadas, sem qualquer tipo de aviso ou transição, apenas haverá a chegada de novas tecnologias que vão acelerar o processo produtivo da China em poucos anos. A tradição dá lugar à modernidade e fatalmente a novos valores. Living The Land faz por vezes uma reconstituição que beira o documental, com a câmera atenta a registrar quadros do tipo tableau vivant. Essa preocupação em fazer esse registro, enrijece a narrativa, que na maioria das vezes cria mais poses que artificializam a mise en scène, não permitindo que a vida cotidiana seja algo realmente viva e verdadeira, além de pouco orgânica. 

A maior intenção do diretor Huo Meng é a de descrever esses últimos dias dessa comunidade agrária, com seus ritos e costumes, alguns bastante questionáveis, como o da família escolher com quem uma filho ou filha vai casar, sem que sequer os principais interessados sejam consultados. 

O que mais me incomodou nessa narrativa de Huo Meng é o quanto ele sublinha a intensidade sonoro dessa comunidade, com falatórios incompreensíveis, música alta e outros sons sempre muito perturbadores. Esse excesso de barulho me chamou atenção, pois a maioria dos filmes que retratam o ambiente agrário, normalmente sublinham sua calma e silêncio em relação à cidade. 

Apesar de ser um importante registro de um momento histórico chinês, Living The Land se dispersa em meio a muitos focos narrativos por não querer contar a sua história a partir de um de seus elementos. O filme se perde nessa falta de foco narrativo e se torna cansativo, até torturante para quem o assiste. 

Mesmo que Chuang (Wang Shang), um menino de 10 anos cujo pais vão trabalhar numa cidade desenvolvida economicamente, tenha mais relevo do que a maioria dos inúmeros personagens da trama, a atenção não fica só nele, o que atrapalha a fluência da narrativa de Huo Meng. Esse fato se torna um registro, sem maiores aprofundamentos. Se o filme não se perdesse de Chuang e o acompanhasse em todos os seus passos, talvez seus frutos seriam maiores para o espectador, mas a trama se espraia para outros personagens, como a da tia, da avó e anciões.

Living The Land tem sim alguns momentos interessantes, onde alguns aspectos de uma tradição milenar está presente, às vezes com bastante beleza, como os ritos funerais, a supremacia da sabedoria dos anciões, a primazia da colheita do trigo, entre outros, somando-se o registro de uma tradição sendo atropelada pela velocidade de um crescimento econômico, que levou a China para o status que hoje ocupa, de ser a maior economia mundial, mas Huo Meng faz esses registros dentro de uma narrativa confusa que ao querer privilegiar o corpo coletivo, se perde ao fazer um testemunho enfadonho e impessoal.        

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