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CONCLAVE (2024) Dir. Edward Berger


Texto por Marco Fialho

Para quem vê o mundo papal apenas como instância religiosa, Conclave pode parecer algo surpreendente. Mas para quem sabe que o Vaticano é também um Estado eivado de interesses políticos e econômicos, o filme pode parecer até banal e sem grandes surpresas. E convenhamos, Habemos Papam, do Nanni Moretti, realizado em 2011, é bem mais interessante sobre os bastidores dos cardeais, mais engraçado e crítico do que Conclave, esse bem moralista por sinal.

Não que o filme de Edward Berger não tenha seus méritos. Particularmente, gosto do elenco experiente que dá conta do recado e leva o filme nas costas. Stanley Tucci, John Lithgow, Sergio Castellitto, e especial, as excelentes interpretações contidas e precisas de Isabelle Rossellini e Ralph Fiennes. O roteiro de Peter Straughan, baseado no livro homônimo de Robert Harris, inclusive se calca muito nos atores, nas intrigas palacianas e nos jogos políticos subterrâneos. 

A fotografia sombria de Stéphane Fontaine sabe valorizar o design de produção esmerado do filme. A produção realmente consegue construir o palco perfeito para que cada ator desempenhe o seu melhor. Mas tudo é tão certinho, redondo e monocórdio que chega um momento que exaure o espírito de qualquer cinéfilo. São muitas armações e conversinhas ao pé do ouvido. Sai um cardeal, entra outro em cena e mais conversinha. 

No fundo, se extrairmos a história em si e todo o cuidado de produção, Conclave não passa de mais um filme convencional, cuja forma não impressiona nem diz muita coisa. É mais do mesmo. Apenas uma história bem contada. Nesse caso, é melhor ficar no livro ou ver o filme para se poupar de ler o livro, mesmo se assim se perca os detalhes. E claro, o final precisa de uma surpresinha, senão corre-se o risco do público reclamar. Em poucas palavras, creio que essa é uma visão possível que se pode aferir de Conclave.

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