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PITANGA (2014) Dir. Beto Brant e Camila Pitanga


A vida com Pitanga é uma festa

Texto de Marco Fialho

"Pitanga" é um filme que tem uma alma familiar. Não à toa é dirigido pela filha Camila Pitanga junto com o prestigiado diretor Beto Brant. Mais do que uma obra sobre Antônio Pitanga é sobre o que o ator fez e faz de melhor na vida, promover encontros e diálogos em torno da cultura afro-brasileira. Cada encontro é uma festa, um acontecimento, pois assim é permanentemente a vida para ele, uma eterna festa. 

"Pitanga" pode ser resumido como uma sucessão de encontros dele com velhos amigos do passado no presente, e tudo regado à imagem dos filmes em que o ator foi quase sempre protagonista. Antônio Pitanga foi sem dúvida um dos atores mais importantes de sua geração para o cinema. Participou de obras basilares da nossa cinematografia, e fica quase impossível enumerar todas aqui. 


Os grandes diretores brasileiros, como Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade, Caca Diegues, Neville D'Almeida, Sérgio Ricardo, Roberto Santos, Walter Lima Jr., Trigueirinho Neto, apenas para citar alguns, trabalharam com Antônio Pitanga. "Pitanga" registra o próprio protagonismo do ator, pois em todas os planos filmados ele está lá a roubar a cena de ícones da nossa cultura, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Ziraldo, Martinho da Vila, Zé Celso Martinez, e muitos outros.

As conversas são impreterivelmente informais e quase sempre descambam para os dotes sexuais e de grande paquerador de Pitanga. Tanto mulheres quanto homens esbarram a todo momento nas picardias eróticas e sedutoras do ator. A atriz e poetisa Elisa Lucinda chega a contar uma história hilária e explícita ao citar o dicionário Aurélio que diz que pitanga é uma fruta de chupar. 


Mas ainda nos detendo no depoimento de Lucinda, ela diz algo fantástico e bem sintético da postura de Pitanga perante a vida ao afirmar que ele é um autêntico griot, que ama contar histórias, de fazer elas reverberarem incessantemente. Ele mesmo chega a dizer para suas netas o quanto gosta de contar histórias. E realmente elas são muitas e todas quase sempre divertidas. A personalidade de Pitanga a cada nova cena vai se reafirmando, tal como resumiu Haroldo Costa em sua fala, que "baiano não nasce, estreia". Mais Antônio Pitanga do que isso, impossível.

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