Texto por Marco Fialho A Vizinha Perfeita chama atenção pelos dispositivos utilizados pela diretora Geeta Gandbhir para analisar a história de um assassinato ocorrido dentro de um conflito no Condado de Marion, na Flórida, entre uma família negra e uma senhora branca. O dispositivo que mais atrai nesse documentário indicado ao Oscar é o do uso da câmera corporal de policiais em serviço, na maior parte do tempo, o que implica pensarmos sobre essas imagens e as poucas imagens gravadas fora desse contexto. O uso das câmeras corporais efetiva em um primeiro instante, que boa parte do filme partiu de imagens e sons extraídos quando o conflito já está de alguma forma conflagrado. Se o filme inicia com imagens da polícia chegando após um crime ocorrer, o de Susan Lorincz (a mulher branca) atirar em Ajike Owens (a mulher negra), o que vemos depois são imagens resgatadas de muito antes, que registram uma etapa mais inicial do conflito, com Susan implicando com as crianças vizinhas que brin...
Blog de crítica de cinema de Marco Fialho, membro da ABRACCINE (Associação Brasileira de Críticos de Cinema)